sexta-feira, 26 de junho de 2009

Líder opositor do Irã está sob prisão domiciliar, diz site


O site de notícias iraniano Gooya.com, que opera fora do Irã, informou ontem que fontes em Teerã dizem que o líder reformista Mir Hossein Mousavi está sob prisão domiciliar. O opositor não é visto em público desde terça-feira. Como o trabalho da imprensa continua restrito, as únicas informações sobre a situação política do país são os relatos de testemunhas postados em blogs, sites e no Twitter.

Em seu site oficial, Mousavi prometeu não desistir de contestar a vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Apesar de não ter dito que está sob prisão domiciliar, o líder opositor disse que está sendo pressionado para retirar o pedido de anulação das eleições e denunciou tentativas de isolá-lo.

"Não estou pronto para desistir de exigir os direitos da população iraniana", afirmou. "Estou determinado a provar que houve fraude." Os protestos no Irã, os maiores desde a Revolução Islâmica de 1979, começaram depois de anunciada a vitória folgada de Ahmadinejad nas eleições do dia 12.

Mousavi e a oposição acusam o governo de fraude e exigem nova votação. O Conselho dos Guardiães, que supervisiona o processo eleitoral, reconheceu que houve irregularidade em 3 milhões de votos e em mais de 50 cidades do país, mas confirmou o resultado das urnas. A mídia estatal informou ontem que 8 milicianos basiji foram mortos nos protestos, além das 17 pessoas cujas mortes já haviam sido confirmadas.

Na terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, se disse "assustado e indignado" com a repressão dos protestos no Irã. Ontem, Ahmadinejad exigiu que Obama não se meta em assuntos iranianos, acusando-o de ser igual ao ex-presidente George W. Bush. "O senhor Obama cometeu um erro. A pergunta é por que ele caiu nessa armadilha e disse coisas que Bush costumava dizer?", disse Ahmadinejad. "Espero que não interfira nas questões iranianas e expresse arrependimento."

O governo dos EUA negou as acusações. "Eu colocaria o presidente Ahmadinejad na lista de pessoas que estão tentando colocar os EUA no centro desse problema", declarou Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca.

Para analistas, o impasse dividiu a elite que governa o Irã e a luta entre conservadores e moderados passou para os bastidores. Mousavi teria hoje o apoio dos ex-presidentes Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohamed Khatami e do aiatolá Hussein Ali Montazeri. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, que não costuma se envolver em disputas políticas, apoia Ahmadinejad.

Estadão

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