segunda-feira, 6 de abril de 2009

Catástrofe: Terremoto na Itália



"Todas as pessoas que puderam deixar a cidade já foram embora, estão em hotéis em cidades vizinhas, a 150 quilômetros daqui, foram para casas de parentes ou estão reunidos nos centros de emergência. L'Aquila virou uma cidade fantasma." A descrição é de Franco Marchetti, italiano que trabalha no setor de importação em São Paulo e voltou à cidade de sua família para comemorar a Páscoa. Por telefone, Marchetti contou ao UOL Notícias como está a cidade de L'Aquila depois do terremoto de 6,3 graus na escala Richter que atingiu a região na madrugada de hoje. "Estava na cama, dormindo, quando ouvi o barulho. Toda a casa tremia", descreve Marchetti, acrescentando que seu prédio em particular não sofreu muitos danos. No entanto essa não foi a situação geral. "Fui andar pela cidade com o meu filho e encontramos muitos escombros. Existem ainda pessoas sob os prédios destruídos, ninguém sabe quantas, podem ser 5, 10, 15... Acredito que o número de mortes ainda deve subir muito."

"Existem prédios na região que foram construídos no século 15, no século 16, no século 17, igrejas muito antigas. Eles não estão preparados para esse tipo de acidente. Mesmo alguns prédios da década de 50 foram totalmente destruídos", explica. "Esses danos são incalculáveis." Marchetti descreve que as únicas pessoas que ainda estão nas ruas são bombeiros, trabalhadores da Defesa Civil e voluntários que continuam escavando. Além disso, a situação de "caos" na cidade faz com que algumas famílias não tenham notícias de todos os seus integrantes. "As pessoas que não deixaram a cidade foram levadas para centros de emergências lotados. Como se pode encontrar alguém nessa situação?", acrescenta.


As milhares de pessoas que ficaram desabrigadas após o terremoto que atingiu a região central da Itália nesta segunda-feira se preparam para a primeira noite longe de casa - sob chuva fina e uma temperatura que não deverá ultrapassar os 6ºC, o que dificulta ainda mais o trabalho das equipes de emergência.

Em uma entrevista à televisão local, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, confirmou que pelo menos 150 pessoas morreram e mais de 1.500 ficaram feridas no terremoto de 6,3 graus na escala Richter que atingiu a região de Abruzzo. Massimo Cialente, prefeito da cidade de L'Aquila, uma das mais próximas do epicentro do tremor, informou que cerca de 100 mil pessoas estão desabrigadas.


Segundo
relatos de italianos que estão no local, parte da população deixou a cidade durante o dia, em busca de hotéis e casas de parentes. As pessoas que ficaram deverão passar a noite em abrigos improvisados pela Defesa Civil, como estádios esportivos e campos de futebol, ou mesmo dentro seus carros, em estacionamentos coletivos. O objetivo em todos os casos é se manter longe de construções que ainda corram risco de desabar. Os desabrigadas não têm permissão para retornar às suas casas, nem para recolher pertences nas próximas 48 horas. O epicentro do tremor, que ocorreu às 3h32 desta segunda (horário local), 22h32 de domingo (horário de Brasília), foi localizado a 10 quilômetro de L'Aquila, 68 quilômetros a oeste da cidade de Pescara e 95 km ao nordeste de Roma. O Instituto de Geofísica dos EUA afirma que a magnitude do tremor foi de 6,3 graus, no entanto, o Instituto Nacional de Geofísica da Itália diz que foi de 5,8 graus.

Segundo o Consulado do Brasil em Roma, ainda não há informações sobre brasileiros feridos. Nenhum brasileiro entrou em contato com o serviço consular para alegar problemas causado pelo terremoto. O Consulado não soube precisar o número de brasileiros que vive na região de Abruzzo.


Mau tempo


Apesar do mau tempo, os serviços de emergência prosseguem com seus trabalhos. Segundo afirmou à Agência Efe um dos funcionários da Defesa Civil na região, Arturo Vernillo, quanto mais tempo passar, mais difícil será encontrar desaparecidos com vida.
Um dos prédios onde há trabalho de resgate é a Casa do Estudante, onde o desabamento de uma das fachadas laterais deixou várias pessoas presas. Pela manhã, foram retirados um estudante morto e outro vivo e, segundo policiais, ainda restam outros cinco jovens sob os escombros.

Parentes e amigos se aglomeram em frente à residência estudantil para acompanhar os trabalhos de resgate e receber notícias em primeira mão. Muitos estão de pijama e pendurados nos telefones celulares para repassar informações a outros familiares.
Em outro edifício do centro, há pelo menos oito pessoas presas e, nesta manhã, foram encontradas duas mulheres de 21 e 29 anos, a última delas morta. A imprensa também informa o encontro do corpo de uma mulher em sua cama abraçada a seus dois filhos. Os três aparentemente morreram esmagados em sua casa, na rua Campo di Fossa.

Os moradores de L'Aquila contam que os tremores começaram por volta das 22h30 locais de ontem (17h30 pelo horário de Brasília), embora a maioria tenha permanecido em suas casas até o abalo mais forte, registrado em torno das 3h30 de hoje (22h30 de ontem de Brasília).
Simone De Meo, um dos desabrigados, contou à Efe que acordou às pressas o irmão, que estava dormindo, mandando que pusesse os sapatos e saísse para rua. "Nesse momento, senti muito pânico", afirmou. Outro desabrigado, Giuseppe Cesarano, lembrou que sentiu o tremor mais forte com pedaços das paredes de seu quarto, que se soltaram, e com o corte da corrente elétrica. "Acordei e desci correndo para o jardim de casa". Sua amiga Daniela Petito afirmou que nada dava a entender que o tremor da madrugada aumentaria até ficar tão forte, porque os dois anteriores haviam sido "bem suaves". O terremoto desta madrugada foi percebido em grande parte do centro e do sul da Itália, da região de Emilia-Romagna e até Nápoles.

A imprensa estima entre 10 mil e 15 mil o número de edifícios atingidos pelo terremoto, entre eles prédios novos e contruções do século 15.
Reconstrução O premiê italiano, Silvio Berlusconi, declarou que "a situação organizativa é satisfatória" e que as autoridades estão "fazendo todo o possível para resgatar as pessoas sob os escombros". "Tudo o que se pode fazer humanamente está sendo feito", acrescentou. Além disso, o primeiro-ministro assegurou que 30 milhões de euros serão destinados de forma imediata aos desabrigados e que, por enquanto, não se faz necessária a ajuda de pessoal qualificado do exterior, lembrando que 35 países ofereceram "solidariedade e apoio" à Itália. Berlusconi afirmou que posteriormente será feito um pedido aos fundos europeus que pode chegar a algumas centenas de milhões de euros. O primeiro-ministro italiano disse que voltará amanhã à cidade de L'Aquila, capital da região de Abruzzo, e estimou que a cidade será reconstruída em 28 meses. Entre as medidas tomadas na reunião extraordinária de hoje do Conselho de Ministros italiano está a declaração de um dia de luto oficial quando forem realizados os funerais oficiais das vítimas. *Com informações das agências EFE e ANSA
UOL
Técnico que previu terremoto foi denunciado por causar pânico

Um especialista em física que mora em Áquila, na Itália, revelou nesta segunda-feira que havia alertado as autoridades locais, há algumas semanas, sobre a possibilidade de um terremoto "desastroso" em Abruzzo, região que sofreu um forte abalo nesta madrugada. "Há três dias estávamos vendo sinais fortes de terremoto", disse a jornais italianos Giampaolo Giuliani, técnico do Laboratório Nacional de Física e Astrofísica Gran Sasso, também em Abruzzo. Segundo ele, o Instituto Italiano de Geofísica registrou cerca de 200 abalos sísmicos em Áquila, cidade no epicentro do terremoto, nos últimos dois meses. No final de março, Giuliani disse às autoridades que a série de tremores registrados poderia ser o anúncio de um evento mais forte. Mas o técnico conta que foi acusado de "brincar com assuntos sérios" e que foi denunciado à polícia pela Prefeitura de Áquila por alarmar a população. Polêmica Entretanto, o diretor do Departamento de Proteção Civil do governo italiano, Guido Bertolaso, declarou que embora a região seja sujeita a abalos sísmicos, não era possível prever o grave terremoto desta madrugada. Segundo Bertolaso, na semana passada, os principais especialistas em terremotos da Itália haviam se reunido em Áquila por causa dos contínuos tremores, mas concluíram que não era possível prever o ocorrido nesta segunda-feira. Giampaolo Giuliano não concorda com esta avaliação. "Esta noite meu sismógrafo indicava um forte terremoto. Esta informação estava online. Todos podiam observar o sismógrafo e muitas pessoas o fizeram. Vivemos a noite mais terrível de nossa vida", comentou o técnico, que disse estar desabrigado. O Laboratório Nacional usa um sistema de análise chamado "Revelador Gama". O método se baseia na observação da emissão de gás radônio do terreno. Segundo Giuliano, há dez anos, o instituto consegue prever eventos como o que atingiu a região do Abruzzo através deste tipo de estudo. "Há três dias, estávamos vendo um forte aumento do radon, o que indica fortes terremotos", explicou o técnico ao jornal Corriere della Sera. Por causa da série de tremores registrados nas últimas semanas, algumas escolas de Áquila chegaram a permanecer fechadas por precaução. O terremoto desta segunda-feira deixou dezenas de mortos e desabrigados.

UOL


Resumo: Ao menos 150 pessoas morreram e outras 1.500 ficaram feridas em decorrência do terremoto de 6,3 graus na escala Richter que atingiu a região de Abruzzo, no centro da Itália, na madrugada desta segunda-feira, segundo confirmou o premiê italiano, Silvio Berlusconi. Segundo Massimo Cialente, prefeito de L'Aquila, cerca de 100 mil pessoas estão desabrigadas. O epicentro do tremor, que ocorreu às 3h32 desta segunda (horário local), 22h32 de domingo (horário de Brasília), foi localizado a 10 quilômetro de L'Aquila, 68 quilômetros a oeste da cidade de Pescara e 95 km ao nordeste de Roma. O Instituto de Geofísica dos EUA afirma que a magnitude do tremor foi de 6,3 graus, no entanto, o Instituto Nacional de Geofísica da Itália diz que foi de 5,8 graus.

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