quarta-feira, 8 de abril de 2009

Operação Satiagraha 1 - Entenda


Quem é o delegado Protógenes Queiroz


SÃO PAULO - O delegado Protógenes Queiroz comandou a Operação Satiagraha, que prendeu em julho o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity; o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta; e o megainvestidor Naji Nahas. Por suspeitas de irregularidades no comando da operação, Protógenes virou alvo de uma sindicância administrativa e uma representação na corregedoria.

Pressionado, deixou o comando do caso logo após a operação ter sido deflagrada. Oficialmente, a PF divulga que o delegado pediu para fazer um curso. O delegado Ricardo Saadi assume o caso. Em novembro, a PF afasta o delegado da diretoria de Inteligência do órgão, após o fim do curso que durou quatro meses.

Em março, Protógenes é indiciado criminalmente pela PF em dois crimes: quebra de sigilo funcional e violação da Lei de Interceptações. Ele teria sido responsável pelo vazamento de dados secretos da Satiagraha e, tal conduta, na avaliação da PF, caracteriza quebra do sigilo funcional.


A violação à Lei do Grampo teria ocorrido quando mobilizou 84 arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para a Satiagraha e lhes deu acesso irrestrito ao conteúdo de escutas e documentos contábeis. Protógenes também teria confiado ao pelotão da Abin senhas secretas de uso exclusivo de agentes da PF para acesso ao Guardião, a máquina de grampos da polícia.

O indiciamento é o passo mais importante do inquérito porque representa a convicção da autoridade que o preside. Mas não significa que Protógenes será processado judicialmente. Cabe ao Ministério Público Federal, titular da ação penal, oferecer ou não denúncia contra o delegado.

Desde que foi afastado da Satiagraha, Protógenes tem utilizado palestras e congressos para os quais é convidado como palanque para se defender das acusações de desvios de conduta durante a Operação Satiagraha. E se aproximou bastante do PSOL. Chegou a participar da campanha da deputada Luciana Genro para a Prefeitura de Porto Alegre (RS), mas nega quaisquer pretensões políticas.


Nova denúncia da revista Veja complica o delegado. A reportagem reforça a suspeita de que Protógenes usou métodos ilegais para investigar autoridades influentes e até pessoas do círculo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Satiagraha. A lista de investigados pelo delegado incluiria a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o filho do presidente, Fábio Luiz da Silva, o Lulinha. Ele negou as acusações.


Após nova suspeita, a CPI dos Grampos prorroga os trabalhos por mais 60 dias e convoca Protógenes para depor. O delegado prometeu dar "nome aos bois". No entanto, recorreu ao Supremo Tribunal Federal na véspera do depoimento, marcado para dia 1º, para poder ficar calado e não correr o risco de ser preso na comissão.

ESPECIAL:

1- Cronologia da Operações


2- Advogado vê caça "sem limites" pela cabeça de Daniel Dantas



Estadão online

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