quarta-feira, 22 de abril de 2009

Governo dos EUA defende ajuda a bancos em meio a suspeita de desvios


O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, defendeu ontem o resgate do setor bancário do país, em meio a advertências sobre um possível desvio de fundos do plano de ajuda e previsões de perdas multimilionárias das instituições financeiras.

Ele tranquilizou o mercado financeiro ao garantir que a "vasta maioria" dos bancos está bem capitalizada e com reservas suficientes para superar possíveis perdas. A declaração estimulou a recuperação das ações do setor bancário e reverteu o movimento de queda nas bolsas mundiais. Nos EUA, o índice Dow Jones fechou em alta de 1,63% e o Nasdaq, de 2,22%.

Geithner, que testemunhou ontem no Congresso americano, respondeu a uma bateria de perguntas sobre o programa público-privado da Casa Branca para sanear os balanços bancários de ativos tóxicos. O programa usa fundos do plano de resgate de US$ 700 bilhões conhecido como Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês), aprovado no fim do ano passado pelo governo Bush.

O Tarp foi criado pelo Congresso dentro do Ato Emergencial de Estabilização Econômica para salvar Wall Street da crise. Uma parte do Tarp é um programa de compra de garantias e ações preferenciais conhecido como Programa de Compra de Capital (CPP).

Geithner disse que o programa tem um "equilíbrio desejado" ao permitir que contribuintes compartilhem o risco com o setor privado. Ele reconheceu que é difícil fixar preço para os ativos, o que torna mais complicado para os bancos pegar dinheiro emprestado.

Geithner disse crer que a presença do setor privado produz a concorrência necessária para fixar preços de mercado aos ativos. "Se fosse só o governo, ele assumiria o total das perdas e se arriscaria a pagar demais", afirmou. "Se esperássemos que os bancos se livrassem desses ativos, prolongaríamos a crise, o que se tornaria mais custoso para os contribuintes."

Em carta de 20 de abril para Elizabeth Warren, professora da Universidade Harvard, que comanda o painel que supervisiona os esforços do governo para estabilizar os mercados, Geithner detalhou os recursos do Tarp: "Hoje, o Tesouro estima haver pelo menos US$ 109,6 bilhões em recursos disponíveis, mas antecipamos que US$ 25 bilhões serão reembolsados por meio do CPP ao longo do próximo ano - para um total de US$ 134,6 bilhões."

Ou seja, o governo ainda tem US$ 134,6 bilhões para resgatar os bancos. O Tesouro projeta que os programas do governo anterior usaram US$ 355 bilhões, enquanto que os de Obama usaram US$ 235 bilhões.

FRAUDES

O plano do Tesouro para retirar os ativos tóxicos dos balanços dos bancos é vulnerável a fraudes e abusos e precisa de regras duras contra o conflito de interesse, disse ontem o inspetor do pacote de socorro financeiro do governo, Neil Barofsky. Em relatório, ele explicou que os subsídios às parcerias público-privadas (PPP) para a compra de ativos poderiam expor os contribuintes a perdas maiores sem aumento correspondente no lucro potencial.

"Aspectos da PPP a tornam inerentemente vulnerável a fraudes, desperdício e abuso, e incluem questões significativas relacionadas a conflitos de interesse enfrentados por gerentes de fundo, conluio entre participantes e vulnerabilidades à lavagem de dinheiro", disse Barofsky. Ele pediu que o Tesouro imponha regras severas para analisar investidores dos fundos e para a divulgação da participação acionária e de todas as transações feitas.

Segundo ele, os contribuintes poderiam sofrer perdas maiores se os fundos de investimento público-privados tivessem autorização para financiar compras de papéis com empréstimos do Programa a Termo de Empréstimos Respaldado por Ativos do Fed. Os subsídios dos contribuintes poderiam diluir as obrigações financeiras dos investidores privados.

O relatório destacou ainda que foram abertos quase 20 inquéritos criminais associados ao programa de resgate de US$ 700 bilhões, incluindo desde questões relativas a fraude de títulos afetando investimentos do Tarp até corrupção pública e fraude em hipotecas.

Além disso, Barofsky conduz seis auditorias, incluindo uma que questiona se os recentes pagamentos de bônus a funcionários da AIG estavam de acordo com as condições de ajuda do governo.

Estadão

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