quinta-feira, 30 de abril de 2009

Otan expulsa diplomatas russos por espionagem



Representantes teriam ligação com espião estoniano que entregou segredos do grupo para Moscou

Agências internacionais


MOSCOU - A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expulsou dois diplomatas russos em represália por um caso de espionagem de um responsável da Estônia que entregou a Moscou segredos sobre a aliança atlântica, segundo confirmaram as duas partes nesta quinta-feira, 30. A decisão foi anunciada um dia depois da retomada dos contatos e da primeira reunião entre representantes da Otan e da Rússia em oito meses, desde que a aliança suspendeu as relações com Moscou em represália à ofensiva russa na Geórgia.

Os diplomatas, entre eles o filho do embaixador russo na União Europeia (UE) Vladimir Shizhov são acusados de terem trabalhado como agentes da inteligência, segundo afirma o jornal Financial Times. Moscou qualificou a iniciativa da Otan como "provocação grosseira" baseada em "pretextos fantasiosos e sem a mínima explicação compreensível", segundo afirmou a chancelaria.

A Rússia afirmou que está "esclarecendo as circunstâncias da expulsão para determinar as possíveis ações". Em fevereiro, o oficial da Estônia Herman Sinn, um alto funcionário do Ministério da Defesa estoniano, foi condenado a 12 anos de prisão em fevereiro deste ano pela Justiça do país por passar segredos para Moscou. A corte não chegou a revelar para qual país Sinn espionou, mas investigadores afirmam que o oficial chegou a passar 3 mil documentos para a Rússia e que ele teria recebido cerca de US$ 110 milhões. O Kremlin nega envolvimento com o caso.

A Otan não fez comentários na época, mas o caso, considerado o maior escândalo de espionagem na Estônia desde a Guerra Fria, foi visto como um embaraço para o ex-país soviético que entrou para a aliança em 2004. Autoridades próximas do caso acreditam que tudo o que foi discutido entre os países da UE foi repassado para a inteligência russa, incluindo documentos confidenciais sobre a crise em Kosovo, o conflito na Geórgia e sobre o projeto do escudo antimísseis americano no Leste Europeu.

Exercícios da Otan

A Rússia assinou, nesta quinta-feira, um acordo com duas regiões separatistas da Geórgia pelo qual Moscou tem poder de controlar suas fronteiras. O presidente Dmitry Medvedev e os líderes da Ossétia do Sul e Abkházia assinaram o documento acordo numa cerimônia no Kremlin quase nove meses depois da breve guerra entre Rússia e Geórgia. Os acordos, assinados uma semana antes da Otan iniciar exercícios militares na Geórgia, preveem que ambas as regiões delegam à Rússia a proteção de suas fronteiras até que formem suas forças próprias.

A Rússia voltou a criticar os exercícios militares que a Otan planeja realizar na Geórgia entre maio e junho. O país é considerado crucial para a rota de petróleo e gás retirados do Cáspio. "O plano dos exercícios da Otan são provocativos, não interessa o quanto os aliados do Ocidente tentem nos persuadir do oposto", afirmou Medvedev depois da assinatura do acordo. "Os que estão tomando estas decisões deverão assumir total responsabilidade por qualquer consequência negativa".

Aparentemente, o acordo é uma tentativa de legitimar a presença de milhares de soldados russos nas regiões separatistas, que estiveram no centro da guerra. A Rússia vai controlar as fronteiras de ambas as regiões, incluindo as águas territoriais da Abkházia no Mar Negro, segundo o documento. Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) consideram o acordo uma violação do cessar-fogo, que exige que todas as forças voltem para posições mantidas antes dos confrontos de agosto.

Para Moscou, o cessar-fogo foi substituído por acordo subsequentes com a Ossétia do Sul e a Abkházia. Ao assinar na quarta-feira o acordo com o líder da Abkházia, Sergei Bagapsh, e o líder da Ossétia do Norte, Eduard Kokoiti, Medvedev a Rússia indicou sua intenção de fortalecer essa afirmação. "Isto é, sem dúvida nenhuma, um ato político", disse Medvedev, segundo a agência estatal de notícias RIA-Novosti. "Esses documentos dão seguimento aos acordos de amizade, cooperação e assistência mútua que assinamos algum tempo atrás".


Estadão

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