quinta-feira, 28 de maio de 2009

ONU prepara nova resolução condenatória à Coreia do Norte


NOVA YORK - Um esboço de resolução que circula entre os principais membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas condena fortemente o teste nuclear da Coreia do Norte e pede aos Estados membros da ONU que cumpram imediatamente as já aprovadas sanções contra Pyongyang. O conselho "condena nos termos mais fortes o teste nuclear conduzido pela (Coreia do Norte) em 25 de maio de 2009 em flagrante violação e desrespeito às suas relevantes resoluções" e "pede que todos os Estados membros cumpram imediatamente as medidas impostas pela resolução 1718", disse o rascunho obtido pela agência Reuters nesta quinta-feira, 28.

O esboço preliminar, que também tenta ampliar as sanções contra Pyongyang, foi preparado pelo Japão e os Estados Unidos e será discutido por membros permanentes do Conselho de Segurança, Japão e Coreia do Sul ainda nesta quinta-feira, disse um diplomata da ONU. Mais cedo, tropas norte-americanas e sul-coreanas elevaram o nível de alerta após a Coreia do Norte anunciar que abandonará o armistício vigente na península há mais de cinco décadas.


"A vigilância sobre o Norte será aumentada, com mais aeronaves e pessoal mobilizado", afirmou um porta-voz do Ministério da Defesa de Seul, Won Tae-Jae. A Coreia do Norte anunciou na quarta-feira que estava abandonando a trégua que encerrou a Guerra da Coreia (1950-3). Pyongyang advertiu sobre um possível ataque militar ao Sul, dois dias após testar uma bomba atômica pela segunda vez.

Os norte-coreanos responderam de maneira ríspida à decisão de Seul de se unir a uma iniciativa internacional liderada pelos EUA, para interromper a disseminação de armas de destruição em massa. A Iniciativa de Segurança Contra a Proliferação (PSI, na sigla em inglês) pode incluir a interceptação de embarcações para revista, porém a participação da Coreia do Sul é em grande parte simbólica.


Pyongyang, porém, disse que seus militares não estariam mais impedidos pela trégua que encerrou a guerra entre os vizinhos - não houve um cessar-fogo formal. "Quaisquer pequenos atos hostis contra nossa república, incluindo a interceptação e revista de nossas embarcações pacíficas terão um ataque militar imediato e forte como resposta", afirmaram as Forças Armadas norte-coreanas.


Os Estados Unidos possuem 28.500 soldados na Coreia do Sul. Foi a primeira vez que o nível de alerta subiu para o estágio dois, desde o primeiro teste nuclear norte-coreano, em outubro de 2006. O porta-voz sul-coreano disse que a vigilância será centrada na zona desmilitarizada que divide a península, na área de segurança comum, na vila Panmunjom, e na disputada fronteira entre os países no Mar Amarelo. A Casa Branca afirmou que foi a quinta vez em 15 anos que Pyongyang declara nulo o armistício.

TENSÃO


Seul posicionou um destroier de 3.500 toneladas para águas perto da fronteira marítima disputada entre os dois países. Além disso, barcos rápidos monitoram a área. Já os norte-coreanos posicionaram armas de artilharia pela costa oeste eu seu lado da fronteira, segundo a agência Yonhap. A demonstração de força ocorre três dias depois do teste nuclear da segunda-feira realizado por Pyongyang. Houve condenação generalizada dos líderes mundiais.

"A possibilidade de confrontos militares, especialmente em locais de risco potencial perto da fronteira marítima, está se tornando realidade", avaliou o analista Paik Hak-soon, do Instituto Sejong, da Coreia do Sul. "Caso um confronto naval ocorra de novo, nós veremos algo muito de diferente dos últimos dois", comparou Paik, referindo-se a incidentes em 1999 e 2002, que segundo ele foram "localizados."


O professor sul-coreano Kim Yong-hyun, da Universidade Dongguk, disse que o Norte poderia reagir a um confronto do tipo com disparos de mísseis de curto alcance no Mar Amarelo, ou capturando navios pesqueiros sul-coreanos na zona fronteiriça disputada.

O Ministério das Relações Exteriores sul-coreano afirmou que Pyongyang estava "distorcendo muito" a posição de Seul sobre o PSI, usando-o como pretexto para fazer ameaças. Os EUA negaram que preparem qualquer ação militar contra a Coreia do Norte.


Estadão