segunda-feira, 29 de junho de 2009

HONDURAS: Presidente interino assume. E o deposto busca apoio


O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, preparava nesta segunda-feira sua equipe de governo para administrar o país nos próximos sete meses, ao mesmo tempo que o presidente deposto, Manuel Zelaya, buscava, a partir da Nicarágua, o apoio dos colegas da América Central para recuperar o poder que perdeu em um golpe de estado. Zelaya foi derrubado no domingo em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por um grupo de militares que o expulsaram para a Costa Rica, provocando condenações no exterior.

Na noite de domingo, os presidentes da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) se reuniram em Manágua em um encontro convocado pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e pelo venezuelano Hugo Chávez. Nesta segunda-feira, a Assembleia Geral das Nações Unidas se reunirá em Nova York para analisar a crise e pedir a restituição dos representantes democraticamente eleitos. Dos Estados Unidos, passando pelo Grupo do Rio, a União Europeia, América Central ou ALBA, todos pediram a restituição de Zelaya na presidência de Honduras.


Ex-presidente do Congresso, Micheletti foi "eleito" no domingo. Um funcionário do Congresso leu uma carta com a suposta renúncia de Zelaya, mas o presidente deposto desmentiu de modo veemente ter assinado o texto. "Eu nunca renunciei e nunca vou usar este mecanismo enquanto for presidente eleito pelo povo", declarou Zelaya. O golpe, qualificado por Micheletti de "processo absolutamente legal", contemplado pela Constituição de Honduras, acabou com a determinação de Zelaya de convocar um referendo para reformar a Constituição e permitir a reeleição.

Nos últimos dias, a disputa de poderes alcançou o auge, especialmente após a destituição, na quarta-feira, do comandante do Estado-Maior, Romeo Vásquez. A decisão de Zelaya foi logo anulada por uma decisão da Justiça. Em Manágua, o ditador venezuelano Hugo Chávez afirmou que é preciso "dar uma lição" nos golpistas de Honduras. "Não podemos permitir um retorno ao passado, às cavernas", declarou, antes de completar que a Venezuela, seu povo e as Forças Armadas estão ao lado de Honduras. A declaração foi vista como ameaça de ação militar.

Micheletti, companheiro de Zelaya no Partido Liberal (PL), já anunciou os primeiros membros de seu gabinete e pediu a todos os funcionários do Poder Executivo de Zelaya que trabalhem normalmente. O governo do México aceitou receber a chanceler do governo deposto, Patricia Rodas, que havia sido detida com outros sete membros do governo. Para prevenir eventuais distúrbios, Micheletti decretou um toque de recolher de 48 horas, em vigor das 21 horas às 6 horas. Os canais de TV e as rádios públicas, favoráveis ao governo de Zelaya, seguem em silêncio.

Os críticos do golpe também foram silenciados - o canal americano CNN, por exemplo, foi retirado do ar depois de colocar em dúvida a versão oficial da renúncia voluntária do presidente. O poderoso sindicato de professores do país prometeu realizar grandes manifestações nesta semana. Os partidários de Zelaya criaram a Frente Popular de Resistência (FPR) para exigir a volta do presidente ao poder. Micheletti negou que tenha havido um golpe de estado em Honduras, alegando que os militares se limitaram a "cumprir uma ordem da Justiça" contra Zelaya.

(Com agência France-Presse)

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