quarta-feira, 17 de junho de 2009

Para conter informação de protestos, Irã prende 11 jornalistas


TEERÃ - Em uma tentativa de controlar informações dos protestos da oposição pelos resultados da eleição da semana passada, o governo do Irã reforçou sua campanha de intimidação ameaçando a imprensa. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, jornalistas foram detidos desde o dia da eleição e outros dez estão desaparecidos.

Autoridades restringiram os jornalistas, incluindo iranianos trabalhando para a mídia estrangeira, de reportar das ruas. Eles poderiam na prática apenas trabalhar de seus escritórios, com entrevistas por telefone e dependendo das imagens da imprensa estatal. Alguns enviados especiais estrangeiros foram forçados a deixar o Irã, porque o governo se recusou a ampliar os vistos daqueles que foram cobrir as eleições da última sexta-feira. O presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado vencedor com folga, porém partidários do moderado Mir Hussein Mousavi reclamam de fraudes generalizadas.

A Reuters, sediada em Londres, incluiu em suas matérias um aviso, deixando claro que a cobertura estava sujeita a restrições. A CNN usou imagens extraídas de sites como Facebook e Twitter, explicando que tentava usar a "criatividade" para cobrir um evento sob as restrições oficiais. O governo iraniano também tentou impedir que seus cidadãos divulgassem informações. Os serviços de internet e celulares tiveram interrupções na terça-feira, com longos atrasos para conexão. Muitos sites, incluindo alguns que apoiavam Mousavi, foram bloqueados.

Segundo a Repórteres Sem Fronteiras, alguns correspondentes foram notificados de que seus vistos não serão renovados, e muitos foram vítimas de violência policial. Um dos membros da equipe da TV italiana RAI e um repórter da Reuters foram agredidos por policiais na capital, a equipe da BBC foi ameaçada e os correspondentes das TVs alemãs ARD e ZDF foram proibidos de deixar o hotel no sábado, um dia após a eleição. A ONG afirma ainda que dois jornalistas da rede holandesa Nederland 2 foram presos e expulsos. A repórter espanhola Yolanda Alvarez, da TVE, foi deportada com toda a sua equipe.

O professor universitário Hamid-Reza Khalipour e o analista político Said Laylaz, ambos partidários do reformismo no Irã, foram detidos, confirmaram à Agência Efe familiares e amigos de ambos. Laylaz foi detido em sua casa na madrugada por um grupo de homens que o levaram a um lugar desconhecido, explicou uma pessoa próxima a ele.Khalipour, que apoiou nos últimos meses a campanha presidencial de Mousavi, também foi preso. Segundo sua família, seu computador foi apreendido durante sua detenção.

Desde o sábado passado, quando começaram os protestos contra a polêmica reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, as autoridades do país detiveram centenas de partidários do movimento reformista, que denuncia irregularidades no pleito. Um dos detidos destaca é o ex-vice-presidente do Irã Mohamad Ali Abtahi, que ocupou o cargo no último governo reformista no país.

A ONG diz ainda que forças de segurança ocuparam os escritórios de jornais para ler os artigos que serão publicados e censurá-los. Até mesmo fontes governamentais teriam sido alvo da censura. Quatro oficiais do Ministério do Interior foram presos por fornecer resultados diferentes dos anunciados pelos aliados de Ahmadinejad. Quatro jornais reformistas foram fechados, entre eles o Kalameh Sabaz, diário do candidato reformista derrotado Mousavi.

Internet

Autoridades ainda lançaram uma ofensiva contra a internet, bloqueando todos os sites que aparentemente desafiam Ahmadinejad. A ONG cita os endereços www.entekhab.ir (bloqueado desde 11 de junho), www.ayandenews.com (desde 12 de junho) e os sites pró-Mousavi www.norooznews.ir (de notícias do partido reformista) e www.ghalamsima.com. Sites como o YouTube e o Facebook são dificilmente acessados. A rede de serviço de telefonia móvel também apresenta problemas. O serviço de SMS foi bloqueado desde 12 de junho para conter o uso do Twitter, que permite postagem pelo celular.

Imagens e vídeos vazaram, apesar disso, em uma mostra de o quanto é difícil contar o fluxo de informações na era da internet. As restrições impostas pelo governo tornou mais importantes redes de relacionamento social, como o Twitter e o Flickr. Os iranianos estavam postando informações na internet, porém não se sabe o quanto delas podia ser acessada dentro do país. E ainda que alguns dos posts no Twitter aparentemente eram de usuários de Teerã, outros seguramente não eram.

A Guarda Revolucionária iraniana, a mais poderosa força militar da república islâmica, recomendou a sites e blogs na internet que removam materiais que "provocam tensão" ou enfrentem as consequências jurídicas.


Estadão


O Brasil declarou (Min Amorim) que deve-se respetar o resultado das eleições.

Novamente a aproximação do presidente "homem bomba", com o Itamaraty (deveria ter ficado calado).

Será que o apoio às eleições tem haver com as fraudes eleitorais brasileiras, com suas urnas eletrônicas extremamente "seguras"!

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