sexta-feira, 26 de junho de 2009

Conselho de Guardiães diz que eleição no Irã foi a mais "sã" desde 1979


O Conselho de Guardiães, órgão legislativo sob o comando do líder supremo do Irã e responsável por ratificar o resultado da eleição, afirmou não ter encontrado nenhuma evidência de fraude e que a votação do dia 12 de junho, que reelegeu o controverso presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi a mais "saudável" desde a Revolução de 1979.

"O Conselho quase acabou de revisar as queixas dos candidatos derrotados. Esta revisão mostra que as eleições foram as mais saudáveis desde a revolução. Não há irregularidades importantes", afirmou Abbasali Kadkhodai, porta-voz do Conselho, citado pelo jornal espanhol "El Pais".


O Conselho recebeu 646 queixas de irregularidades na eleição de 12 de junho, apresentadas pelos três candidatos reformistas derrotados por ahmadinejad, que obteve cerca de 63% dos votos. A análise do Conselho apontou que ao menos 50 das 170 cidades analisadas tiveram mais votos que eleitores, um número que chega a 3 milhões de votos irregulares.

O Conselho, sob comando do aiatolá Ali Khamenei, que defendeu a reeleição de Ahmadinejad e criticou duramente os protestos da oposição, afirmou que o número não é suficiente para anular o resultado do pleito já que o presidente teve 11 milhões de votos a mais que o principal líder da oposição, Mir Hossein Mousavi.

A declaração coloca um ponto final as esperanças da oposição de anular o pleito e evitar a posse de Ahmadinejad --que já tem até data marcada, entre 26 de julho e 19 de agosto. Não se sabe, contudo, se a decisão acabará de vez com os protestos da oposição que há 13 dias ocupam as ruas da capital Teerã.

A oposição aguarda temerosa o discurso do aiatolá linha-dura Ahmad Jannati, chefe do Conselho. Nas orações de sexta-feira passada, ele pediu às forças de segurança que reprimissem as manifestações, como ocorreu horas depois.

A violência na contenção dos protestos deixou ao menos 20 mortos e 140 presos, segundo números oficiais.

Balões

Enquanto isso, a oposição, apoiadores de Mousavi, planejam soltar milhares de balões com a mensagem "Neda, você ficará para sempre em nossos corações".

A manifestação simbólica lembrará a morte de Neda Agha Soltan, iraniana morta com um tiro no peito durante protesto da oposição.

A morte de Neda foi filmada por um outro manifestante que estava no local. As imagens são fortes e se transformaram em símbolo da opressão das forças de segurança aos protestos, que ocupam há dez dias as ruas da capital Teerã.

Repressão

Além do duro discurso contra os protestos, as autoridades iranianas mantém a campanha de repressão á oposição.

A imprensa iraniana informa nesta sexta-feira que Abul Fazl Fateh, diretor do comitê de informação de Mousavi, foi proibido de deixar o país.

Segundo a agência de notícias Fars, a polícia quer esclarecer qual foi o papel de Fateh nos distúrbios causados pelos protestos e na organização do que chama de "reuniões ilegais".

Reconciliação nacional

Também nesta sexta-feira, o grande aiatolá Nasser Makarem Shirazi, um dos clérigos mais importantes e influentes do xiismo iraniano, pediu que as autoridades busquem a "reconciliação nacional" e a evitem políticas que coloquem em risco a coesão da República Islâmica.

"É preciso fazer algo para evitar que fiquem rescaldos debaixo das cinzas e garantir que a hostilidade, o antagonismo e a rivalidade se transformem em amizade e cooperação entre as facções", afirmou. "Temos de trabalhar em favor do futuro do país, encontrar uma solução que permita a reconciliação nacional", sugeriu em comunicado disponibilizado em seu site.

"Eventos extremamente dolorosos ocorreram durante os dias que seguiram as eleições presidenciais, e uma certa política aventureira tentou se aproveitar das disputas entre candidatos", afirmou, sem citar nomes.

"Nestas circunstâncias, tanto os amigos como os inimigos observam a situação do país, por isso devemos manter a calma e não permitir aventuras que perturbem a paz social e atentem contra a propriedade privada", prosseguiu.

"Como disse mostro líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, tudo deve ser resolvido por meio de vias legais", disse.

Com agências internacionais

Um comentário:

Laguardia disse...

Em 30% das cidades analisadas houve irregularidades que demonstraram erro em 3 milhões de votos. Numa democracia isto é o bastante para se fazer uma investigação mais profunda.

Mas no Irã, onde existe uma ditadura feroz, em que os candidatos têm que ser pré aprovados e os aiatolás são os lideres supremos de nada adiantam as eleições.