sábado, 18 de abril de 2009

Sarkozy põe líderes na alça de mira

As supostas críticas do presidente da França, Nicolas Sarkozy, a líderes como o americano Barack Obama, o espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e a alemã Angela Merkel levantaram uma onda de reprovações na Europa e nos EUA.

As declarações foram reveladas por depoimentos anônimos ao jornal Libération. "Obama não tem opinião para alguns assuntos" e "Zapatero é pouco inteligente" teriam sido algumas das críticas de Sarkozy.

O palco do show de egolatria de Sarkozy foi o Palácio do Eliseu, quando o presidente falou a uma plateia de 24 parlamentares sobre a cúpula do G-20, que ocorreu no dia 2, em Londres.

No dia seguinte, em reportagem intitulada Sarkozy se vê como o mestre do mundo, o jornal Libération, de esquerda, publicou detalhes sobre os bastidores do encontro. O presidente teria descrito a atuação de líderes do G-20, sempre em tom de autoelogio.

Sobre o presidente dos EUA, Sarkozy teria dito: "Obama é um espírito sutil, muito inteligente e carismático, mas exerce a presidência há dois meses e nunca havia gerenciado um ministério na vida. Há algumas coisas sobre as quais ele não tem posição. Ele não está sempre em nível de decisão e eficiência."

O menosprezo estendeu-se contra a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Falando sobre o país vizinho, Sarkozy teria se congratulado. "Quando ela se deu conta do estado de seus bancos e de sua indústria automobilística, não teve outra escolha senão se juntar a minha posição." O pior veneno foi dirigido ao premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero. "Ele talvez não seja muito inteligente", disse Sarkozy.

Ontem, as supostas declarações - desmentidas em nota oficial - repercutiram na Europa e nos EUA. Os jornais The Guardian e Financial Times, de Londres, ironizaram o francês. "É o fim da curta lua de mel franco-americana", brincou o também britânico The Times. Na Espanha, o jornal El País disse que as declarações chocaram governo e a oposição e deixaram as nações à beira de um incidente diplomático.

Na França, parlamentares que participaram do almoço não confirmaram totalmente a versão do Libération. "Não poderia dizer que o texto tenha sido sensacionalista sobre as referências a Obama e Merkel", explicou o deputado do Partido Verde (de oposição) François de Ruby.

"Mas não é verdade que ele tenha dito que Zapatero não é inteligente. Ele ironizou os políticos socialistas na mesa dizendo que conhecia pessoas muito inteligentes na França que não haviam ganhado duas eleições, como fez o espanhol", disse Rugy. "Ele estava alfinetando Lionel Jospin (ex-secretário-geral do Partido Socialista), e em momento algum menosprezou Zapatero."

Didier Migaud, deputado do Partido Socialista, fez a mesma ressalva. "Não é correto dizer que Sarkozy tenha feito declarações desrespeitosas em relação a Zapatero. Talvez ele tenha sido mal interpretado."

Verdadeira ou não, a reportagem do Libération reforça polêmicas anteriores envolvendo Sarkozy. Na França, é notória sua dificuldade de relacionamento com a chanceler alemã. Sobre Obama, o Journal de Dimanche publicou que Sarkozy teria ficado contrariado com sua posição pouco incisiva na escolha do novo secretário-geral da Otan, há duas semanas, em Estrasburgo.

Segundo Rugy, Sarkozy não elogiou apenas si mesmo, mas também o premiê britânico, Gordon Brown, e os presidentes italiano, Silvio Berlusconi, e o brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. "Estávamos de acordo em tudo e Lula foi muito bem no G-20", disse Sarkozy, segundo Rugy contou ao Estado.


Estadão online

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