quarta-feira, 15 de abril de 2009

“Sem-terrinha em ação, para fazer a revolução”


Esse é um coro entoado por crianças de ensino fundamental nas escolas comandadas pelo MST.

Detalhe espantoso: as escolas, fincadas em assentamentos, são estaduais. Também é o dinheiro público que patrocina as aulas que se passam nos acampamentos do movimento. Essas, particularmente, estão na mira do Ministério Público do Rio Grande do Sul, onde o MST é mais esparramado.

Recentemente, o governo de lá decidiu fechar tais escolas, a pedido do procurador Gilberto Thums, que orientou o estado a fazê-lo por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta. Mas – depois que, com a medida, 140 crianças acabaram fora da sala de aula – o procurador, muito pressionado, admitiu a possibilidade de voltar atrás. Daí a medida ter sido submetida a uma comissão de promotores da área da infância, que, nesse momento, faz nova avaliação. Ninguém diz publicamente, ao menos ainda, mas sabe-se que há certa unanimidade em relação às escolas do MST (que, é bom que se lembre, são do estado). Elas não deviam existir.

Por uma razão simples. Essas escolas estão longe de cumprir com sua função básica, de preparar os jovens para viverem numa sociedade moderna. Ensinam o preconceito, fomentam o ódio, passam às crianças velhos estereótipos que só levam ao obscuratismo intelectual – e de nada servem. Nada mesmo. Fala-se, enfim, de algo muitíssimo atrasado e pouquíssimo democrático. Péssimo para as crianças, que precisam de muito mais do que é oferecido ali, e para o país, cujo dinheiro público escoa pelo ralo. Claro que essas crianças devem estar numa sala de aula, direito que é garantido a todas por lei. Mas numa escola que ensine química, física, matemática, português, geografia. E que esteja voltada para as questões da atualidade – e não para um ideário inútil e cheirando a mofo. Isso é o mínimo.

Foto: Liane Alves.



Por Monica Weinberg

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