sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sem acordo de paz, estado de guerra é mantido há 56 anos


SEUL - Após a 2.ª Guerra, soviéticos e americanos dividiram a Coreia no Paralelo 38. A tensão dos primeiros anos de Guerra Fria tornou a reunificação inviável e, em 1948, surgiram as duas Coreias. As tensões permaneceram restritas a tiroteios na fronteira até que a Revolução Chinesa, em 1949, encorajou o Norte a tentar unificar a península sob a bandeira do comunismo.

Em junho de 1950, tropas norte-coreanas invadiram a Coreia do Sul. Imediatamente, os EUA usaram a ONU para legitimar uma intervenção internacional. A União Soviética, apesar do poder de veto, não conseguiu evitar a ação por ter decidido boicotar o Conselho de Segurança em razão de Taiwan ainda ocupar o lugar da China no órgão.

Em um esforço para demonstrar autonomia, Getúlio Vargas rejeitou o pedido de Harry Truman, presidente dos EUA, para enviar tropas para a Coreia. Sem a presença brasileira, os capacetes azuis - a maioria americanos - expulsaram os comunistas, ultrapassaram o Paralelo 38 e chegaram à fronteira com a China. Foi quando Truman afastou do comando das tropas o general Douglas MacArthur, que defendia a ideia de atacar a China comunista com armas nucleares.

Do outro lado, Mao Tsé-tung queria mostrar a Stalin que poderia ser útil na Guerra Fria e ordenou a invasão da Coreia. Os chineses empurraram os americanos novamente para o Paralelo 38, onde foi criada uma zona desmilitarizada. Um acordo de paz, porém, nunca foi assinado. O dois lados negociaram só um cessar-fogo, em 1953, o que manteve as duas Coreias em estado de guerra nos últimos 56 anos.

Após o conflito, apesar do rápido crescimento econômico e de ter sido uma fiel aliada de Washington, a Coreia do Sul não se tornou um exemplo de democracia. A maior parte do tempo, os sul-coreanos viveram sob ditaduras, até a definitiva redemocratização do país, em 1987.

Estadão




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Coreia do Norte conta com superexército, mas Coreia do Sul tem apoio americano em seu favor


SÃO PAULO - Em Panmujon, ponto de checagem central do Paralelo 38 que separa as duas Coreias, um oficial do norte olha para o outro lado da linha e vê um soldado que também olha direto para ele. Fardas de combate. Insignías polidas. Armas e capacete. Muito perto. Tão perto que é possível ver o brilho do suor e a cadência da respiração de cada um deles. Hora após hora, dia e noite, há 56 anos.

Na retaguarda dos militares postados na divisa, estende-se uma formidável máquina de guerra, poderosa de ambos os lados - perigosa mesmo sem a contabilidade do incerto arsenal nuclear do regime de Pyongyang.

Uma retomada do conflito interrompido em julho de 1953 colocaria em ação um dos maiores Exércitos do mundo - 1,2 milhões de soldados da Coreia do Norte, intensamente preparados. Diante dele estaria alinhada a força da Coreia do Sul, 687 mil combatentes, mais os sistemas de alta tecnologia recebidos dos Estados Unidos ao longo de meio século.

Kim Jong-il pode atacar para garantir o protagonismo de seu regime na região. "As principais economias em recuperação da crise estão ali", considera o analista Alexandre Ratsuo Uehara, pesquisador da USP e professor das Faculdades Integradas Rio Branco.

No Real Instituto Elcano, de Madri, o especialista Julio Rios lembra que "um conflito limitado levaria as potência mundiais a admitir o regime nas negociações que viriam". Para ele, todavia, o perigo de "uma nova velha guerra", é o da contaminação - "Rússia e China não serão meros observadores dos acontecimentos", sustenta. Os arsenais são enormes.

A Coreia do Norte gasta US$ 35 bilhões por ano para manter e expandir seu aparato de defesa. Embora as estrelas do momento sejam os mísseis, as forças de Kim Jong-il, bem treinadas e equipadas, fazem diferença na soma do poder de fogo.

Ao menos 90 mil militares integram uma sofisticada unidade de elite, o Comando de Aplicações Especiais, que reúne atiradores, times anfíbios, grupos de reconhecimento e de operações destruição, paraquedistas e sabotadores. São conhecidos como Morcegos e se vestem sempre de negro .

Ao sul e ao norte foram realizados ambiciosos programas e desenvolvidos projetos. Pyongyang está empenhada em revitalizar com rapidez sua frota de 3.500 tanques pesados - muitos deles robustos T-62 fornecidos pela extinta URSS e agora revitalizados com eletrônica de bordo, novos motores e um sistema de armas eficiente.

A capitalista Seul tratou de negociar com o aliado americano licenças para produção local de coisas como radares e o caça F-15K Eagle de múltiplo emprego, capaz de levar 11 toneladas de armas e voar a 2,6 mil km/hora. O regime totalitário considera uma carta na manga a capacidade de lançar ao mar um número elevado de submarinos de ataque e, simultaneamente, 50 caças MiG, 20 deles do tipo 29 atualizados, a maioria modelos 21, com 30 anos de uso. Do outro lado da linha há 250 jatos F-5K, prontos para o primeiro tiro.


Estadão

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