segunda-feira, 18 de maio de 2009

Bibi chega aos EUA com agenda anti-Irã

O primeiro-ministro israelense, Binyamin "Bibi" Netanyahu, desembarcou ontem nos EUA, onde se reunirá hoje com o presidente americano, Barack Obama. A primeira visita de Netanyahu seria à Aipac (sigla em inglês para Comitê de Assuntos Públicos Israelense e Americano).

A organização, conhecida também como o "lobby pró-Israel" em Washington, recebeu, durante a campanha eleitoral, os principais candidatos à Casa Branca - entre eles Obama - em uma clara demonstração de sua força política. Em seu site (www.aipac.org), o grupo afirma: "Por mais de meio século, trabalhamos para ajudar a fazer Israel mais seguro ao garantir que o apoio americano continue forte."

Com uma agenda conservadora, a Aipac, em sintonia com Netanyahu, está dando prioridade à ameaça iraniana, alertando para a necessidade de endurecer mais as sanções contra o Irã. Segundo analistas, Bibi se esforçará para colocar a ameaça do Irã a Israel no topo da agenda do encontro com Obama para desviar o foco da questão palestina.

Os três artigos mais recentes divulgados pela Aipac são bem claros ao afirmar que os EUA devem intensificar as sanções contra o regime iraniano no campo político, econômico e diplomático, sem mencionar o lado militar.

ESTADO PALESTINO

Sobre uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos, a Aipac evita dar detalhes. Tampouco afirma se um Estado palestino deve ou não ser criado, insistindo que a prioridade deve ser a segurança de Israel. Críticos da Aipac, como os acadêmicos Stephen Walt e John Mearsheimer, autores do polêmico livro O Lobby de Israel , afirmam que a organização, apor meio de suas pressões, leva o governo americano a adotar posições contrárias aos interesses dos EUA para defender Israel.

Algumas entidades judaicas americanas também discordam do posicionamento da Aipac. Para grupos pró-Israel com uma posição mais pacifista, como a J-Street e o Israeli Policy Forum (IPF), as ações da Aipac, na verdade, prejudicam os interesses de Israel ao adotar posições contra a paz que vem transformando, nos últimos tempos, os israelenses nos vilões do Oriente Médio.

Em anúncio de uma página publicado no New York Times de sexta-feira, o IPF defendeu a solução de dois Estados para a questão palestina e o fim da construção de assentamentos na Cisjordânia - tema ainda tabu para a Aipac.

O diretor executivo da IFP, Nick Bunzl, defendeu, em entrevista ao Estado, que "Jerusalém poderia ser a capital dos dois Estados. A parte oriental da cidade não é judaica, mas árabe". Questionado sobre o por que de, no restante do mundo, os judeus americanos serem considerados conservadores na questão do Oriente Médio e representados pela Aipac, Bunzl disse que essa imagem é equivocada.

"A Aipac acredita que é a voz (dos judeus americanos). Mas não há apenas uma voz na comunidade judaica. Há múltiplas opiniões", afirmou. Segundo Bunzl, "depois de 1967, Israel se tornou uma potência militar, tecnológica é econômica. Não é mais a mesma coisa que após o Holocausto", afirmou.

Para o diretor da organização pró-Israel, grupos judaicos como a IFP e a J-Street (composta por jovens judeus americanos) vêm tentando mostrar ao Congresso e à Casa Branca que a população judaica americana não comparte de muitos dos valores conservadores da Aipac em relação ao conflito no Oriente Médio. Bunzl ressalta que "78% dos americanos votaram em Obama", apesar de John McCain ter posições bem próximas da Aipac.

Bunzl diz que a IFP deixará de existir "no dia em que houver um acordo para criação de um Estado palestino", pois o objetivo do grupo terá sido alcançado.

Estadão

Nenhum comentário: