segunda-feira, 25 de maio de 2009

Coreia do Norte faz 2º teste nuclear e lança mísseis



PYONGYANG - A Coreia do Norte anunciou nesta segunda-feira, 25, que realizou com sucesso um teste nuclear subterrâneo semanas depois de ameaçar restabelecer seu programa atômico. A Agência de Notícias Central Coreana, órgão estatal, disse que o teste faz "parte das medidas para sua linha de autodefesa nuclear". Também foram testados dois mísseis de curto alcance, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap. Inicialmente, a agência havia informado que a Coreia do Norte havia testado um míssil terra-ar, com alcance de 130 km. Posteriormente, citando fontes, a Yonhap disse que foram disparados três mísseis.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, convocou uma reunião de emergência da área de segurança, depois de formar uma "equipe de gerenciamento de crise", formada por militares de alta patente. Sismologistas dos EUA, da Coreia do Sul e do Japão registraram um terremoto na área nordeste da península coreana, onde a Coreia do Norte realizou um teste nuclear em 2006. Segundo a Pesquisa Geológica dos EUA, foi registrado um terremoto de 4,7 graus na escala Richter às 9h54, hora local (21h54 de Brasília). O terremoto, medido numa profundidade de 10 km abaixo da superfície, ocorreu 70 km a noroeste da cidade de Kimchaek.



A Agência Meteorológica do Japão também disse ter detectado atividade sísmica na manhã desta segunda-feira, afirmando que teste nuclear realizado pela Coreia do Norte foi quatro vezes mais potente do que o primeiro, feito em 2006. Em Seul, o Instituto de Geociências e Recursos Minerais da Coreia registrou um terremoto de 4,5 graus em Kilju, na província de Hamgyong Norte, na Coreia do Norte. O país já havia realizado um teste nuclear em outubro de 2006 em Kilju, o que provocou sanções das Nações Unidas e levou cinco países a negociar com o governo norte-coreano um acordo de desarmamento em troca de ajuda.

Um porta-voz dos Chefes Adjuntos do Estado-Maior da Coreia do Sul informou que as tropas do país foram colocadas em alerta intensificado e que "estão monitorando de perto a movimentação das tropas da Coreia do Norte". O porta-voz acrescentou que Seul ainda não havia confirmado oficialmente o teste, embora ele seja "altamente possível". O ministro da Defesa, Lee Sang-hee, cancelou uma viagem de três dias à China.

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, a força da explosão foi de 10 a 20 quilotons, muito mais forte do que a do teste de 2006, que não chegou a um quiloton. Um quiloton é equivalente a mil toneladas de explosivos.

O regime lançou dois novos mísseis de curto alcance em uma tentativa de dissuadir aviões espiões americanos, informou a agência Yonhap. Fontes governamentais sul-coreanas disseram que os dois projéteis foram lançados da costa de Wonsan, próxima à zona onde aconteceu o teste nuclear subterrâneo e de onde foi disparado pouco depois um primeiro projétil terra-ar.

Segundo a Yonhap, os últimos lançamentos norte-coreanos podem estar dirigidos a dissuadir movimentos de aviões espiões dos EUA em busca de informação sobre o teste nuclear. Algumas aeronaves espiãs tinham sobrevoado recentemente o lugar onde o regime parece ter realizado seu segundo teste nuclear.

Resposta americana

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou de "ameaça à paz e à segurança internacionais" o novo teste nuclear, seguido da prova com um míssil. Em comunicado, o presidente americano argumentou que "o perigo que as atividades ameaçantes da Coreia do Norte representam merecem uma ação (de resposta) por parte da comunidade internacional".

Obama sustentou que o desafio ao Conselho de Segurança da ONU significa que a Coreia do Norte está enfrentando direta e temerariamente a comunidade internacional. Acrescentou que o comportamento da Coreia do Norte aumenta as tensões e solapa a estabilidade no nordeste da Ásia e que "tais provocações servirão apenas para aprofundar o isolamento de Pyongyang".

Após assegurar que as tentativas da Coreia do Norte de desenvolver armas nucleares, além de seu programa de mísseis balísticos, constituem uma ameaça para a paz e a segurança internacionais, Obama advertiu que os EUA estão consultando com outras nações as medidas a adotar contra Pyongyang. "O perigo que representam as atividades ameaçadoras da Coreia do Norte merecem uma resposta por parte da comunidade internacional. Estivemos colaborando e continuaremos colaborando nos próximos dias com nossos aliados e parceiros nas conversas de seis lados, além de com os outros membros do Conselho de Segurança da ONU", afirmou Obama.


Estadão

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu acho a atitude de Obama correta,procurando apoio internacional, para possíveis represálias, a nível diplomático. Mas me parece que esse governo ignora completamente essas sanções, e claramente desafia a paz mundial. Obviamente, a cada ação uma reação, so espero que venha com intensidade proporcional.