terça-feira, 14 de abril de 2009

Polícia Federal afasta Protógenes da corporação até final de processo disciplinar


A Polícia Federal decidiu afastar o delegado Protógenes Queiroz da corporação até o final do processo disciplinar instaurado contra ele no último dia 3 por ter participado de um comício político, em Minas Gerais, no qual teria feito um discurso em nome da instituição.

O processo pode resultar na demissão do delegado se, ao final das investigações, ficar comprovado que ele infringiu as normas da PF ao falar pela instituição durante o comício político. A PF decidiu pelo afastamento de Protógenes no último dia 9.

Ele deu apoio ao candidato do PT Paulo Tadeu Silva D'Arcádia, candidato a prefeito de Poços de Caldas (MG), em comício realizado em setembro passado. O processo tem prazo de duração de 30 dias, prorrogáveis por mais 30.

Protógenes já responde a um segundo processo disciplinar na Polícia Federal por suspeitas de vazamento de informações da Operação Satiagraha.

O delegado nega que tenha falado em nome da instituição durante o comício e ameaça recorrer à Justiça caso seja demitido pela PF no final do processo. Protógenes disse que o processo é uma "indignação", um ato que merece "uma reparação do Poder Judiciário".

Ele disse acreditar, porém, que uma "minoria" de servidores dentro da PF defenda a sua demissão do cargo. "Há uma minoria bem insignificante dentro do Departamento da Polícia Federal que assim deseja, mas é o desejo da maioria o que vai prevalecer. Esse desejo da minoria não vai prevalecer", afirmou.

O delegado disse que a "perseguição" dentro da PF aos seus trabalhos foi estabelecida desde que ele foi afastado do comando da Satiagraha. "Isso é uma forma que praticamente deixa clara a perseguição", afirmou.

Candidatura

Apesar de se declarar perseguido dentro da PF, Protógenes disse que não pretende lançar-se candidato a cargos políticos caso seja afastado da instituição. O delegado admitiu, no entanto, que vem sofrendo pressão popular para ingressar na vida política.

"Eu permaneço como delegado da Polícia Federal para continuar meu trabalho de combate à corrupção, que hoje está difícil porque fui mudado de setor [após o afastamento da Satiagraha]. Todo mundo pede para eu ser candidato a governador, senador, presidente da República. O clamor público é o mais generoso e o mais sincero", afirmou.

Indícios

Na semana passada, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, disse que há indícios da participação de Protógenes em uma campanha política no interior de Minas Gerais em 2008.

"Segundo consta, houve uma participação dele em um programa. A Corregedoria [da PF] está instaurando um procedimento [para apurar o caso]", afirmou Corrêa.

De acordo com o diretor-geral da PF, os servidores públicas da ativa não podem se envolver em campanhas políticas.

Se for confirmada a sua participação na campanha eleitoral no interior de Minas, Protógenes pode ser punido. "O final disso só a conclusão do procedimento poderá dizer. Não vamos antecipar sentença", disse Corrêa.


Folha online

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