sábado, 18 de abril de 2009

‘Posso ser candidato’, diz, finalmente, Protógenes

Primeiro, ele teve as atribuições esvaziadas.

Depois, abriu-se um inquérito para apurar transgressões que cometera na Satiagraha...

Por último, ele foi afastado temporariamente de suas funções na Polícia Federal.

Acusam-no de ter falado em nome da PF num comício em Poços de Caldas (MG), no ano passado.

Protógenes Queiroz passou a ocupar o tempo vago com palestras, encontros políticos e atos públicos contra a corrupção.

Num desses atos, no Rio, caminhou ao lado de Heloísa Helena (AL), a presidente do PSOL (veja na foto).

Discursou do alto da carroceria de uma caminhonete que fazia as vezes de carro de som. Foi apresentado à platéia como “o delegado do povo”.

Parecia claro que ele planejava mudar de ramo. Mas, espremido, negava. Até que, súbito, Protógenes admite: pode mesmo virar candidato nas eleições de 2010.

“A população está me conduzindo a este processo”, diz ele. “Há uma pressão pública para isso”.

Ainda não sabe –ou sabe e não diz—a que cargo pretende concorrer. Apenas revela ter sido procurado por políticos de quatro legendas: PSOL, PT, PDT e até PSDB.

Reconhece que tem uma queda pela “centro-esquerda”. Mas ainda não se definiu por nenhum partido. Aliás, já entra em campo atirando a esmo:

“Ainda não existe um partido que eu escolheria, porque ainda não tenho experiência neste jogo. Não acredito nos políticos brasileiros”.

Protógenes falou à repórter Mariana Lucena. Ganhou as páginas de Época. Leia abaixo o que disse o quase-ex-delegado:

– Cogita se candidatar a um cargo eletivo? A população está me conduzindo a este processo. Há uma pressão pública para isso, pela imprensa, pelo meu dia a dia. Representantes de partidos me chamam para um diálogo, da política brasileira e da cidade de São Paulo. Um representante de um partido importante, o Paulinho da Força, do PDT, falou: “Protógenes, nós não discutimos política em São Paulo sem você”. Do PSOL, o deputado federal Ivan Valente verbalizou a mesma coisa. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o próprio [deputado estadual] Fernando Capez (PSDB-SP) disseram que não se discute [política em São Paulo sem Protógenes].

- Vai ceder a essa pressão? A pressão é muito grande. Pode ser que isso ocorra no futuro. Eu garanto até que, se eu for candidato a algum cargo político, as famílias de alguns criminosos que prendi e investiguei, como Boris Berezovsky e Law Kin Chong, votariam em mim.

– Identifica-se mais com partidos de centro-esquerda? Sim, sim. Mas prefiro não colocar o cenário político-partidário. Ainda não existe um partido que eu escolheria, porque ainda não tenho experiência neste jogo. Não acredito nos políticos brasileiros. Hoje, não tenho simpatia por nenhum partido, nem mesmo pelo PSOL, porque acho que o sistema político-partidário é falido.

– O diretor da novela Poder paralelo, da TV Record, disse que o protagonista é inspirado no senhor “porque é um policial que não gosta de corrupção”. Isso significa que a parcela da população que frequenta a Igreja Universal o apoia? Sim, há um apoio – por incrível que pareça, já que sou católico devoto –, quase uma unanimidade. Inclusive a primeira manifestação pública a meu favor foi da Universal, logo depois da execução da Satiagraha.

Escrito por Josias de Souza

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