domingo, 28 de junho de 2009

Presidente de Honduras é detido por militares e levado para a Costa Rica


O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido neste domingo (28) por militares e levado para instalações da Força Aérea, informou seu secretário particular, Eduardo Enrique Reina. O governo da Costa Rica confirmou que Zelaya está a salvo no país, na qualidade de "hóspede", após ter sido tirado à força da capital Tegucigalpa.

Reina disse à imprensa local que, "com muita preocupação, a Guarda de Honra informou que o presidente foi detido pelos militares e levado a [instalações da] Força Aérea".

Além de pedir ao povo e aos políticos hondurenhos que se "manifestem em defesa da democracia", o secretário afirmou que o caso "já foi denunciado à comunidade internacional".

Zelaya foi detido por militares entre 5h e 6h (8h e 9h de Brasília). No momento da prisão, ele estava no palácio presidencial, que permanece cercado por cerca de 300 soldados.

A detenção do chefe de Estado aconteceu aproximadamente duas horas antes do início da "consulta popular" convocada por Zelaya para votar uma reforma constitucional, declarada ilegal por órgãos como o Parlamento e a Suprema Corte e que daria à possibilidade de sua reeleição.

Pouco mais de uma hora depois da detenção de Zelaya, por volta das 7h (10h de Brasília), a transmissão das rádios foi interrompida por instantes, mas voltou ao normal após alguns minutos.

Os meios de comunicação estão pedindo à população que fique em casa e aguarde um comunicado oficial de uma autoridade não especificada.

A recusa das Forças Armadas em colaborar com o presidente na consulta mantinha o país numa situação de crise política há alguns dias.

Na quarta-feira, Zelaya destituiu o chefe das Forças Armadas hondurenhas, Romeo Vásquez.

Dois dias depois, o presidente disse que Vásquez continuava no cargo e que apenas havia anunciado a destituição do oficial, não chegando a executá-la.

Carros blindados e tanques saíram às ruas da capital Tegucigalpa, horas depois de o presidente ter sido detido pelas Forças Armadas. Os veículos militares tomaram as ruas que dão acesso à residência presidencial. A Agência Efe observou que foram deslocados a diferentes pontos da cidade, enquanto aviões caça sobrevoam a cidade.

Cerca de três mil simpatizantes de Zelaya protestam em frente à sede do governo, que permanece isolado por um forte dispositivo militar de segurança, sem que até o momento incidentes tenham sido registrados, informaram os organizadores da manifestação.

"Estamos fazendo uma resistência pacífica e estamos convocando uma greve geral a partir de amanhã", afirmou à Agência Efe o presidente do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos em Honduras (Codeh), Andrés Pavón, um dos organizadores da manifestação.

Costa Rica
A ministra da Segurança da Costa Rica, Giannina Del Vecchio, confirmou à rede de televisão "CNN" que Zelaya aterrissou há pouco mais de uma hora no aeroporto Juan Santamaría, na capital do país.

Disse também que se encontra em perfeito estado de saúde e que foi "sequestrado". Um porta-voz da presidência costarriquenha também confirmou à Agência Efe a presença do líder hondurenho, em traslado que teria contado com sinal verde do presidente Óscar Arias.

Del Vecchio assegurou que conversou com Zelaya e que ele mesmo explicou que foi levado a San José pelos mesmos militares que o tiraram de sua casa pela manhã "sequestrado".

A ministra acrescentou que tanto o avião militar que trouxe o presidente Zelaya como seus ocupantes já deixaram a Costa Rica, e que só o governante hondurenho permanece no país, onde ficará em um hotel.

Arias e Zelaya se falaram por telefone, e o governante hondurenho deve participar de uma coletiva de imprensa nas próximas horas.

"A Costa Rica é um país que se caracterizou por dar hospitalidade a pessoas que por diferentes razões devem sair de seus países", argumentou Del Vecchio sobre a decisão de San José de dar amparo a Zelaya.

Repercussão
A União Europeia condenou o golpe militar em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya e pediu a imediata restituição da ordem constitucional, anunciou o ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, também divulgou um comunicado dizendo que "condena o golpe que um grupo de militares" realizou neste domingo contra o presidente de Honduras, Manuel Zelaya.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também se pronunciou a respeito do "golpe de Estado troglodita" cometido contra seu colega de Honduras, Manuel Zelaya, e destacou que "chegou a hora do povo" e dos movimentos sociais desse país.

Chávez pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "que se pronuncie", já que, disse, "o império tem muito a ver" com o que acontece em Honduras.

Dirigindo-se aos militares hondurenhos, o presidente venezuelano disse para estes ignorarem as ordens da "burguesia, dos ricos", que estariam empenhados em evitar que o povo se pronuncie sobre seu futuro.

Segundo Chávez, os países da região agrupados na Aliança Bolivariana das Américas (Alba), à qual pertence Honduras, "farão tudo o que estiver ao seu alcance para restituir" o governo constitucional do país centro-americano.

"Estamos diante de um golpe troglodita contra um povo, contra um presidente que está propondo uma consulta" que, além de tudo, "não é vinculativa (de cumprimento obrigatório)", declarou Chávez numa entrevista à rede de TV "Telesur", retransmitida simultaneamente pela estatal venezuelana "VTV".

O chefe de Estado disse que por trás do golpe "está a burguesia, os ricos", que, seguindo, as linhas imperialistas "transformaram Honduras numa base terrorista dos Estados Unidos".

Chávez destacou a "coragem" da chanceler hondurenha, Patricia Rodas, com quem, disse, vem mantendo contatos desde o começo da manhã e que agora trabalha "para fazer contatos com os movimentos populares".

O povo "está saindo às ruas" em defesa da democracia, mas "está desarmado", disse Chávez, que afirmou ter certeza de que há militares patriotas em Honduras.

O presidente venezuelano declarou que fez contatos com os outros membros da Alba, integrada por Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, Honduras, Dominica, Antígua e Barbuda, São Vicente e Granadinas, para coordenar ações e medidas frente à situação em Tegucigalpa.

*Com informações da EFE

Um comentário:

A Língua! disse...

ESSA "EFE" É NEM UM POQUINHO "KACHORRINHA" DE BURRO-CHÁVEZ, HEIN?????

CACETE!