sábado, 9 de maio de 2009

''Talebanização é consequência dos oito anos de Musharraf''

Entrevista - Nawaz Sharif: líder da oposição no Paquistão; Segundo ex-premiê, só o consenso nacional pode enfraquecer a milícia do Taleban e reduzir a violência

Faheem al-Hamid, GLOBAL VIEWPOINT


Como o senhor vê a "talebanização" do Paquistão?

Antes de qualquer outra coisa, denuncio o extremismo na sociedade. A nação inteira está unida no fortalecimento do império da lei no país e na firme opinião de que ninguém pode ditar termos pela força das armas.

A talebanização é uma consequência dos oito anos de regime ditatorial que dependia de ajuda externa. Quando fui primeiro-ministro, não havia atentados suicidas no Paquistão, que era uma região completamente pacífica. Nunca ouvimos falar de talebanização aqui.

Esse problema de extremismo pode ser enfrentado por meio de um consenso nacional. Não queremos que ninguém seja morto. Queremos uma estratégia multifacetada.

Do seu ponto de vista, como os problemas do Paquistão podem ser enfrentados e resolvidos?

Eu enviei uma carta ao primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani defendendo a convocação de uma conferência com todas as partes interessadas. A resposta dele foi positiva, mas a conferência ainda não ocorreu. Nós mesmos poderíamos ter convocado a reunião, mas não queremos tirar nenhum proveito político dessa situação. O governo deve se concentrar no desenvolvimento socioeconômico, além de fornecer empregos e bem-estar para a população. Queremos ver a democracia operando.

O senhor está pleiteando algum cargo importante no governo, com base numa partilha de poder?

Não estou pleiteando nenhum cargo. Minha prioridade é livrar o Paquistão dos problemas que ele enfrenta hoje.

O governo deveria compreender que a sinceridade é a melhor política. (O presidente do Paquistão, Asif Ali)Zardari nos desqualificou ao usar os tribunais ilegais. Apesar disso tudo, estou apoiando o governo no interesse nacional.

Qual é a sua visão sobre os militares hoje no Paquistão?

Os militares mostraram maturidade ao não interferir durante a longa marcha (realizada em 15 de março, que resultou na recondução ao cargo dos juízes destituídos pelo ex-presidente, general Pervez Musharraf). Eles agiram dentro da lei e da Constituição. Sempre que os militares se apossaram do poder, o Paquistão mergulhou na confusão.

Todos os responsáveis por subverter a Constituição fizeram - durante os vários períodos de lei marcial no Paquistão - o que não é aceitável em nenhuma sociedade civilizada. Musharraf cometeu uma injustiça com este país ao matar (o líder do Baluquistão) Nawab Akbar Bugti e dar as mãos ao MQM (Movimento Muttahida Qaumi). Depois de matar 48 pessoas em Karachi, em 2007, ele flexionou os músculos e disse que era isso o poder popular.

Estadão

Um comentário:

David disse...

Quando (veja que não uso a condicional) o Paquistão cair na mão do Talibã, o mundo vai tremer, pois uma guerra com a Índia será o próximo passo deles.
Está por pouco...