terça-feira, 26 de maio de 2009

Nacionalista propõe ''lei de lealdade'' a Israel


Partido de chanceler Lieberman quer vincular cidadania israelense à aceitação do judaísmo e do sionismo e revolta 1,5 milhão de árabes

REUTERS, AFP E AP


O partido ultranacionalista Israel Beiteinu, do chanceler Avigdor Lieberman, apresentou ontem uma projeto de lei que vincula a cidadania israelense a um juramento de fidelidade ao "judaismo, ao sionismo e ao Estado democrático". A medida afetaria 1,5 milhão de árabes israelenses que vivem em Israel - o equivalente a um quinto da população do país.

No domingo, o mesmo partido já havia proposto que o governo proibisse que os árabesisraelenses relembrassem a "catástrofe" (nakba) - termo usado pelos palestinos para descrever a criação do Estado de Israel, em 1948, que foi seguida de uma guerra entre israelenses e árabes.

Caso a lei seja aprovada, os infratores serão punidos com até 3 anos de prisão. As duas iniciativas reforçaram o caráter conservador do chanceler, que defende uma plataforma ultranacionalista, considerada por seus críticos como um entrave ao processo de paz com os palestinos.

A mensagem de Lieberman e seus correligionários é a de que os árabes israelenses representam uma ameaça interna para Israel. Seu partido, o Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa), tornou-se o terceiro maior partido na Knesset - o Parlamento israelense - depois das eleições de fevereiro.

Agora, com a apresentação dos dois projetos, a legenda dá sinais de que os discursos radicais de campanha podem se transformar em leis, caso passem por todas as etapas legislativas até a aprovação final.

CRÍTICAS

Mohamed Darawshe, do Abraham Fund Initiatives, grupo que promove a relação pacífica entre judeus e árabes em Israel, disse que as duas propostas refletem "uma ideologia importada de regimes obscuros que desmoronaram".

Alex Miller, parlamentar ultranacionalista que apresentou as propostas, justificou sua posição em uma entrevista concedida à rádio do Exército israelenses. "Penso que podemos chegar a uma situação na qual cidadãos do nosso país não marquem um dia de luto pela criação do Estado no qual eles vivem", disse Miller em referência à "catástrofe".

A parlamentar árabe Hana Swaid chamou as propostas de Miller de "racistas" porque "eliminam o direito de cidadãos árabes de professarem sua identidade, sua religião e seus sentimentos nacionais".

Analistas dizem que dificilmente as leis seriam aprovadas pelo Parlamento, mas chamam a atenção para a intransigência crescente do governo do premiê de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, em relação aos palestinos.

Netanyahu recusa-se a endossar a independência dos palestinos e tem defendido que nenhum israelense deixe a parte leste de Jerusalém, ocupada por Israel em 1967, em um movimento que nunca foi reconhecido pela comunidade internacional.


Estadão

Um comentário:

Laguardia disse...

A defesa da existência do Estado de Israel não justifica a radicalização ao ponto de se impedir a liberdade de culto de qualquer que seja a religião. Não se pode confundir o estado com crenças religiosas.

Tanto cristãos como judeus como islamitas têm o direito de propagas sua religião de forma pacífica sem que tenham este direito proibido pelo estado. Não podemos sair de um extremo e cair no outro.