quarta-feira, 27 de maio de 2009

Os Norte-Coreanos querem a 3ª Guerra mundial



Diplomatas das Nações Unidas disseram nesta quarta-feira que as principais potências mundiais concordaram em expandir as sanções contra a Coreia do Norte em resposta ao teste nuclear realizado pelo regime comunista na última segunda-feira. Falando sob condição de anonimato, os diplomatas disseram que o acordo foi alcançado durante uma reunião informal nesta terça-feira para discutir os termos da resolução sobre a Coreia do Norte após a condenação pelo Conselho de Segurança (CS) na segunda-feira ao teste norte-coreano, que violou uma resolução de 2006.

A reunião teve participação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (CS) --EUA, Rússia, China, Reino Unido e França-- mais os dois países diretamente mais preocupados com a ampliação da força militar norte-coreana: Japão --membro rotativo do conselho-- e Coreia do Sul.

Segundo as fontes diplomáticas, as propostas de sanções envolvem ações como um embargo mais amplo de armas, o congelamento de fundos adicionais de pessoas e empresas norte-coreanas no exterior e restrições às operações bancárias e financeiras do país.

"Existe um claro compromisso [dos sete países] para que haja sanções [...] Não houve relutância perceptível da China ou da Rússia", disse um diplomata das Nações Unidas, citando os dois países com poder de veto no CS vistos como próximos da Coreia do Norte --a China é o principal aliado do regime de Pyongyang, e a Rússia tem sido tradicionalmente relutante em impor sanções à Coreia do Norte ou a qualquer outro Estado-membro da ONU.

Os diplomatas previram que a conclusão do rascunho da resolução pode demorar até a próxima semana, quando o texto deve ser apresentado aos 15 integrantes do CS --que tem dez cadeiras rotativas-- para ser comentado e, possivelmente, votado.

Pressão

Em visita à China, a presidente da Câmara de Representantes (deputados), Nancy Pelosi, reuniu-se na terça-feira à noite com os principais líderes chineses e pediu que Pequim use sua influência para deter a escalada armamentista da Coreia do Norte.

"Nossa delegação também destacou a preocupação com a pobre situação dos direitos humanos na China e no Tibete", disse Pelosi, por meio de um comunicado, em que e também tratou de outros assuntos discutidos com autoridades chinesas, como a mudança climática, os direitos humanos, as questões de propriedade intelectual e a crise financeira global foram outros temas na agenda, destacou o comunicado.

Ela se reuniu o presidente da China, Hu Jintao, com o primeiro-ministro, Wen Jiabao, e com o chefe do Legislativo, Wu Bangguo.

Novos passos

Nesta quarta-feira, a Coreia do Norte formalmente disse que não está mais sujeita ao cessar-fogo que encerrou a Guerra da Coreia, há 56 anos, e anunciou o religamento do seu principal reator nuclear. A notícia veio junto a renovadas ameaças contra a vizinha Coreia do Sul, por ter aderido nesta terça-feira à iniciativa americana contra o tráfico de armas de destruição em massa (PSI, na sigla em inglês).

Nos EUA, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu a Coreia do Norte sobre as consequências de seus testes nucleares, que qualificou como "ações provocativas e beligerantes".

Em um breve discurso à imprensa, Hillary ressaltou que os Estados Unidos estão comprometidos em defender a segurança dos países vizinhos, como Japão e Coreia do Sul, diante dos testes com mísseis nucleares realizados recentemente pela Coreia do Norte.

"Eu quero sublinhar os compromissos que os Estados Unidos têm e pretende sempre honrar pela defesa da Coreia do Sul e do Japão", disse a secretária de Estado. Os EUA possuem tropas nos dois países desde o fim da Segunda Guerra (1939-1945).

Mas, seguindo o padrão adotado pela diplomacia americana desde o teste nuclear norte-coreano de segunda-feira, a secretária de Estado disse que a via de negociação continua aberta.

Já na Casa Branca, o porta-voz da Presidência, Robert Gibbs, disse que a Coreia do Norte não vai conseguir chamar a atenção do mundo com ameaças que nada farão além de reforçar mais ainda seu "isolamento".

"As ameaças não vão dar à Coreia do Norte a atenção que deseja. Suas ações não fazem nada além de reforçar seu isolamento" no cenário internacional, declarou à imprensa o porta-voz Robert Gibbs.

Entenda a escalada da tensão

A escalada da tensão começou com o teste nuclear anunciado na segunda-feira (25) pelo regime norte-coreano e que originou uma grave crise internacional. Nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança concluiu que o segundo teste nuclear feito pela Coreia do Norte violou a resolução emitida pelo conselho em 2006, quando o regime norte-coreano fez seu primeiro teste nuclear.

Analistas afirmam que a Coreia do Norte quer pressionar Washington e o governo do novato Barack Obama para ter uma posição privilegiada ao exigir o fim das sanções econômicas e o reconhecimento diplomático na mesa de negociações pela desnuclearização.

A Coreia do Norte lançou também nesta quarta-feira (terça-feira no Brasil), pelo terceiro dia consecutivo, um míssil de curto alcance em sua costa leste, informaram fontes oficiais sul-coreanas citadas pela Yonhap, agência estatal de notícias da Coreia do Sul.

Fontes da Presidência da Coreia do Sul disseram à Yonhap que, pouco depois de 9h (21h desta terça-feira no horário de Brasília), a Coreia do Norte disparou outro míssil de terra em direção ao mar do Leste.

Fontes sul-coreanas disseram à Yonhap que o regime de Kim Jong-il estaria preparando lançamentos adicionais na costa oeste de mísseis anticruzeiro KN-01, similares aos Silk Worm e com um alcance máximo de 160 quilômetros. O objetivo seria desencorajar sobrevoos espiões sul-coreanos e norte-americanos no país. Fontes da defesa sul-coreana estimam que a Coreia do Norte tem, no total, 800 mísseis, entre eles alguns de longo alcance Taepodong, como o que lançou em 2006, e 200 Rodong, com alcance de 1.300 km

Reator

A Coreia do Norte voltou ainda a processar combustível nuclear para produzir mais plutônio com fins militares, informa a imprensa sul-coreana.

O jornal "Chosun Ilbo" afirma que testemunhas viram a saída de vapor recentemente de uma área de Yongbyon, ao norte de Pyongyang, um sinal de que foram reativadas as instalações que produzem plutônio, que pode ser utilizado na fabricação de bombas nucleares.

A Coreia do Norte anunciou em 14 de abril a retirada das negociações do Grupo dos Seis (Rússia, Coreia do Norte e Coreia do Sul, Estados Unidos, Japão e China), o fim da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a reativação das instalações nucleares, depois que o país foi condenado no Conselho de Segurança da ONU pelo lançamento de um foguete no último dia 5 de abril.

Pyongyang havia se comprometido em fevereiro de 2007 a fechar as instalações de Yongbyon que produzem plutônio, material que pode ser utilizado na fabricação da bomba nuclear.

O "Chosun Ilbo" destaca que se Coreia do Norte processar 8.000 barras de combustível de Yongbyon pode obter entre seis e oito quilos de plutônio, o suficiente para fabricar uma bomba nuclear.


da Folha online


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