sábado, 6 de junho de 2009

Brown diz que não renuncia e promove reforma de gabinete

O premiê britânico, Gordon Brown, negou ontem que pretenda renunciar e anunciou uma reforma completa em seu gabinete, numa tentativa de conter a mais grave crise enfrentada pelo Partido Trabalhista desde que chegou ao poder, há 12 anos.

O anúncio de Brown coincidiu com a renúncia, ontem, de dois secretários de Estado - John Hutton, da Defesa, e Geoff Hoon, de Transportes - que se uniram a outros três que deixaram o gabinete do premiê desde terça-feira. A agência de notícias Reuters disse que Paul Murphy, responsável pelas relações com o País de Gales, também teria renunciado, mas a informação não foi confirmada pelo governo.

A debandada trabalhista teve início há um mês com a saída do presidente da Câmara dos Comuns, do subsecretário de Justiça, de um deputado e de três ministros de segundo escalão. As saídas aumentaram a pressão sobre o premiê que, desde maio, sofre com o desgaste político provocado por um escândalo de mau uso de verbas públicas.

"Não hesitarei, não renunciarei, ficarei no cargo e terminarei o trabalho", disse Brown, ontem, em Londres, numa tentativa de dissipar os rumores sobre sua renúncia. "Se não achasse que sou a pessoa idônea à frente da equipe adequada para enfrentar estes desafios, não estaria aqui."

O premiê lembrou que a Grã-Bretanha atravessa a mais grave crise econômica desde a 2ª Guerra, o que estaria influenciando o julgamento dos eleitores sobre a administração trabalhista.

A crise teve impacto negativo no desempenho do partido de Brown nas eleições locais, realizadas ontem na Grã-Bretanha. Resultados parciais mostravam o triunfo dos conservadores, embora os números ainda não fossem conclusivos.

Até a noite de ontem, o Partido Conservador vencia em 6 municípios, além dos 27 que detinha anteriormente, seguido pelo Liberal Democrata, que perdia um e ganhava outro município. Os trabalhistas, segundo os resultados preliminares, teriam perdido quatro e ficado sem nenhum município.

Ao abandonar o gabinete, os secretários de Brown fizeram duras críticas ao governo, aumentando o impacto político de suas decisões. Ontem, Caroline Flint, ministra de segundo escalão, responsável pelas relações com a Europa, acusou Brown de machismo por desconsiderar suas opiniões e tratá-la como um "manequim de vitrine".

Ao renunciar, na quinta-feira, o secretário de Trabalho e Previdência, James Purnell, divulgou à imprensa uma carta na qual pedia que Brown renunciasse pelo bem do partido. A reforma de gabinete mudará a maioria das secretarias, mas terá curto alcance político, na medida em que a maioria dos membros já tinha renunciado. Para substituí-los, Brown acabou, na maioria dos casos, promovendo funcionários dos secretários demissionários.

Estadão

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