SÃO PAULO - A senadora e pré-candidata à Presidência da República pelo PV, Marina Silva (AC), disse nesta terça-feira, 9, durante entrevista à TV Estadão, que PT e PSDB erraram nos últimos 16 anos ao não entrarem em um acordo para garantir a governabilidade do País. "Um erro que cometemos, e digo nós porque fiz parte do PT durante 30 anos, foi o de não estabelecer um ponto de contato com o PSDB no período em que ele foi governo. E a mesma coisa aconteceu no período em que o presidente Lula é governo."
Marina defendeu o entendimento entre os grandes partidos e diz que o PV tem "vontade de conversar". "Ninguém governa sozinho", disse, mas reconheceu que esse acordo suprapartidário, no Brasil, ainda está no campo da utopia. "A grande utopia deste País é que se possa conseguir uma governabilidade baseada em princípios e não apenas no cálculo pragmático de maioria, que muitas vezes é fisiológica."
A pré-candidata criticou o que chamou de disputa entre dois passados, referindo-se às comparações entre os governos Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). "Por mais relevantes que esses governos sejam, não podemos engessar o País em um plebiscito para ver quem fez mais no passado."
Marina não quis comentar a fala do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a suposta falta de liderança da pré-candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff. "Liderança não pode ser outorgada por ninguém, é algo que se conquista. Lula e FHC são líderes. Outros terão de construir sua própria liderança. Apoios ajudam, mas não são suficientes."
Falando sobre outro tema polêmico, a senadora considerou eleitoreira a edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) ao final do governo Lula. "O plano agregou temas de A a Z, que não foram resolvidos nos últimos oito anos, de forma atabalhoada", avaliou.
Marina também comentou sobre o pré-sal e defendeu que uma parte dos recursos gerados seja revertida para a pesquisa de energias alternativas capazes de substituir a energia fóssil no futuro. A senadora elogiou o modelo norueguês de mitigação de impactos negativos da exploração e busca de novas fontes de energia.
Hoje, o candidato do Planalto ao governo de Minas é José Alencar, vice-presidente. Mais do que o acerto político, a linguagem que acompanha a decisão já está consolidada. E até o jornalismo escolhe um caminho, vamos dizer assim, decoroso. Câncer, em muitos casos, ainda é “aquela doença”. Ou, como se dizia no meu interior, e os mais antigos ainda dizem, “doença ruim”. Mais e mais se pronuncia o seu nome, mas permanece aquela bruma de decoro. No Estadão, por exemplo, lê-se o que segue — cito só um exemplo, que já se espalha:
Ele lembrou ontem, em Belo Horizonte, depois de um encontro com o governador Aécio Neves (PSDB), que só tomará uma decisão na segunda quinzena de março, depois que fizer exames para saber se está curado do câncer no abdome. “Antes disso não tomo decisão nenhuma”, declarou. O vice-presidente ainda fez questão de dizer que sua preferência é por um cargo legislativo.
Se Alencar dependesse do parecer dos médicos, desistiria desde já. Eles não dirão que seu câncer está curado de jeito nenhum. Se disserem, ou um milagre terá acontecido ou estarão mentindo para atender à agenda política. O sarcoma que ele tem é incurável segundo o que há na literatura médica. Mesmo nos casos em que a cura é possível, antes de um determinado número de anos, varia de acordo com o tipo da moléstia, não se fala em “cura”. Nem Dilma pode-se dizer “curada”. No máximo, ela pode se declarar sem a doença agora.
Deixo claro — e acredite quem quiser — que torço pela recuperação de ambos. Há uma dimensão puramente humana nessa história. Conheço o horror de uma gente bucéfala que se organiza para torcer contra a saúde alheia e que não reconhece limites na divergência política e ideológica. Desejar a morte daquele de quem se discorda não deixa de ser um ato de terrorismo moral ao menos. Desejo é saúde aos dois.
E isso não me impede de lembrar um célebre ensaio de Susan Sontag —acho meio bobo, mas ficou famoso: A doença como metáfora. Vivemos os tempos da “doença como solução”. A de Dilma serviu para consolidar a imagem da batalhadora, daquele que enfrenta qualquer dificuldade. Recuperem o noticiário: foi ali que ela se firmou. A de Alencar está servindo para impor um redutor a todas as disputas no campo governista mineiro. Nem PT nem PMDB se oporão a Alencar. No máximo, haverá disputa, entre os petistas, para o lugar de vice.
E o lugar de vice, nessas circunstâncias — tanto as de Alencar como as de Dilma — tem um peso que jamais teve no Brasil, incluindo o caso de Tancredo Neves. Ninguém sabia do seu real estado de saúde. Agora, sabe-se bem mais. Mas uma nuvem de decoro impede o noticiário político de fazer não exatamente especulações, mas deduções lógicas. Nos EUA, os três tratamento contra melanoma de John McCain podem lhe ter tirado alguns milhões de votos. No Brasil, tendo a achar que a doença pode render alguns milhões.
A eventual candidatura de Alencar — se estiver em condições de disputar, não “se estiver curado” — tem desdobramentos importantes na política mineira e também na sucessão.
A eventual candidatura de José Alencar ao governo de Minas é, potencialmente ao menos, o evento mais importante desta fase de pré-campanha. Para começo de conversa, arma-se um palanque poderoso para Dilma Rousseff no estado, cujo eleitorado é considerado, não sem motivos, importante para definir o próximo presidente da República.
Por razões que vocês conhecem, e que não cabe elencar agora para não desviar o foco, o Nordeste estará em peso com a candidatura que Lula escolher. As pesquisas já refletem isso. É a única região em que Dilma hoje lidera a disputa. O ainda não-candidato José Serra está na ponta nas demais, mas cercado de incógnitas e dificuldades.
Entendo, estabelecendo um paralelo para que vocês percebam com clareza os caminhos que estou trilhando, que os eleitores de Minas e São Paulo deveriam ser, para o candidato tucano, o que é o eleitorado nordestino para Dilma: uma espécie de rede de segurança, para que, então, se tentasse conquistar o que, de fato, estaria em disputa. Daí decorre a minha avaliação, por dedução lógica, de que um candidato tucano tem de ter Minas. Ou suas chances se reduzem drasticamente. O PSDB sabe disso, claro. E, por isso, tem sonhado com a possibilidade de Aécio aceitar ser vice de Serra.
Ocorre que o PT se antecipou em alguns lances e mandou uma coluna de tanques para o estado. Houvesse mar em Minas, eu escolheria outra metáfora: mandou toda a Armada. O eventual sucesso de uma chapa encabeçada por Serra continua a depender, entendo, de Aécio aceitar o desafio: mas, acreditem, a importância dessa escolha também tem de ser repensada à luz da nova realidade.
A eventual pregação de José Alencar apelará aos mais “profundos sentimentos de Minas”. Aécio, sem dúvida, passa a ter um desafio no seu próprio terreno se é real a determinação de fazer Antonio Anastasia seu vice. Sabe que a figura de Alencar tornou-se inatacável. “Mineiro não ataca nunca, Reinaldo”. Falso! Márcio Lacerda só venceu a prefeitura de Belo Horizonte porque houve a opção por triturar Leonardo Quintão; a campanha não teve nada de “light”. Ocorre que não dá para desconstruir Alencar.
Aécio tem, é fato, um estoque de realizações a exibir; Alencar tem uma mensagem que apelará a uma espécie de messianismo decoroso, cordato. O lado “obreiro” ficará por conta de sua parceria com Lula. E estará amparado por PT, PMDB mais a estupenda máquina da candidatura Dilma. Será uma parada dura.
Acho que o PSDB tem de voltar à prancheta. Ou, se me permitem a blague, tem de ter uma prancheta, qualquer uma. Serra, Aécio, Sérgio Guerra, FHC, Tasso Jereissati — a cúpula do partido, enfim — têm de pensar a nova realidade. Não adianta fingir que Alencar não é um fato novo. É.
Ademais, não custa lembrar: o eleitorado paulista tem-se mostrado mais refratário ao PT do que o de Minas. Não é impossível, mas acho improvável que Dilma consiga liderar a disputa em São Paulo em qualquer quadro. A questão de sempre permanece: como as oposições podem engajar o eleitorado mineiro nessa nova realidade? E, curiosamente, essa questão agora é importante também os tucanos… mineiros!
Nos comícios agora diários, além de aprenderem que demissão por abandono de emprego não vale para presidente da República, os brasileiros ficam sabendo que o Dia da Criação só deu as caras por aqui bilhões de anos mais tarde. Mais precisamente em 1º de janeiro de 2003, quando o maior governante desde o tempo das cavernas começou a cumprir a missão que a Divina Providência lhe confiou: construir um país.
Antes de Fernando Henrique Cardoso, recita o pregador, o que havia era pouco. Depois, restou o nada. Foi Lula quem fez o Brasil. Teria feito em sete dias se não existissem o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público e o IBAMA. Só por isso a mais grandiosa das obras do PAC demorou sete anos. O atraso foi compensado pelo resultado.
O Brasil do Terceiro Milênio é uma beleza, deslumbram-se os ministros de Estado e a base alugada. Até frequenta o Clube das Potências como sócio-convidado, celebram os Altos Companheiros. E o que está bom demais vai ficar ainda melhor no governo de Dilma Rousseff, berra o resto do rebanho. Com a vitória da Mãe do PAC, berra o palanqueiro compulsivo, o milagre brasileiro vai deixar boquiabertos até chineses e americanos. americanos. Sem Dilma na gerência, o país irá submergir no buraco negro de onde Lula o tirou.
Neste domingo, com 968 palavras, Fernando Henrique enterrou no jazigo das malandragens eleitoreiras a fantasia costurada durante sete anos. O artigo ensina que o Brasil existia antes de Lula e existirá depois dele, seja quem for o sucessor. Incisivo, contundente e veraz, o texto exibe o legado de um estadista onde Lula finge enxergar a herança maldita.
“Gostaria que a eleição fosse no estilo nós contra eles, pão-pão-queijo-queijo”, repete o presidente desde outubro. Quem o conhece sabe que “nós” quer dizer Lula e que “eles” é o codinome de FHC no código do Planalto. No último parágrafo do artigo, Fernando Henrique primeiro reitera uma lição elementar (”Eleições não se ganham com o retrovisor: o eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças” para em seguida apanhar a luva atirada pelo sucessor: “Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”.
Não é difícil descobrir quem tem razão, avisou Sebastião Silveira num comentário aqui publicado. Basta promover um debate público entre os dois. Encampada pela coluna e por VEJA.com, que cuidarão de convidar os contendores, a ideia não tem contra-indicações ─ e os possíveis efeitos colaterais são todos positivos. Um foi presidente, outro logo deixará o cargo. Nenhum deles é candidato. O embate ajudará o eleitorado a escolher com mais segurança o próximo chefe de governo.
O fecho do artigo informa que FHC está pronto para o duelo. Lula vive dizendo que sonha com o debate que não pôde travar em 1994 e 1998. Duas vezes derrotado por FHC, o atual presidente não deve perder a chance de provar que o desfecho de um terceiro confronto seria diferente.
O Brasil merece conhecer a verdade. E precisa saber quem está mentindo.
O Coturno Noturno acaba de postar uma Petition Online, por um debate definitivo entre Lula e FHC. Assinem. Espalhem. Divulguem. Vamos acabar logo com esta mentira. Se querem briga, que encarem o inimigo de frente. Que sejam homens e não vermes.
Por qualquer critério isento que se examinem os números da execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) apresentados na quinta-feira pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff ? sua principal gestora, batizada pelo presidente Lula como "mãe do PAC" ?, a conclusão é decepcionante. Sua execução é lenta, o que torna muito duvidoso que seja concluído no prazo previsto. A utilização de certos indicadores mascara seu baixo nível de execução. Seus principais resultados são frutos de programas e projetos de empresas estatais e privadas que seriam executados com ou sem ele. A necessária melhora na qualidade do gastos do governo, que deveria ser um de seus principais efeitos sobre a gestão financeira do setor público, não ocorreu até agora e não deverá ocorrer no último ano de sua vigência.
O PAC é um fracasso que, mesmo assim, a ministra-candidata transformou, com o entusiasmado apoio de seu mentor político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na principal peça de propaganda de sua campanha eleitoral lançada antes do prazo previsto pela legislação. Ao longo deste ano, seguramente muito será dito pelo governo sobre esse programa, mas o eleitor precisará estar atento para não ser enganado.
A ministra anunciou que, do total de R$ 638 bilhões em investimentos no período 2007-2010 previstos no PAC, R$ 403,8 bilhões, ou 63,3%, tinham sido aplicados até o fim do ano passado. É um dado enganoso. Se se considerar apenas as ações efetivamente concluídas, o resultado é bem menos animador. Em 36 meses de execução do PAC, nas obras encerradas foram aplicados R$ 256,9 bilhões, ou seja, 40,3% do total.
Isso significa que, por ano, o governo executou, em média, 13,4% do total. Para concluir o PAC no prazo, teria de executar 60% neste ano de 2010, ou seja, teria de multiplicar por 4,5 o ritmo da execução do programa. Mesmo que, como assegura a ministra, o governo tenha aprendido a gerir melhor o programa, não parece crível que consiga elevar tanto assim o ritmo, pois isso exigiria da atual gestão uma competência que ela nunca mostrou ter.
Do valor de R$ 403,8 bilhões anunciado pela ministra como realizado, é preciso destacar uma gorda parcela, de R$ 137,5 bilhões (34% do total), que nada tem a ver com obras, pois é formada por empréstimos habitacionais a pessoas físicas. São recursos oriundos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, do FGTS, do FAT e de outras fontes públicas.
Esses recursos são utilizados, em geral, na compra de imóveis usados, pois as políticas do governo para esses fundos privilegiam esse tipo de negócio. Economistas do setor privado observam que, ao contrário das vendas de imóveis novos, as de imóveis usados não resultam necessariamente na geração de emprego ou renda, como é o objetivo do PAC. Daí a estranheza com relação ao uso desses dados, o que pode ter sido feito apenas para inflar os resultados.
Outra parcela importante refere-se aos investimentos das estatais, de R$ 126,3 bilhões (31%). A Petrobrás responde pela maior fatia desses investimentos, que seriam feitos pelas estatais com ou sem o PAC, pois eles são elementos essenciais do planejamento estratégico dessas empresas.
A terceira fatia mais importante corresponde aos investimentos das empresas privadas, de R$ 88,8 bilhões (ou 22% do total), e sobre eles o governo nada pode decidir. Há, ainda, as contrapartidas dos Estados e municípios (R$ 11,1 bilhões, ou 3%) e os financiamentos (R$ 5,1 bilhões, ou 1%).
A fatia do PAC que cabe exclusivamente ao governo do PT, originária do Orçamento-Geral da União, totalizou apenas R$ 35 bilhões, 9% do que a ministra anunciou ter sido executado. Esses números mostram que, apesar de tudo que tem anunciado e apesar do PAC, o governo continua a investir pouco, bem menos do que as necessidades do País.
O padrão do gasto oficial, dominado pelas despesas de custeio, continua ruim para a economia brasileira e para os cidadãos. Melhorá-lo exige a redução dos gastos correntes, mas as despesas que mais crescem no governo Lula são com o funcionalismo, razão pela qual, tirante o PAC, é pequena a fatia que sobra para investir.
Em resumo, o PAC, mal gerido, está longe de suas metas.
BRASÍLIA - A nova Executiva Nacional do PMDB está totalmente fechada com a candidatura da ministra Dilma Rousseff, mas o presidente reeleito da legenda e presidente da Câmara, Michel Temer (SP), adverte que a aliança com o PT na corrida sucessória não pode ser dada como fato consumado. “Não faço questão de ser vice. Nem vice, para mim, é coisa de vida ou morte.” Reconduzido ao comando partidário, Temer tem mais a comemorar com o resultado da convenção nacional do que o Planalto, que investe tudo na parceria com o PMDB.
Apesar dos recursos à Justiça e protestos do grupo que se recusa a aceitar a aliança, não há contestação ao comando de Temer. Diferentemente do que ocorreu quando assumiu a presidência da Câmara, este ano ele não se licenciará do comando partidário, para estar à frente das negociações. “É pleito de todos que eu presida o partido”, adianta nesta entrevista ao Estado. Temer aposta que o prazo para a definição da aliança e do vice é abril. Como os petistas começam a discutir o programa de governo, vai logo avisando que seu partido não aceitará prato feito.
Fechada a aliança com o PT, o senhor faz questão de ser vice?
Absolutamente não. Não tenho nenhuma pretensão em relação a isso. Muitas vezes dizem que quero ser vice, e grifo a expressão quero, quando isso é fruto de uma conjuntura política do PMDB. Isso só vai se decidir lá no futuro, mas volto a dizer que não tenho pretensão como se fosse uma coisa de vida ou morte. Não é. Com a nova direção fechada com a candidatura Dilma, a aliança já é fato consumado para o PMDB?
A grande maioria do partido hoje pode optar por uma aliança dessa natureza. Mas nós, os membros da Executiva eleita agora, somos obrigados a atender a todas as tendências. Estamos no rumo da unidade quase absoluta, mas não podemos desprezar outras teses que serão discutidas. Reconheço que a tese predominante é a da aliança, dependendo ainda de uma série de circunstâncias. Uma das circunstâncias é a solução dos Estados em que há disputa entre PT e PMDB.
A aliança não é fato consumado?
Não é nem pode ser ainda. Neste momento, nem a candidata ainda o é. Portanto, é preciso esperar o lançamento da candidatura e, depois, as articulações que faremos nos Estados. Quero ressaltar que, se o PMDB vier a fazer esta aliança, fará uma aliança programática. Verifiquei que o Congresso do PT poderá aprovar desde agora o programa do governo, mas esse programa terá de ser um amálgama daquele que o PMDB vier a apresentar.
Existe a possibilidade de a aliança não se consolidar em junho?
Não quero avançar nenhuma perspectiva. Tenho ressaltado é que há três teses no partido. A da candidatura própria, a do apoio ao candidato tucano José Serra, nunca ignorando que a da aliança com o PT é a preponderante. O pré-compromisso estabeleceu que o vice seria do PMDB, que o PMDB participaria do plano de campanha e de governo e que solucionaria as questões estaduais. Tudo isso está sendo encaminhado, mas terá de se consolidar para consolidar-se a aliança.
Ainda falta alguma coisa para que essa aliança se feche de vez?
Há condicionantes por parte do PMDB, como podem haver do lado do PT. São naturais. O partido tem de sentir-se absolutamente satisfeito para não ser uma mera adesão e sim uma coalizão que não se dará pela primeira vez no instante do governo, mas no da eleição.
Mas quando se discute a vice e o PMDB briga por isso passa a impressão de que está disposto a fazer uma aliança a qualquer preço.
Não é a qualquer preço. É ao preço de um programa para o País, de participação no plano de campanha da candidata. Ainda passa por esses fatores.
O sr. quer dizer que, em relação ao programa que o PT quer discutir, o PMDB não aceita prato feito?
Evidentemente, não podemos dar palpites em relação à discussão do programa dentro do PT. Isso é fruto da autonomia do partido. O que queremos é levar adiante o pré-compromisso pelo qual juntaríamos os programas dos partidos para que saísse o plano de governo.
A que atribui a resistência de setores do PT a sua indicação a vice? O problema foi a citação de seu nome na Operação Castelo de Areia, da PF, levantando suspeita sobre doações ilegais de campanha?
Se provêm do PT, essas objeções, são equivocadas porque não há candidatura a vice. Isso se estabelece no momento da aliança. O PMDB também não quer indicar um nome que, ao invés de enaltecer a aliança político-eleitoral, a desmereça.
Diante dessas resistências, o senhor teme ataques que o desgastem politicamente?
Não tenho a menor preocupação em relação a isso e tomei até providências judiciais exatamente em face da inexistência de temor. Essas coisas já foram ditas e, convenhamos, não colaram. Se o objetivo era fazer colar isso em mim, não colou. Se houvesse preocupação, haveria de ser de natureza política. Muitas vezes o partido da candidata pode dizer “olha, preferíamos um outro vice”.
Setores do PT dizem que não podem expor a candidata porque o senhor poderia repetir o senador Guilherme Palmeira, que em 1994 renunciou à vice de FHC. Esse temor é real ou a questão é política?
Acho de uma maldade extrema essa espécie de afirmação. Reitero que não tenho nenhuma preocupação em relação a isso e penso que essa minha afirmação enfática levará a candidata e o PT à despreocupação absoluta. Até repudio essa espécie de insinuação que, na ausência de fato concreto, não tem característica moral e sim política. Muitas vezes é utilizada com o objetivo de tentar provocar um afastamento.
Existe a possibilidade de a convenção optar por outro rumo, como a candidatura própria ou o apoio ao candidato do PSDB?
Reitero que não sei o que vai acontecer na convenção. Tem vários meses pela frente. Tudo dependerá muito da relação política que se estabelece entre o PMDB e o PT.
Em abril PT e PMDB terão equacionado a vice e as disputas em Minas, Bahia, Pará e Mato Grosso do Sul?
É isso. E, se surgirem problemas em outros Estados, teremos de solucioná-los.
O nome do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi lembrado para vice com o apoio de Lula. Ele está sendo cogitado no partido ou isso nunca existiu?
Cogitação não existiu, mas quero ressaltar as qualidades do Henrique Meirelles, pela experiência que teve na iniciativa privada e que tem hoje no setor público. Ele também é dos tais que podem ocupar qualquer cargo público no País.
O PMDB aceitaria um cristão novo para ocupar a vice? Precisaria ser mais identificado com o partido?
Talvez a dificuldade seja essa, mas seria a única.
Independentemente de ser o senhor ou não o candidato a vice, o PMDB admitirá interferência do PT nessa escolha?
O PMDB vai dialogar para escolher o vice, mas evidentemente não vai admitir interferência. É claro que haverá diálogo e troca de ideias, mas o partido será autônomo.
O recurso à Justiça para impedir a convenção surpreendeu o senhor?
O recurso não, porque seria legítimo recorrer. O que surpreendeu foi a concessão da liminar, por causa da absoluta inviabilidade jurídica. Tanto que ela foi cassada pelo STJ.
"Este é o maior show da história da minha vida, e vocês são um dos maiores públicos para o qual cantei". Foram essas as primeiras palavras de Beyoncé para as 60 mil pessoas que foram vê-la de perto neste sábado (6), no estádio Morumbi, em São Paulo. "Muito obrigada por todo o amor e por me receberem aqui", disse, logo após cantar "Freakum Dress", a terceira música de seu repertório.
O roteiro do show é idêntico ao apresentado na última quinta-feira (4) em Florianópolis, primeira das quatro cidades a receber a turnê "I Am... Tour". Das coreografias e gestos até mesmo às falas, tudo se repete de um show para o outro. A abertura traz apenas a silhueta de Beyoncé no palco, introduzindo um trecho de "Deja Vu" para chamar os sucessos "Crazy In Love" e "Naughty Girl". A apresentação se divide em atos, alguns mais dançantes que os outros, e se encerra com "Halo" após duas horas de espetáculo.
A diferença mais significativa do show de Florianópolis para São Paulo foi o som: na capital paulista, os instrumentos foram regulados em volume mais alto e mais nítido --vantagem para a sua talentosa banda formada só por mulheres (a Suga Mama) e para o competete trio vocal (The Mamas) . A maior quantidade de público também deixou mais forte o coro que Beyoncé organiza durante "Irreplaceable".
Mas não há espaços para improvisos em seu roteiro cronometrado, apenas adaptações como perguntar o nome de um fã próximo ao palco antes de cantar "Say My Name" e entregar ao escolhido uma toalha personalizada com o nome de Beyoncé, ou sugerir para que as pessoas gritem alto enquanto divide a plateia em uma espécie de torcida organizada. E mesmo sem novidade, Beyoncé confirma que é o próprio espetáculo.
Escolher o adversário é quase sempre mais importante que escolher os aliados, repetiu Tancredo Neves em janeiro de 1984, depois da vitória sobre Paulo Maluf no Colégio Eleitoral. “Fiz o possível para ter Maluf como oponente porque era o mais vulnerável entre os que poderiam ser apoiados pelo governo”, contou. Forçados a decidir entre um homem honrado e ûm sinônimo de corrupção, previu Tancredo, mesmo eleitores estreitamente ligados ao regime militar evitariam associar-se à imagem de Maluf. Acertou. “Para entender o resultado de uma votação, não se deve ver apenas quem ganhou, mas também quem perdeu”, ensinou. Frequentemente, o motivo principal de uma vitória é o derrotado.
Os partidos de oposição têm sorte: Lula escolheu por eles a adversária ideal. Como sabem há meses os frequentadores da coluna, como não demorarão a perceber milhões de brasileiros, Dilma Rousseff é incapaz de comunicar-se com cada parafuso da cabeça em seu lugar. Mais grave ainda, não tem nada de proveitoso a dizer. O mais popular dos presidentes entre os institutos de pesquisas de opinião acha que elege um poste. Até uma Dilma.
Lula também achou que transformaria Aloízio Mercadante em governador em 2006 e Marta Suplicy em prefeita em 2008. E achou até recentemente que todos os cinemas do país atravessariam 2010 tomados por multidões comovidas com a história do Filho do Brasil que virou presidente e campeão de popularidade. No fim de semana, o sucesso do século agonizava em São Paulo nas telas de duas salas semidesertas. Não vai sobreviver ao Carnaval.
Dilma é muito mais desastrada que Mercadante, muito mais arrogante que Marta e ainda mais bisonha que o filme. A cada discurso improvisado, a cada declaração em reuniões ou entrevistas, o país é reapresentado ao espetáculo aflitivo do orador sem rumo. O sujeito agride o predicado, o substantivo não cumprimenta o verbo, a concordância é chicoteada sem dó nem piedade, os gestos colidem com a garganta, a palavra volta na mesma linha sem ser chamada nem pedir licença, a voz vive inutilmente à procura do ponto seguro que não aparece. Lula trata o português com selvageria, mas é fácil entender o que está dizendo. Dilma é incompreensível.
Exagero? Vejam o vídeo (se a dicção não ajudar, recorram à legenda) que exibe a primeira parte da Oração de São Leopoldo, pronunciada nesta sexta-feira na simpática cidade gaúcha:.
“Cês vejam o que aconteceu durante tanto tempo no Brasil. Não se investia em tratamento de esgoto. Nos países lá da Europa, Estados Unidos, no início do século passado eles investiram em tratamento de esgoto e em benefício pra população, porque principalmente as nossas crianças, as maiores e os jovens e os idosos os maiores beneficiários do tratamento de esgoto porque o tratamento do esgoto permite que a gente cuide da nossas águas, que a gente trate as águas, melhora a saúde das pessoas, diminui a mortalidade infantil, transforma a vida de cada um de nós principalmente para nós mulheres que somos mães sabemos a importância da saúde das nossas crianças e como no início da vida delas elas são tão frágeis. Por isso é muito importante essas obras que nós estamos aqui hoje apresentando pra vocês”.
Pronunciadas em 1 minuto e 11 segundos, as 138 palavras se dividem em apenas três frases. A primeira e a última poderiam ser amputadas sem anestesia. São penduricalhos de R$ 1,99. A segunda é a essência do discurso. O tratamento de esgoto é importante para todos, poderia ter resumido a oradora. Em vez disso, enfurnou-se na selva de vogais e consoantes, especialmente hostil a mentes em combustão, para produzir mais um discurso sobre o nada.
Um candidato com mais de 10 neurônios não precisa consultar marqueteiros para saber como agir num debate com Dilma Rousseff. É só perguntar, por exemplo, o que pretende fazer, se chegar à presidência da República, na área de saneamento básico. A Mãe do PAC dirá algo semelhante ao que disse no vídeo. Ao ouvir do moderador que tem um minuto para a réplica, o adversário confessará que não entendeu nada ─ para em seguida ceder o tempo à candikdata e pedir que se explique melhor. A explicação vai agravar o desastre. No Brasil, um debate pode produzir efeitos devastadores. Lula sabe disso desde 1989. Aprendeu com o companheiro Fernando Collor.
O professor de eleição vem reiterando que quem se opõe ao governo não tem discurso. Tem de sobra, mas nem precisa de muito. Basta explorar, com alguma competência e um mínimo de ousadia, o trunfo bem poderoso que qualquer discurso: a oposição ganhou de Lula a adversária com que sonham todos os candidatos do mundo.
O Movimento dos Sociopatas e Terroristas (MST) divulgou uma declaração oficial em defesa do novo Programa Nacional-Socialista de Direitos Humanos (PNDH-3) e disponibilizou uma cópia do documento em seu sítio democrático na Internet. O download pode ser efetuado clicando aqui.
O MST “manifesta publicamente seu REPÚDIO às muitas inverdades e posições reacionárias ao III Programa Nacional-Socialista de Direitos Humanos (PNDH-3), e declara seu APOIO INTEGRAL a este Programa, lançado pelo Governo Federal no dia 21 de dezembro de 2009”.
De acordo com o movimento, o PNDH-3 é “fundamental” para a efetivação de relações sociais igualitárias e um exemplo de resistência contra todas as orientações do liberalismo austríaco, as privatizações e o enfraquecimento do Estado Totalitário.
“O Brasil fez uma opção definitiva pelo fortalecimento da democracia totalitária. O PNDH-3 expressa claramente o apoio do governo Lula: (1) ao projeto de lei petista que garante o alargamento dos permissivos para a prática do aborto legal, universal, livre, seguro, gratuito e de qualidade; (2) ao desenvolvimento de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em locais públicos; (3) à promoção de uma cultura de respeito à livre orientação sexual e identidade de gênero, favorecendo o reconhcimento dos Gays, Lésbicas, Bissexuais, Zoófilos, Sadomasorquistas, Travestis e Transgênicos; (4) à realização de ações permanentes de estímulo ao desarmamento total da população; (5) à democratização, estímulo a pluralidade e censura dos meios de comunicação; (6) à expropriação dos latifundiários e; (7) à reconstrução e falsificação premeditada da história recente”, diz a nota.
A resolução do MST diz ainda que estas medidas “são democráticas, progressistas e populares”. “Precisamos consolidar o PNDH-3 e radicalizar nessa transição para o nacional-socialismo, como um dia fizeram a Coréia do Norte, Cuba, Alemanha Nazista, China, Albânia e a gloriosa União Soviética. Agora, ou vai, ou racha!”.
UM PESO, DUAS MEDIDAS As notas do Itamaraty condenam a prisão da birmanesa Aung San Suu Kyi, mas ignoram a de Raúl Baduel (à dir. ). As posições brasileiras sobre questões regionais parecem emanar diretamente de Chávez (ao lado, entre Lula e Celso Amorim)
Na Venezuela, há quarenta cidadãos presos apenas por discordar de Hugo Chávez. Um deles é Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa, que rompeu com Chávez por se opor aos planos do tirano de se perpetuar no poder. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil nunca emitiu uma única nota de repúdio à prisão de Baduel. Desde que Lula assumiu a Presidência, há sete anos, o Itamaraty mantém silêncio a respeito das medidas autoritárias na Venezuela. Outros países recebem um tratamento diferente. A diplomacia brasileira, por exemplo, divulgou três notas criticando a repressão política em Mianmar, na Ásia, duas delas contra a prisão domiciliar da vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. O que motivou a posição desigual nos casos de Baduel e da dissidente birmanesa e em outros temas externos? Se fosse para defender os interesses nacionais do Brasil, o correto seria manter-se fiel aos princípios que norteiam as relações exteriores desde a promulgação da Constituição de 1988 – entre os quais a defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos. "Contudo, o que tem orientado a diplomacia brasileira nos últimos anos são as posições ideológicas do partido que está no poder", diz Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington. "Com isso, o Itamaraty trocou uma política de estado por uma política partidária." A primeira interessava ao Brasil. A segunda, ao PT. A primeira obedece a princípios. A segunda, a bandeiras partidárias.
A política externa é atribuição do Poder Executivo e, como tal, está subordinada ao presidente da República. Em governos anteriores, as decisões nessa área levavam em conta o conhecimento técnico dos diplomatas de carreira, a tradição brasileira e os princípios universalmente consagrados da convivência pacífica entre os povos. Essa tradição foi rompida ao se delegar a política externa aos humores dos radicais esquerdistas. Para compreender o alcance do viés ideológico na definição da política externa brasileira, VEJA fez um levantamento de todas as notas oficiais divulgadas pelo Itamaraty desde 2003, o começo do governo Lula. No total, foram mais de 4 600 comunicados, muitos deles informes técnicos sobre viagens do presidente. A reportagem se fixou na análise de 296 dessas notas, justamente aquelas em que o Itamaraty dá a saber a posição oficial do Brasil a respeito de questões conflituosas ou polêmicas. São notas reveladoras.
As notas sobre o conflito no Oriente Médio são a manifestação clara de opção ideológica em detrimento dos interesses nacionais permanentes (veja o quadro ao lado). Ao Brasil, que almeja legitimamente aumentar seu protagonismo internacional, interessaria não o engajamento ao lado de um dos contendores, mas a mais notória neutralidade nas complexas disputas do Oriente Médio. O comprometimento do Itamaraty é ainda mais evidente nos temas latino-americanos. As notas defenderam manobras liberticidas dos governos esquerdistas da Bolívia, da Venezuela e de Cuba, mas condenaram a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya. Como ficou claro no episódio, Zelaya decidiu rasgar a Constituição de seu país para, com o apoio de Hugo Chávez, dar um golpe. "O episódio de Honduras confirmou um fenômeno preocupante: as posições do Itamaraty e de Chávez na política regional coincidem quase sempre", diz José Botafogo Gonçalves, presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro.
O Executivo tem todo o direito de buscar suas preferências em política externa e – desde que isso tenha sido abertamente discutido na campanha eleitoral – fazer guinadas nos rumos da diplomacia. Os limites dessas manobras, porém, são dados pela tradição diplomática do país e pela persecução dos interesses nacionais permanentes – aqueles que são revertidos em benefício da maioria, e não da minoria no poder. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama mudou o tom da diplomacia, mas não seus objetivos básicos: vencer a guerra ao terror e barrar a proliferação nuclear em países párias, para citar dois exemplos. No Brasil, a mudança de rumo foi desastrosa. É antiga, legítima e positiva para todos os brasileiros a reivindicação de um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A diplomacia petista está sempre reafirmando essa meta. Mas também não perde uma chance de arruinar qualquer possibilidade de isso vir a ocorrer. O alinhamento automático de Brasília com ditaduras da América Latina, Ásia e África é uma deferência aos radicais do PT, mas um desastre internacional de previsíveis, duradouras e trágicas consequências para as pretensões brasileiras.
Conversando recentemente com um investidor estrangeiro interessado no que acontecerá no país na sucessão presidencial, me surpreendi com uma pergunta: "Dilma vencendo, não pode ser como na Rússia, com Lula ficando por trás manejando os cordões?". Se fôssemos uma República parlamentarista, o presidente Lula poderia fazer como Vladimir Putin, que depois de presidir o país por dois mandatos, transformou-se em primeiro-ministro e indicou Dimitri Medvedev para presidente
O que a oposição brasileira acusa como um defeito da candidata oficial, ser um mero títere de Lula, era a esperança desse investidor — dos grandes — de que tudo continuará como está na economia brasileira, com Lula dando seu suporte à sua sucessora.
O modelo "Dilmedvedev" sonhado pelo investidor é o mesmo vendido subliminarmente por Lula ao eleitorado, mas de difícil implementação. É mais provável Dilma, se eleita, ficar dependente de partidos como o PT e o PMDB do que de Lula, pois o presidencialismo brasileiro dá muitos poderes ao presidente da República.
Mesmo o modelo autoritário russo de desenvolvimento só é comparável ao do Brasil para efeitos dramáticos.
Tanto no sistema político quanto no econômico, o modelo russo aproxima-se mais do da Venezuela. Putin pegou a Polícia Política e a transformou no grande esteio do país, com as Forças Armadas.
Na privatização do país, criou uma nova oligarquia econômica, com membros do antigo Partido Comunista, da polícia secreta (KGB) e do Exército. No Brasil, o governo trabalha mesmo com a velha oligarquia.
O que une Rússia e Venezuela é que nos dois vigora o "hiperpresidencialismo", uma ditadura disfarçada, cuja fronteira para a ditadura é a liberdade de imprensa, que não existe em nenhum dos dois países.
No Brasil, há tentativas seguidas de controle dos meios de comunicação, mas todas até o momento fracassaram com a reação da sociedade civil e do próprio Congresso, que, embora esteja submetido ao Executivo, aceitando essa situação em troca dos mais diversos favores, ainda encontra espaço para reações.
Há uma verdadeira separação dos poderes, com o Judiciário tendo um papel independente mesmo Lula tendo indicado oito dos seus 12 componentes.
Mas o Estado forte tanto serve a um esquerdismo, que ainda viceja em setores do governo, quanto ao nacionalismo estatizante do qual Lula é tão adepto como foi o general Geisel, cujo planejamento estratégico sempre admirou.
Não foi à toa que quando era chefe do Gabinete Civil, o exdeputado José Dirceu, que voltou hoje ao centro do poder no PT e na candidatura Dilma, rejeitou certa vez a comparação com o general Golbery do Couto e Silva, considerado o grande artífice político do governo Geisel, e disse que queria mesmo ser o Reis Velloso de Lula.
Como agora, o governo Geisel acreditava que o Estado tinha que dirigir o desenvolvimento do país. Como não se cansa de repetir Lula, o governo tem que ser o indutor do desenvolvimento.
Foi através do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) que o então ministro do Planejamento, Reis Velloso, estabeleceu as diretrizes econômicas pós-milagre.
Nesse modelo, o governo escolhe as companhias que acredita que, juntamente com o Estado e se possível com multinacionais, criariam um setor hegemônico do ponto de vista econômico, sempre com financiamento do BNDES.
Um modelo semelhante ao de países asiáticos cujos exemplos seriam o Japão, a Coreia, a Indonésia e a Malásia.
Há diversos exemplos, e em quase todos as grandes empreiteiras estão envolvidas: na indústria bélica, a Marinha comprou submarinos da França com a inclusão da Odebrecht como construtora do estaleiro exigida pelos franceses.
A criação da maior multinacional de carne, a JBS, foi estimulada pelo financiamento do BNDES, assim como a fusão da Sadia e Perdigão e a compra da Brasil Telecom pela Oi, que tem como sócio a Andrade Gutierrez.
Mas os maiores lances estão sendo dados através da Petrobras.
A criação de uma empresa para administrar o pré-sal (a Petrosal ou que outro nome venha a ter) aumenta o controle governamental de um setor com fundamental importância estratégica e faz da Petrobras a ponta de uma política industrial que tende a concentrar negócios na cadeia produtiva.
A necessidade de capitalizar a Petrobras só existe porque o governo decidiu que a estatal terá a participação obrigatória mínima de 30% de cada campo do pré-sal, o que exigirá a contrapartida em investimentos que a empresa não é capaz de fazer hoje, e simultaneamente manter a exploração e produção de outros campos fora do pré-sal, que são a nossa realidade no momento.
O discurso ideológico do governo vende a ideia de que é preciso aumentar sua participação acionária, admitindo até mesmo voltar a ser majoritário no capital total da empresa, para que nosso tesouro do pré-sal não seja controlado por investidores privados, especialmente os estrangeiros.
Um falso argumento, pois, nas ações nominativas, de controle efetivo, a União sempre foi e será majoritária.
Segundo José Gabrielli, presidente da Petrobras, as necessidades de investimento da estatal, não apenas no refino, afetam, diz ele, "a capacidade mundial de produção de equipamentos".
Diante da maior descoberta de óleo no Ocidente em muito tempo, no pré-sal brasileiro, Gabrielli defende que a necessidade de expansão da capacidade mundial de produção de equipamentos para essa indústria ocorra no Brasil. "E para isso o Estado é necessário".
O governo defende a necessidade de "integração vertical" na indústria do petróleo, dominar da extração à produção de derivados, incluindo a petroquímica e a química. Há também a visão de que é preciso a "verticalização para atrás", com participação em empresas que são fornecedoras da indústria do petróleo.
Com essa política, todos os grupos nacionais petroquímicos desaparecerem — Ipiranga, Suzano, Unipar, Mariani etc — engolidos pela Petrobras e pela Odebrecht com dinheiro subsidiado do BNDES. O dinheiro não foi para nenhuma fábrica nova e sim para comprar ativos já existentes.
Este é um governo que critica os monopólios, mas adora criá-los.
O jornalista Celso Arnaldo acabou de chegar de mais uma incursão pela mente inquietante de Dilma Rousseff. Segue-se o relato do implacável caçador de cretinices:
Metida num charmoso macacão da Petrobras, suando pouco menos do que Lula, que reclamou estar se sentindo como um “pintinho que caiu na poça”, a palanqueira é instada a falar na inauguração do Gasduc III, em Duque de Caxias.
O que está sendo inaugurado é simplesmente o maior gasoduto da América Latina, com um potencial de escoamento de 40 milhões de metros cúbicos/dia. Mas o discurso parecerá igual ao da abertura de uma creche para 12 crianças, na semana passada. A esta altura, já pegamos a fórmula: cada discurso de Dilma começa por um tatibitate sobre os benefícios da obra em si e logo se encaminha, aos trancos e barrancos, para o segmento “nosso Brasil é melhor do que o deles”, onde ela embaralha e magnifica os feitos do governo Lula e suas próprias promessas de continuidade. Aliás, no fim deste texto, você verá que, para Dilma, creche e gasoduto são a mesma coisa.
“No PAC, esse segmento do gasodutos ele é muito importante (..) permite que hoje, com a temperatura que nós temos aqui, está previsto que mais ou menos se atinja algo como 36, 37, 38 graus, isso implica consumo de ar-condicionado, implica também o fato de que nós sabemos que houve, porque o presidente diminuiu a isenção do IPI, uma compra, né, de eletrodomésticos, a chamada linha branca, né, geladeira e outros eletrodomésticos, permitindo então que as pessoas também tivessem um nível melhor”.
Talvez entorpecidas pelo calor de Duque de Caxias que fazia na Refinaria Duque de Caxias, algumas pessoas presentes ao evento entenderam, nessa fala da Dilma, que o presidente Lula aumentou o IPI dos eletrodomésticos, antes de inaugurar o gasoduto, porque está quente demais ─ mas que assim mesmo houve uma corrida à linha branca e que ninguém deve se preocupar com o calor, porque o Gasduc III também levará ar-condicionado para todos e, portanto, um nível melhor.
Eleita Dilma, teríamos na presidência o mais baixo padrão de oratória da história da República. Pior do que Costa e Silva e Dutra ─ este não apenas pelo discurso chocho e descolorido, como pela má “dicchão” e fragilidade intelectual, motivo de inúmeras piadas. Como sua apresentação ao presidente Truman, que o cumprimentou protocolarmente: ─ How do you do, Dutra.
E Dutra: ─ How tru you tru, Truman.
Com Dilma, não dá vontade nem de fazer piada ─ embora sua desarticulação seja sempre risível. Porque por trás de sua rara incapacidade de costurar uma frase sem graves problemas de concordância, redundância, repetição, concatenação e raciocínio, esconde-se a mais primária e nociva forma de populismo, que vê o Estado como o provedor impossível de todas as necessidades humanas, embaralhando metas e limites de todo e qualquer projeto. Para isso, contribui, no caso de Dilma, a linguagem tosca e geralmente ininteligível.
“No nosso país, é muito importante essa questão de oportunidade. E o PAC eu acho que ele trouxe um grande impulso, um impulso enorme no Brasil, que é o impulso de construir aquilo que estava faltando no Brasil”.
O discurso feito no Gasduc III foi, para variar, um conjunto pastoso de platitudes, ideias desconexas e clichês tão mal formulados que se tornam pastiche do clichê. Para isso, Dilma usa meia-dúzia de imagens e metáforas pífias que ela decorou ou colaram na agenda dela ─ como a do soluço, a do povo de quinta potência, a da creche como berço das oportunidades.
“Nós só seremos quinta potência (lá vem…) se o povo brasileiro for quinta potência nossa, a nossa quinta potência”.
“Dar um passo além no sentido de que todas as crianças do Brasil (lá vem…) tenham direito a creche (…) Porque todos os estudos mostram que a diferença, a diferença, o momento importantíssimo na vida de cada um de nós seres humanos se dá entre 0 e 3, 3 e 5 anos, que é quando a gente se forma. E quando uma pessoa, quando uma criancinha não tem na família o acesso a livros, o acesso a todas as questões culturais que uma criança de classe média tem, ela não tem a mesma oportunidade do que as outras (…) Vocês vejam que é possível perfeitamente ter uma visão ampla do país, unir gasoduto com creche pra criança”.
(Essa visão ampla, essa obsessão pela creche como oportunidade de vida, essa visão tão gasosa só Dilma tem. E onde estão essas crianças já formadas com 3 anos de idade ─ ou seria com 5? Em Harvard? Ou no MIT?)
A tempestade que castiga o neurônio solitário é coisa de assustar paulistano. É tanta trovoada que o Brasil, se não perdeu de vez o juízo, vai acordar bem antes de outubro. Fala mais, Dilma.
Zumbi tinha escravos. A origem da feijoada é européia. Santos Dumont não inventou o avião.
As três afirmações parecem provocação de argentino. São apenas verdades incômodas, por rasgarem fantasias enraizadas no imaginário nacional. E resumem exemplarmente o conteúdo do Guia politicamente incorreto da História do Brasil, do jornalista Leandro Narloch. Escrito com o objetivo principal de “irritar o maior número de pessoas”, o livro desmonta versões encampadas pela história oficial. Nesta entrevista dividida em três partes, Narloch, que se amparou em consultas a cerca de 120 livros e dissertações acadêmicas, revela outras histórias já programadas para o segundo volume do Guia.
Ancorado pelo mote de um novo "projeto nacional de desenvolvimento", o programa de governo do PT vai situar a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à esquerda da gestão Lula. Documento com as diretrizes que nortearão a plataforma política de Dilma, intitulado A grande transformação, prega maior presença do Estado na economia, com fortalecimento das empresas estatais e das políticas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal para o setor produtivo.
O texto a ser apresentado no 4º Congresso Nacional do PT, de 18 a 20 de fevereiro - quando Dilma será aclamada candidata ao Palácio do Planalto num megaencontro em Brasília - diz que a herança transmitida à "próxima presidente" será "bendita", após duas décadas de estagnação e avaliações "medíocres". Em 2003, quando assumiu o primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter recebido uma "herança maldita" do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Na tentativa de esvaziar o mote do pós-Lula entoado pelo PSDB, o documento obtido pelo Estado sustenta que só o herdeiro do espólio lulista pode oferecer as bases para a formulação de um "projeto nacional de desenvolvimento", que mescla incentivos ao investimento público e privado com distribuição de renda.
"O Brasil deixou de ser o eterno país do futuro. O futuro chegou. E o pós-Lula é Dilma", diz um trecho da versão preliminar da plataforma. No diagnóstico que antecede a apresentação dos eixos programáticos, o PT afirma que "o Brasil foi programado para ser um país pequeno, cujo crescimento não poderia nunca ultrapassar os 3%, e que teria de se conformar com a existência de 30 ou 40 milhões de homens e mulheres para os quais não haveria espaço".
Com estocadas nos tucanos, o texto deixa claro que o PT deseja uma campanha polarizada com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), potencial adversário de Dilma, embora o nome dele não seja citado. "Os preconceitos ideológicos hegemônicos nos anos 90 fizeram com que o Estado brasileiro passasse naquele período por um processo de desconstrução, que comprometeu sua eficácia", ataca o documento, numa referência ao governo Fernando Henrique. "Os mesmos que no passado foram responsáveis por esse desmantelamento são hoje os que denunciam a "gastança" e o inchaço da máquina pública."
As propostas apresentadas, no entanto, são enunciados genéricos, como "aumentar os recursos públicos" para ter um Sistema Único de Saúde (SUS) de qualidade, "expandir o orçamento da educação", "dar ênfase especial à construção de novas hidrelétricas" e "ampliar as funções do Ministério do Planejamento".
GRANDES CIDADES
De olho nos votos dos dois maiores colégios eleitorais do País (São Paulo e Minas), o programa tem um eixo chamado "Melhor condição de vida nas grandes cidades" e acaba tocando em temas que não dizem respeito ao governo federal, como ampliação das linhas de metrô, veículo leve sobre trilhos (VLT) e corredores de ônibus.
Não há metas de curto, médio ou longo prazo nas diretrizes da plataforma petista nem propostas para a política fiscal e monetária, embora coordenadores da campanha de Dilma assegurem que o PT não defenderá mudanças nessa seara, para não assustar o mercado financeiro.
Trata-se-se, na prática, de uma carta de intenções, coordenada pelo assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Os verbos mais conjugados no documento - que ainda receberá emendas, passará pelo crivo dos partidos aliados e só virará programa de governo a partir de junho - são "manter", "acelerar", "aprofundar" e "ampliar". Mesmo assim, a primeira versão contém pistas de como o PT enxerga um eventual governo Dilma.
"O programa é mais à esquerda do presidente Lula, mas não é mais esquerdista", argumenta o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). "Isso significa que poderemos cumprir agora os objetivos sociais mais ambiciosos, porque as grandes questões macroeconômicas, como a dívida interna, ou foram solucionadas ou estão equacionadas."
EIXOS
Treze eixos compõem a versão preliminar da plataforma de Dilma. O primeiro deles diz que "o crescimento acelerado e o combate às desigualdades sociais serão o eixo estruturante do desenvolvimento econômico". No fim de cada tópico há uma frase do tipo "a ação do governo Dilma privilegiará" e aí são expostas as intenções do partido, como "manutenção da política de valorização do salário mínimo".
JORNADA
Alvo de intensa polêmica, a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas - reivindicada pelas centrais sindicais - também é citada no primeiro esboço. Pode, no entanto, ser retirada, sob o argumento de que projetos de lei em tramitação no Congresso não devem constar do texto.
Carro-chefe da propaganda de Dilma, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é tratado como essencial para a estratégia de desenvolvimento do País, ao lado do PAC 2 - que será lançado em grande estilo em março, às vésperas de a ministra deixar o cargo -, embora sua vigência seja para o período 2011-2015. "A elevação das taxas de crescimento, que deverá marcar o governo Dilma, exigirá a conclusão das obras do PAC", reforça o documento. "O PAC 1 e o que estará previsto no PAC 2 darão competitividade à economia brasileira."
Diante do caos generalizado e descontrolado, e das pressões – até mesmo dentro do governo – vindas de todos os lados para que renuncie (ver “Venezuelanos clamam pela renúncia de Chávez”), Chávez cedeu mais uma vez às ordens vindas desde Havana, (segundo ele, “pedido” diretamente feito por Fidel Castro), e apresentou ontem ante as câmeras de televisão a Ramiro Valdés, com estas palavras: “Está conosco à frente dessa comissão um dos heróis da revolução cubana, o comandante Ramiro Valdés” que, segundo Chávez, veio para ajudar a resolver o problema elétrico na Venezuela.
Ora, mas “quem” é Ramiro Valdés e quais as suas funções em Cuba? Antes de falar no maldito personagem, lembro que em Cuba os problemas de água e energia são constantes e quase tão velhos quanto a revolução, então, com que autoridade ou competência um país manda um seu emissário para resolver problemas em outro, quando o dele próprio sofre de uma calamidade sem solução?
Bem, para começar, “Ramirito”, como é conhecido em Cuba, não entende NADA de energia; vejamos um pouco de sua Folha Corrida:
Militar e político, um dos participantes da revolução cubana, nasceu em Artemisa, cidade de Havana, em 28 de abril de 1932. Desde 1976 ostenta o grau de “militar honorífico” de Comandante da Revolução. Desde 1959 ocupou vários cargos de relevância especial na ditadura de Fidel Castro. Foi designado como chefe militar na região central e posteriormente segundo chefe da Fortaleza de La Cabaña, até a fundação dos órgãos da Segurança do Estado dos quais foi seu chefe.
Desde a criação do Ministério do Interior, em 1961, ocupou os seguintes cargos: 1961-1968, Ministro do Interior; 1968-1972, Vice-Ministro das Forças Armadas; 1972-1976, Vice-Primeiro Ministro para o setor da construção; 1976-1994, Vice-Presidente do Conselho de Ministros; 1976-1986, Vice-Presidente do Conselho de Estado; 1979-1985, novamente ministro do Interior.
A partir de 1985 sua responsabilidade política minguou, embora seguisse ocupando o cargo de Vice-Presidente até 1994. Em 1996, é designado presidente do grupo empresarial Copextel, encarregado do desenvolvimento de importações eletrônicas e informáticas e das Comunicações. Com a ascensão de Raúl Castro ao poder, foi novamente designado no ano de 2009, a Vice-Presidente do Conselho de Ministro e meses depois a Vice-Presidente do Conselho de Estado.
Como se pôde constatar, este criminoso nunca exerceu qualquer função relacionada com a energia mas sim à repressão, aos fuzilamentos em La Cabaña, e à subversão no hemisfério, onde, segundo meu amigo Pedro Corzo, “É importante destacar que o atual Vice-Presidente do Conselho de Ministros e Vice-Presidente do Conselho de Estado em Cuba, foi o braço executor da subversão castrista no hemisfério. As incursões dos sicários da revolução cubana na Venezuela, Bolívia, Colômbia e o resto dos países do continente contaram com a assessoria de Valdés”, e aqui eu complemento que o Brasil também deve ter recebido esta assessoria, daí porque NÃO ACREDITO que esta notícia seja divulgada pelos jornais brasileiros porque a PTPol, que é comandada por José Dirceu, JAMAIS deixará vazar informação de tal monta!
Em outro trecho, destaca Pedro: “Ramiro Valdés assumiu a direção do Departamento de Investigações do Exército Rebelde (DIER), uma força policial que se especializou em reprimir brutalmente as organizações clandestinas e guerrilheiras que confrontaram o novo regime, desde o próprio ano de 1959. O “Departamento”, como ficou conhecido, foi uma espécie de embrião do que seria o Departamento de Segurança do Estado, um organismo que levou à prisão mais de meio milhão de homens e mulheres, e executou cerca de seis mil pessoas. Com exceção de Valeriano Weyler, nenhum outro indivíduo na história de Cuba foi responsável direto por tantos atos de maldade e crimes como “Ramirito”.
Estas informações fazem parte do livro “Cuba: Perfiles Del Poder”, do meu querido amigo Pedro Corzo e que, ao que me consta, só eu tenho um exemplar no Brasil, apesar de que desde que foi lançado em 2008, com o qual fui presenteada, tendo traduzi-lo para divulgar no Brasil mas nenhuma editora até hoje se mostrou interessada porque senão, como ficariam as verbas publicitárias que recebem do governo se andassem na contra-mão da ideologia do Partido-Estado?
Neste livro Pedro apresenta o histórico dos cinco principais líderes da revolução que são, respectivamente, Fidel Castro Ruz, Raúl Castro Ruz, Ramiro Valdés Menéndez, Camilo Cienfuegos e Ernesto Guevara de la Serna. O capítulo dedicado a Valdés encontra-se entre as páginas 64 e 83, mas o site “Gentiuno” da Venezuela, publicou fragmentos desse livro sobre o nefasto personagem que pode ser lido aqui.
Está claro que o objetivo desta intromissão não é encontrar a solução para os problemas energéticos, pois como demonstrei na última edição, foi o desprezo absoluto pelo investimento em manutenção que deteriorou as tubulações geradoras de água e energia. Este repressor assassino de milhares de vidas inocentes foi enviado para orientar como reprimir com “mais eficiência” aqueles que se oponham à ditadura chavista, além de controlar com mão de ferro todos os meios de comunicação como, emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, sites de inernet, redes de relacionamento como Twitter, FaceBook além de, como já ocorre em Cuba, os correios eletrônicos.
Os cubanos exilados nos Estados Unidos desde ontem estão alertando os venezuelanos, de dentro e fora da Venezuela, para ficarem em estado de alerta máximo. As organizações de venezuelanos no exterior estão convocando para manifestações em frente às embaixadas e consulados latino-americanos nos Estados Unidos, com o objetivo de entregar um comunicado solicitando aos Governos da região que apliquem a Carta Interamericana Democrática da Venezuela. Entretanto, para minha vergonha mas nenhuma surpresa, os venezuelanos residentes em Miami realizaram um protesto em frente às sedes diplomáticas do Brasil e da Espanha, pela atitude submissa e cúmplice dos chanceleres desses países, em relação ao Governo venezuelano.
O site venezuelano “Analítica.com” escreveu a respeito desta indesejada “visita”: “Já não somos Venezuela, senão Cubazuela; já se sabe que quem controla a saúde, as Forças Armadas, os cartórios de registro (de identificação) e as notarias, são funcionários cubanos. E neste artigo, a jornalista Angelica Morabeals diz que a “assessoria” de Valdés vai custar à Venezuela US$ 2,4 blihões adicionais a Cuba. Ainda neste artigo ela afirma que o ministro da Energia, Alí Rodríguez Araque trabalhará “muito estreitamente com Valdés”. Ora, para quem não sabe, Araque foi treinado em guerrilha em Cuba e saiu de lá como “comandante”, do mesmo modo que o “Comandante Daniel”, aquele brasileiro-cubano que nós conhecemos bem, daí que dá para se ter uma idéia do que realmente este assassino foi fazer na Venezuela...
E para concluir a edição de hoje, apresento dois vídeos inéditos no Brasil: o primeiro mostrando como é a violência policial em Cuba, num programa apresentado pela jornalista cubana exilada em Miami, María Elvira, chamado “María Elvira Live”, com a participação do ex-oficial da contra-inteligência cubana, Delfin Fernández, “agente Oto”, e o ex-major da Inteligência cubana, Roberto Hernández Llano. E o outro vídeo mostra os estudantes venezuelanos lutando contra a ditadura do século XXI. Observem neste vídeo mais ampliada, a foto que postei na última edição mostrando o mais novo material de repressão dos policiais e que mais se assemelha a um instrumento de tortura medieval. Assistam e comparem os dois vídeos e observem que a forma de repressão de um país e outro já são quase idênticas.
Amigos, desde 2002 que eu alerto aqui neste blog para o perigo que corríamos com essas associações de Lula com Chávez e muita gente desdenhou de mim, além de me colarem rótulos estúpidos para que me preocupasse com os problemas do meu país. Pois bem, agora até os jornais falam do perigo chavista mas, como estamos perto do carnaval, é provável que pouca gente dê atenção a esses alertas que faço mas vou continuar fazendo até que me cortem a língua ou arranquem minhas mãos para que não possa digitar e denunciar tanto crime comunista entrando por nossa porta. Insisto para que prestem muita atenção nestas denúncias de hoje e que divulguem, porque os jornais NÃO vão falar disto e o chanceler Celso Amorim também já declarou que “não vai se imiscuir nos assuntos internos da Venezuela”, certamente porque deseja isto para o Brasil também. Fiquem com Deus e até a próxima!
Traduções e comentários: G. Salgueiro
Maria Elvira Live y la Violencia Policial en la Habana
Estudiantes venezolanos contra la Dictadura del siglo XXI
Karl Marx criou a 1ª Internacional, Friedrich Engels participou da fundação da 2ª, Lenin estabeleceu a 3ª, Leon Trotski fundou a 4ª e Hugo Chávez acaba de erguer o estandarte da 5ª. "Eu assumo a responsabilidade perante o mundo; penso que é tempo de reunir a 5ª Internacional e ouso fazer o chamado", declarou num discurso de cinco horas, na sessão inaugural do congresso extraordinário do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), sob aplausos de 772 delegados em camisetas vermelhas.
O congresso ocorreu em novembro. Depois, Chávez impôs o racionamento energético no país, desvalorizou a moeda e implantou um câmbio duplo, estatizou uma rede de supermercados, suspendeu emissoras de TV a cabo e desencadeou sangrenta repressão contra os protestos estudantis. A Internacional chavista nascerá numa conferência mundial em Caracas, em abril, e as eleições parlamentares venezuelanas estão marcadas para setembro. Mas o futuro do homem que pretende suceder a Marx, Lenin e Trotski será moldado por um evento totalmente estranho à sua influência: a eleição presidencial brasileira de outubro.
Chávez vive a sua terceira encarnação, que é também a última. O primeiro Chávez emergiu depois do golpe frustrado de 1992, nas roupagens do caudilho nacionalista e antiamericano hipnotizado pela imagem de um Simón Bolívar imaginário. Sob a influência do sociólogo argentino Norberto Ceresole, aquele chavismo original flertava com o antissemitismo e sonhava com a implantação de um Estado autoritário, de corte fascista, que reunificaria Venezuela, Colômbia e Equador numa Grã-Colômbia restaurada.
Um segundo Chávez delineou-se na primavera do primeiro mandato, em 1999, a partir da ruptura com Ceresole e da aproximação do caudilho com o alemão Heinz Dieterich, o professor de Sociologia no México que deixou a obscuridade ao formular o conceito do "socialismo do século 21". O chavismo reinventado adquiriu colorações esquerdistas, firmou uma aliança com Cuba e engajou-se no projeto de edificação de um capitalismo de Estado que figuraria como longa transição rumo a um socialismo não maculado pela herança soviética.
Brandindo um exemplar de O Estado e a Revolução, de Lenin, o Chávez do congresso extraordinário do PSUV anunciou sua conversão ao programa de destruição do "Estado burguês" e construção de um "Estado revolucionário". Este terceiro Chávez se insinuou em 2004, quando o caudilho conheceu o trotskista britânico Alan Woods, e se configurou plenamente no momento da derrota no referendo de dezembro de 2007, pouco depois da ruptura com Dieterich. O PSUV é fruto do chavismo de terceira água, assim como a proclamação da 5ª Internacional.
O termo palimpsesto origina-se das palavras gregas palin (de novo) e psao (raspar ou borrar). Palimpsesto é o manuscrito reescrito várias vezes, pela superposição de camadas sucessivas de texto, no qual as camadas antigas não desaparecem por completo e mantêm relações complexas com a escritura mais recente. Para horror do sofisticado Woods, o chavismo é uma doutrina de palimpsesto que mescla de maneiras bizarras a Pátria Grande bolivariana, a aliança estratégica com o Irã, os impulsos bárbaros do caudilhismo e o difícil aprendizado da linguagem do marxismo. O texto mais novo, contudo, tem precedência sobre os antigos e indica o rumo da "revolução bolivariana". Chávez reage à crise provocada por seu próprio regime apertando os parafusos da ditadura e lançando-se desenfreadamente às expropriações.
O chavismo é um regime revolucionário, não um governo populista tradicional nem um mero fenômeno caudilhesco. O PSUV tem, no papel, 7 milhões de filiados, dos quais 2,5 milhões se apresentaram para eleger os delegados ao congresso extraordinário. O declínio de Chávez, agravado pela crise econômica em curso, sustenta a profecia de sua derrota eleitoral em setembro, mas regimes revolucionários não são apeados do poder pelo voto. "Não admitirei que minha liderança seja contestada, porque eu sou o povo, caramba!", rugiu semanas atrás o caudilho de Caracas. Esse homem não permitirá que o povo o desminta nas urnas. O ocaso inexorável do chavismo será amargo, dramático, talvez cruento. Mas sua duração dependerá, essencialmente, do sentido da política externa do novo governo brasileiro.
Várias vezes o Brasil estendeu uma rede sob Chávez. Lula e Celso Amorim protegeram o venezuelano na hora do fechamento da RCTV, no referendo constitucional frustrado, na crise dos reféns colombianos, na polêmica sobre as bases americanas e na aventura fracassada do retorno de Zelaya a Honduras. Em nome dos interesses do chavismo, o presidente brasileiro desperdiçou a oferta de cooperação estratégica com Barack Obama.
No ciclo de estabilização da "revolução bolivariana", o Brasil isolou regionalmente a oposição venezuelana, ajudando a consolidar o regime de Chávez. Agora, iniciou-se o ciclo de desmontagem das bases políticas e sociais do chavismo. No novo cenário, o Brasil tornou-se imprescindível: só a potência sul-americana possui os meios e a influência para carregar por mais alguns quilômetros o esquife do iracundo caudilho.
A maioria governista no Senado aprovou o ingresso da Venezuela no Mercosul, sob o cínico argumento de que a democracia no país vizinho ficará mais preservada pela virtual supressão da cláusula democrática do Mercosul. Na OEA, a diplomacia brasileira manobra para evitar uma nítida condenação da ofensiva chavista contra os estudantes e a liberdade de imprensa. Em Caracas, uma missão técnica enviada pelo governo brasileiro articula um plano de resgate do sistema elétrico venezuelano em colapso. A declaração de apoio de Chávez à reeleição de Lula foi recebida com desprezo pelos chavistas revolucionários. Hoje, até Woods deve estar rezando em segredo pelo triunfo de Dilma Rousseff
BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) desmantelou nesta quinta-feira, 4, uma suposta tentativa de suborno envolvendo uma das testemunhas de Durval Barbosa, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal que deflagrou um escândalo de arrecadação e distribuição de propinas que teria como principal beneficiário o governador José Roberto Arruda (sem partido). O caso ficou conhecido como mensalão do DEM.
De acordo com a PF, um homem foi preso em flagrante num restaurante da capital federal enquanto entregava R$ 200 mil ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra. Em depoimento ao Ministério Público, Barbosa afirma ter entregue a Sombra cópias dos vídeos que deram embasamento à denúncia do mensalão.
O preso, identificado como Antonio Bento da Silva, seria um funcionário do governo do DF. Daí a conclusão da PF, de que ele tinha por objetivo incentivar Sombra a dar declarações favoráveis ao governador Arruda. Silva e Sombra prestaram depoimento à PF na tarde desta quinta.
Durval Barbosa era o responsável pela distribuição das propinas para secretários e parlamentares da base aliada de Arruda. Considerado arquivo vivo, ele aderiu a um acordo de delação premiada com o Ministério Público e está agora sob proteção especial da PF. O ex-secretário possui uma coleção com cerca de 30 vídeos com políticos e empresários distribuindo e recebendo dinheiro.
Para o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, os 30% da ministra Dilma Rousseff registrados na recente pesquisa Sensus/CNT, esgotam o poder de transferência de votos do Presidente Lula para sua candidata.
Montenegro tem repetido a platéias de políticos de Brasília, como um mantra, que o PT não vence a eleição presidencial.
Depois do PMDB, ele voltou à carga em um encontro com o DEM, ontem, sustentando que o eleitor sabe que Dilma é o PT no poder mais quatro anos, só que dessa vez, sem Lula.
“Não é a mesma coisa e faz toda a diferença”, explica. Pelo seu raciocínio, o PT deixou o governo no mensalão e Lula deixou o PT antes disso. Esse quadro ficará claro quando Dilma trocar o governo pela campanha.
Ele minimiza a vantagem de Dilma no Nordeste, que representa 28% do eleitorado nacional: a vitória do PT lá não será de 100%, ao contrário, passa apertada, e não compensará a derrota no resto do País, diz convicto.
Ele também afirma que Dilma começará a perder a corrida na medida em que a campanha chegar à fase dos palanques, programas gratuitos e debates.
Seus ouvintes acham cedo para tantas certezas, mas ficam impressionados com a decisão de Montenegro em expô-las. Afinal, para um dirigente do mais tradicional instituto de pesquisas soa, no mínimo, temerário.
Sou médico especialista em Ortopedia & Traumatologia e experiência em Medicina da Família e da Comunidade. Tenho 13 anos de experiência em trabalho com o SUS, nas mais diversas formas.
A internet, que antes era meio de lazer e informação, tranformou-se em um ato de cidadania.
E que o "mal original" seja extirpado da América!
Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente, quando vê um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele se vira para o chinês e pergunta: - Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz? E o chinês responde: - Sim, quando o seu vier cheirar as flores!!!
"RESPEITAR AS OPÇÕES DO OUTRO, EM QUALQUER ASPÉCTO, É UMA DAS MAIORES VIRTUDES QUE UM SER HUMANO PODE TER. AS PESSOAS SÃO DIFERENTES, AGEM DIFERENTE E PENSAM DIFERENTE. NUNCA JULGUE. APENAS COMPREENDA!!"