sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ahmadinejad mantém liderança nas eleições do Irã, de acordo com apuração parcial

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, mantém a liderança na apuração dos votos das eleições presidenciais realizadas nesta sexta-feira (12). Segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior, Ahmadinejad tem 65,69% dos votos com mais de 72,8% das urnas apuradas. O atual presidente recebeu 17.934.382 dos mais de 25 milhões de votos apurados.

O candidato independente e ex-primeiro-ministro iraniano Mir Hussein Moussavi é o segundo colocado com 8.124.000 votos (31,4%). Bem atrás, aparecem o conservador Mohsen Rezaei, com 508.796 votos (1,96%), e o clérigo reformista Mehdi Karrubi, com 228.431 (0,88%).

Segundo cálculos do ministério, cerca de 75% dos 46,2 milhões de eleitores foram às urnas para escolher o próximo presidente do país.

A agência estatal Irna já anunciou que Ahmadinejad obteve "uma ampla" vitória nas eleições presidenciais. O anúncio da agência foi feito poucos minutos depois que Moussavi concedeu uma entrevista coletiva, na qual assegurava ter vencido as eleições ainda no primeiro turno. De acordo com a agência, o atual presidente iraniano recebeu "60% dos votos", o que lhe daria a reeleição em primeiro turno.

Os resultados finais devem ser validados pelo Conselho de Guardiães, antes de serem oficiais. Se forem confirmados os números atuais, o ultraconservador Ahmadinejad será reeleito alcançando uma arrasadora vitória.

Comparecimento em massa às urnas
Após um dia de filas em razão do comparecimento em massa dos eleitores às urnas, o Irã aguarda a proclamação do resultado das eleições presidenciais no país.

A votação começou às 8h (local). As filas adiaram o fechamento dos locais de votação em mais de quatro horas, para que todos os eleitores pudessem votar.

Com 46 milhões de iranianos convocados às urnas, o resultado final deverá ser divulgado 24 horas após a apuração dos votos de 49 mil colégios instalados e das urnas espalhadas por outros 130 países, para iranianos que vivem no exterior. O eleito toma posse em setembro.

A eleição também foi marcada por denúncias de supostas irregularidades pela direção de campanha de Mousavi que teriam sido cometidas em diferentes colégios do Teerã. "Mais de 40% dos colégios da capital ficaram sem observadores", disse Ali Akbar, chefe do comitê de supervisão dos votos do candidato.

Um grupo de desconhecidos atacou com bombas de fumaça uma das sedes eleitorais de Moussavi, sem deixar feridos, em um ato que causou pânico entre os eleitores, informou a agência EFE.

Em uma campanha que fez transparecer extremos da sociedade iraniana, jovens e mulheres clamaram por mudança nas ruas do Teerã, apoiando o líder reformista Hossein Mousavi.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira acreditar em mudança no país. "Estamos entusiasmados de que haja, ao que parece, um forte debate no Irã", declarou à imprensa.

Campanha
A campanha refletiu as divisões profundas sobre o futuro do Irã, depois de quatro anos de mandato de Ahmadinejad. Os adversários criticaram a retórica violenta de Ahmadinejad durante a crise nuclear e contra Israel, o que contribuiu para isolar o país no cenário internacional.

O presidente ultraconservador retomou a bandeira da justiça social e da defesa dos mais pobres, que já havia usado em 2005. Endureceu o discurso com ataques pessoais contra Mussavi, a quem acusou de ser apoiado pelos "aproveitadores" do regime.

Mussavi, que retornou à vida política iraniana com força após 20 anos de ausência, denunciou as "mentiras" do presidente sobre seu balanço econômico e sua política populista.



UOL

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