quinta-feira, 16 de abril de 2009

Operação à vista para encurralar oposição.


O governo federal arquiteta uma operação política contra as oposições sem precedentes na história republicana, pelo vulto do projeto. Devido aos instrumentos de ação a serem envolvidos nessa mega-ofensiva, poderíamos classificá-la de arrasa-oposição. Na verdade é muito maior. Pretende criar novas referências (nomes, partidos, alianças) para a política brasileira pelo menos para os próximos 16 anos (igual a dois mandatos presidenciais com reeleição).

O governista que nos passou essa informação não é idealista, nem ilusionista. Longe disso. Ele está mais para ex-pessedista. Portanto, de suas palavras nada se depreende que Lula e os seus prosélitos estejam preparando uma nobre reforma política. Isto seria coisa de estadista. O que se quer agora é ganhar a eleição, coisa que está distante do perímetro dos estadistas. Reforma política também soa a Congresso, e o Congresso será um dos principais alvos dessa ofensiva.

Para começar, tece argumentos de que “o governo vai para cima das oposições”. Mostra, ao contrário, a precaução dos inocentes, metralhados pelo fogo impiedoso dos virgílios, jereissatis, agripinos, sergiosguerras, heráclitos. É muito nome grego e romano para o gosto popular do governo.

Nesse sentimento de autodefesa, os arquitetos da operação – que ainda não tem prazo para medrar – falam em juntar forças descomunais para uma “blitzkrieg” sobre os redutos das oposições, seus patrocinadores financeiros e de seus incentivadores na mídia. O jogo será ao mesmo tempo de pressão, intimidação e ranger de dentes. Para isso, seriam mobilizados os petistas históricos – a militância, que anda meio escanteada – os movimentos sociais, a Policia Federal, a Receita Federal, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e até o Judiciário (observe-se como Lula está exibindo seu melhor sorriso para Gilmar Mendes). Fariam parte dessa estratégia a localização de Gilberto Carvalho na presidência nacional do PT.

Não estaria distanciada dessa articulação a mudança da presidência do Banco do Brasil, um instrumento vital para uma operação de guerra. Nem a Petrobras, que, aliás, há muito já caiu nessa malha com seus royalties e refinarias virtuais.

O plano é eleger o sucessor. Seja Dilma – ela é pré-candidata, mas não ainda uma idéia fixa – ou outro. Ou o mesmo.

BNDES escapa do cerco

Só existe um motivo para explicar porque o BNDES tem estado fora da zona de cerco de influência política. É porque a ministra Dilma Roussef comprou as ações do economista Luciano Coutinho. Se ela ganhar a eleição, eis aí uma boa dica para a equipe de Dilma: o ministro da Fazenda já tem seu perfil desenhado, pois ela não anda simpática a Guido Mantega e cultiva horror a Henrique Meirelles.

Diálogo franco e aberto.

Apesar de toda a movimentação da Policia Federal para aprofundar a investigação sobre a Camargo Corrêa, as grandes empreiteiras não interromperam o diálogo com o Palácio do Planalto. Aliás, com a Casa Civil. Muito ao contrário. A Andrade Gutierrez achou muito bom tudo o que aconteceu.

Remover os entulhos.

Cada vez que dá entrevista, o ministro Tarso Genro causa arrepios à cúpula do governo. É que joga sobre os ombros dessa cúpula a necessidade de restaurar o tecido danificado pelas declarações do ministro da Justiça. Sua entrevista do último fim de semana (ao Terra Magazine) em que analisa a candidatura Dilma (com ressalvas) e a sua própria para governador do Rio Grande do Sul (sem ressalvas) foi considerada desastrada. Na base do “se o PT e as demais forças da nossa aliança quiserem, o meu nome está à disposição”, ele teve um desempenho para lá de Yeda Crusius. O que para ele é um elogio.

Patrus, estepe do poste.

Para quem é candidato à estepe, o ministro Patrus Ananias anda muito caladinho. Lula enxerga nele todas as qualidades de um político bom de urna. Só não tem a abertura com que Dima Rousseff trafega no gabinete presidencial. Na primeira linha acima, Patrus é visto como candidato a estepe. Estepe do poste.

A pegadinha

16h46 de ontem e o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) cometeu a pegadinha da tarde ao exigir a presença de um líder da bancada governista para defender na Ordem do Dia da Casa a medida provisória do governo. Não havia líder algum. O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) tentou justificar a ausência informando que os lideres estavam numa audiência pública.

Caminho das pedras

Já que os caminhos oficiais estão emperrados pela burocracia, os repórteres dos principais jornais estão buscando informações sobre escândalos no Congresso com funcionários ressentidos e outros demitidos recentemente. Câmara e Senado estão parecendo uma cidadela soviética nos tempos stalinistas: todo mundo entrega todo mundo, há sempre um dedo acusador para apontar um colega que possui privilégios, que tenha cargo especial e não aparece. O Correio Braziliense parece ter descoberto esse caminho das pedras, e têm cavucado os ressentimentos escondidos para flagrar funcionários fantasmas e exageros com o uso de verbas públicas.

Frase do ano.

Pelo menos um auxiliar de Lula observou que ele proferiu recentemente uma frase que consistiu em um desabafo bem assestado diante de uma situação determinada em que era destinatário de intensa pressão.

- “Vocês querem que eu saia daqui algemado?”.

E deu na seqüência um murro na mesa.

Frase do dia

“A operação foi, sim, missão presidencial”,

(Do delegado Protógenes Queiroz, ao Jornal do Brasil, segundo o Blog do Noblat).

Última da manhã

Quem joga no time do governo.

O enfrentamento político no Senado está distribuído no seguinte diagrama das forças governistas em campo:

Governo – liderado nos combates pelo marechal de campo. Quando não está presente nada se decide. Seu lugar-tenente é Gim Argello (PTB-DF), para o jogo pesado. Para as manobras mais brandas, Romero Jucá (PMDB-RR). O PT está nessa linha de frente com Aloizio Mercadante (PT-SP), porém, muito incidentalmente.

A esse grupo principal não têm acesso os senadores petistas Ideli Salvatti,Tião Viana, Paulo Paim e Eduardo Suplicy, considerados pouco afins para defender o governo.


por Leonardo Mota Neto

Um comentário:

Stenio Guilherme Vernasque da Silva disse...

Antes que me perguntem quem é:

Leonardo Mota Neto


Carta Polis
Publicado em 17/09/2007 as 10:29
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