sexta-feira, 19 de junho de 2009

Líder supremo do Irã defende eleição e exige fim dos protestos

TEERÃ - O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, endossou nesta sexta-feira, 19, o resultado das eleições que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad e pediu que a oposição ponha um fim aos protestos que tomaram conta da capital, Teerã, nesta semana. Em seu primeiro pronunciamento à nação desde as eleições, Khamenei aproveitou a tradicional oração de sexta-feira para afirmar que o resultado do pleito foi justo, mostrando o quanto o povo iraniano apoia o regime, e alertou que os protestos eram inaceitáveis e que suas lideranças seriam responsabilizadas por qualquer derramamento de sangue ocorrido nas manifestações.

A oposição cancelou um protesto marcado para esta sexta-feira, mas disse que haverá novas passeatas no sábado. A ausência do líder reformista derrotado nas eleições, Mir Hussein Mousavi, foi notada pelos fiéis que estavam na Universidade de Teerã, onde Khamenei fez sua primeira aparição pública desde que apoiou a vitória de Ahmadinejad, no sábado. Em um sermão para dezenas de milhares de pessoas, o religiosos destacou o fato de que cerca de 40 milhões de iranianos - 85% da população - apoiaram com seu voto os princípios da revolução.

"O resultado da eleição provém das urnas, não das ruas", afirmou o líder supremo. Ele ainda condenou o que qualificou de interferência de potências internacionais. "Após os protestos, algumas potências estrangeiras começaram a interferir nos assuntos de Estado do Irã questionando o resultado da votação. Eles não conhecem a nação iraniana. Condeno firmemente esse tipo de interferência". "As declarações dos funcionários americanos sobre direitos humanos e limites ao povo não são aceitáveis porque eles não têm ideia sobre direitos humanos, como o que fizeram com o Afeganistão, com o Irã e em outras partes do mundo. Não precisamos de conselhos de direitos humanos deles".

Diante dos gritos de "morte aos EUA", Khamenei elogiou Ahmadinejad, afirmando que ele é bastante trabalhador e rechaçou a ideia de que o pleito tenha sido fraudado. "A República Islâmica nunca vai manipular votos e cometer traição", afirmou. "A estrutura legal do país não permite fraudes eleitorais". Khamenei acusou os inimigos do Islã de tentar provocar inquietação entre os muçulmanos, e qualificou de "terremoto político" e de uma "festa histórica" as eleições presidenciais do último dia 12, que a oposição denunciou como fraudulentas.

A esperada manifestação de Khamenei ocorreu na Universidade de Teerã, cena de vários choques entre policiais e estudantes nos últimos dias, depois de vários dias consecutivos de atos públicos realizados por partidários do rival de Ahmadinejad, Mir Hussein Mousavi. Segundo a BBC, alguns dos atos foram os maiores desde a Revolução Islâmica, há 30 anos.




O líder supremo ordenou o fim dos protestos nas ruas e insistiu que é "natural" que as pessoas apoiem diferentes candidatos, mas que a imprensa estrangeira era a responsável por retratar os partidários de Mousavi como opositores da Revolução Islâmica. As autoridades já prenderam centenas de pessoas que consideram opositores do regime, bloquearam acesso a vários websites e restringiram o trabalho de jornalistas.

Mousavi e dois outros candidatos derrotados no pleito apresentaram mais de 600 alegações de irregularidades ao Conselho dos Guardiães, que é a mais alta autoridade eleitoral. Entre as queixas estão a falta de cédulas, pressão exercida sobre eleitores para votar em um determinado candidato e o impedimento do acesso de representantes de candidatos nas secções eleitorais. O conselho convidou os três candidatos para uma reunião no sábado para discutir suas objeções à condução do pleito.

Ahmadinejad defendeu sua vitória em um discurso pela TV iraniana na quinta-feira que, de acordo com correspondentes, é um sinal de que ele está levando os protestos mais a sério. "Nesta eleição, a vitória pertence aos 70 milhões de iranianos e aos 40 milhões que participaram da votação. Todos são vitoriosos", afirmou.

Estadão

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