terça-feira, 2 de junho de 2009

Chanceleres da OEA buscam acordo de última hora sobre Cuba

SAN PEDRO SULA, Honduras - O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, afirmou nesta terça-feira, 2, que duvida que os chanceleres americanos promoverão uma votação no caso de não ser alcançado um consenso para resolver a proposta de um eventual retorno de Cuba à organização. "Sempre agimos por consenso", disse Insulza, afirmando não acreditar que a OEA não seguirá a tradição, que até agora foi muito útil. O secretário fez seus comentários horas antes da sessão inaugural da 39ª reunião anual de chanceleres.

Os ministros de Relações Exteriores das Américas começaram nesta terça-feira, 2, a buscar um acordo de consenso a fim de abrir caminho para a volta de Cuba à Organização dos Estados Americanos (OEA). A tarefa não parece fácil e inclusive há a possibilidade de que eles terminem afirmando somente que tentaram lidar com o tema, mas esperam por um contexto mais favorável para chegar a avanços.

Os negociadores dos 34 Estados estão de acordo quanto à necessidade de derrubar a resolução de 1962 que suspendeu os direitos de Cuba na organização, considerando a medida anacrônica. Porém não conseguem um consenso sobre o que fazer depois disso, nem se deve haver condições para retirar a suspensão.

O governo do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, demonstrou temer que Havana ocupe boa parte dos dois dias de discussões, em um ambiente em que a decisão sobre o tema deve ser tomada por consenso. Há a possibilidade de que os ministros despachem rapidamente o caso, com uma declaração de princípios sobre Cuba, para então passar a outros temas.

Zelaya inaugurará as sessões nesta terça-feira e na sequência os ministros presentes devem eleger a ministra das Relações Exteriores hondurenha, Patricia Rodas, como presidente do encontro. Imediatamente depois, ocorrerá a primeira das quatro sessões plenárias previstas.

"Não há consenso", admitiu o embaixador do Panamá, Aristides Royo, um dos líderes do grupo de trabalho designado pelos embaixadores da entidade, na semana passada, para harmonizar um texto único de resolução. "Isso ficou nas mãos dos chanceleres."

A falta de consenso poderia terminar em votação, já que com dois terços, ou 23 votos, seria possível aprovar uma resolução. Porém o subsecretário-geral da OEA, Albert R. Ramdin, também descartou esse recurso.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que uma maior integração "beneficiará o povo cubano e nossa região". "Cremos que há uma oportunidade para que Cuba se envolva mais, mas ao mesmo tempo desejamos ver a transferência pacífica de poder que vimos nesta manhã (em El Salvador) como algo possível para o povo cubano", disse Hillary. "Não acreditamos que as duas coisas sejam mutuamente excludentes." As condições são o principal motivo para a estagnação nas negociações.


Estadão

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