segunda-feira, 20 de abril de 2009

A ONU e o IRÃ!


Discurso de Ahmadinejad esvazia encontro da ONU

Presidente iraniano acusou Israel de ser 'regime cruel e racista' em Genebra; delegados ocidentais se retiraram

Agência Estado e Associated Press

GENEBRA - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, acusou Israel nesta segunda-feira, 20, de ser "o regime mais cruel e racista". A declaração gerou uma debandada de diplomatas ocidentais, durante uma conferência das Nações Unidas sobre racismo, em Genebra. Outros diplomatas protestaram contra a fala do líder iraniano. Em um discurso abrangente, Ahmadinejad atacou os Estados Unidos, a Europa e Israel, dizendo que eles desestabilizam todo o mundo.

Alguns diplomatas europeus imediatamente deixaram o local, quando Ahmadinejad disse que Israel foi criada sob o "pretexto do sofrimento judaico" durante a Segunda Guerra. Um manifestante, gritando "Racista!, racista!", jogou um objeto vermelho em Ahmadinejad, atingindo o pódio e interrompendo seu discurso.

Os Estados Unidos e outros oito países ocidentais boicotam o evento desta semana. Um dos temores levantados por essas nações era de que o encontro se tornasse uma tribuna para ataques a Israel. Em entrevista coletiva, o presidente iraniano disse que os países que não participam do evento são "egoístas e arrogantes", segundo a agência France Presse.


Estadão


Líder iraniano, que também atacou EUA, foi interrompido por gritos de 'assassino'; delegados da UE se retiraram

GENEBRA - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, denunciou nesta segunda-feira, 20, o "racismo" de Israel e a cumplicidade dos Estados Unidos e de alguns governos ocidentais na política israelense contra os palestinos, em discurso na conferência da ONU sobre racismo, no qual foi vaiado por alguns presentes. Ahmadinejad, que é o único chefe de Estado que assiste a esta conferência marcada desde antes de seu início, devido à polêmica e o boicote dos EUA, Israel e outros sete países, usou grande parte de seu discurso para condenar a "política repressiva" e a "brutalidade" de Israel contra os palestinos.

Pouco após começar suas críticas, os representantes da União Europeia (UE) saíram da sala em protesto contra as palavras de Ahmadinejad, que também denunciou as intervenções militares no Iraque e no Afeganistão, e se perguntou se trouxeram a paz ou a prosperidade a seus povos. O líder iraniano criticou a ordem política mundial, ao afirmar que o Conselho de Segurança da ONU sempre "recebeu com o silêncio os crimes desse regime (israelense), como os recentes bombardeios contra civis em Gaza."

Ele também disse que a intervenção internacional no Afeganistão não trouxe a paz nem a prosperidade a esse país, e que a invasão americana do Iraque deixou "1 milhão de mortos e feridos" e perdas milionárias para a economia desse país. O presidente iraniano continuou as constantes referências ao "sionismo mundial, que personifica o racismo", disse, e chamadas para uma reforma da ordem política internacional.

As vaias de alguns grupos a Ahmadinejad começaram no momento em que ele subiu à tribuna, quando foi interrompido com gritos de "assassino" por dissidentes iranianos que foram a Genebra. Ahmadinejad continuou dizendo que "perdoava" os que lhe tinham insultado, aos quais qualificou de "ignorantes". Membros de grupos judeus e ONGs favoráveis a Israel também protestavam na entrada da sala do Palácio das Nações, onde acontece a conferência.

A presença de Ahmadinejad em Genebra causou indignação de Israel, que nesta segunda chamou a consultas seu embaixador em Berna, em protesto contra o encontro que o presidente suíço, Hans-Rudolf Merz, manteve no dmingo à noite com o presidente iraniano. Os nove países que boicotam a conferência são Israel, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Itália, Holanda, Polônia, Nova Zelândia, e Alemanha.

REAÇÃO

"Nós, como os outros embaixadores, seguimos o conselho da presidência (checa) da União (Europeia), que dizia que quando escutássemos comentários não aceitáveis para a Europa, abandonássemos a sala. O presidente (Ahmadinejad) falou de um Estado racista, e por isso fomos embora", disse o embaixador espanhol na ONU, Javier Garrigues, segundo o jornal El País.

O diplomata esclareceu, porém, que o gesto não quer dizer que a UE irá abandonar a conferência, "a menos que se produza um feito realmente grave". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também criticou o discurso de Ahmadinejad. Ban disse que o presidente iraniano usou o pronunciamento para "acusar, dividir e até incitar", opondo-se diretamente ao objetivo do encontro. O Brasil participa da reunião, que terminará na quinta-feira.


Estadão

Um comentário:

Stenio Guilherme Vernasque da Silva disse...

PLUS:
NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O discurso do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, na conferência sobre racismo das Nações Unidas em Genebra, no qual ele chamou Israel de Estado racista, foi "vil e odioso", disse o enviado adjunto de Washington à ONU na segunda-feira.

Ahmadnejad provocou uma debandada em protesto de vários delegados durante sua fala, quando acusou Israel de estabelecer um "regime cruel e racista" contra os palestinos.

"Eu não posso pensar em nenhuma palavra a não ser vergonhoso", disse o embaixador adjunto Alejandro Wolff, acrescentando que foi um discurso "vil e odioso".

"Isso provoca uma séria injustiça contra a nação iraniana e o povo iraniano, e nós conclamamos a liderança iraniana a mostrar uma retórica muito mais equilibrada, moderada, honesta e construtiva quando lidar com as questões da região", afirmou.

A cúpula em Genebra já havia sido duramente atingida pelo boicote promovido pelos Estados Unidos e alguns de seus maiores aliados por causa de preocupações de que o evento seria usado como plataforma para ataques contra Israel.

(Reportagem de Louis Charbonneau)