terça-feira, 9 de junho de 2009

Vôo AF 447 da Air France Capítulo 17 - O árduo trabalho da FAB e da Marinha do Brasil

As Forças Armadas anunciaram nesta noite em Recife (PE) que mais 13 corpos de vítimas do voo AF 447 foram resgatados na área de busca. No total, 41 corpos já foram recolhidos, de acordo com o tenente-brigadeiro Ramón Borges Cardoso, da Aeronáutica. O Airbus A-330 da Air France caiu no mar na segunda-feira (1º) de madrugada enquanto fazia a rota Rio-Paris com 228 pessoas a bordo.

Dezesseis corpos já estão em Fernando de Noronha (PE) e 25 estão sendo transportados pela fragata Bosísio até o arquipélago. "A fragata Constituição já está deixando a proximidade de Fernando de Noronha para fazer a busca dos corpos na fragata Bosísio. Todos os corpos que foram avistados foram recolhidos", disse o tenente-brigadeiro.

Segundo Cardoso, os 25 corpos devem chegar a Fernando de Noronha (PE) na quinta-feira (11). "Para a fragrata Bosísio havíamos planejado o transporte de 20 corpos. Como havia espaço, nós utilizamos o espaço disponível."

Sobre as buscas, o tenente-brigadeiro afirmou: "nossa maior dificuldade é a meteorologia, o que poderá fazer com que as operações de resgate demorarem mais. Nosso cálculo é de 40 minutos por cada operação de helicóptero para resgatar os corpos nos navios. Cada helicóptero comporta oito corpos."

De acordo com Cardoso, os destroços que estão nos navios brasileiros serão trazidos em algum momento para Recife e depois serão entregues à França. "Já os corpos não irão para França", afirmou.

Os corpos, segundo o tenente-coronel, estão sendo avistados em uma velocidade "um pouco acima do esperado". "Hoje, nenhum avistamento deixou de ser recolhido. Amanhã de manhã continuaremos as operações e ampliaremos nossa área de busca para o norte, para onde as correntes estão indo", acrescentou.

Segundo Cardoso, amanhã as buscas entrarão na área marítima de Dacar, pois alguns corpos devem estar na região. "Já mantivermos entendimento para que aviões e navios possam fazer suas buscas nessa região."

O tenente-brigadeiro comentou os trabalhos dos peritos da Polícia Civil e do IML (Instituto Médico Legal) em Fernando de Noronha e afirmou que os corpos devem chegar à Recife na quarta-feira à tarde. "É um trabalho bastante demorado. O planejamento é trazê-los no período da tarde. Estimamos que seja às 15h desta quarta."

Cinco embarcações francesas estão a caminho do local das busca, segundo o capitão da Marinha Giucemar Tabosa: "o submarino nuclear deve chegar amanhã, assim como o navio Mistral, com um helicóptero à bordo. Um navio-pesquisa e dois rebocadores de alto mar devem chegar na sexta-feira".

Os navios franceses também trabalharão com salvo-aéreo. "A medida que forem avistados materiais, eles serão informados e irão ao local. Porém, o principal objetivo deles é recolher destroços", disse Tabosa.

A TEMPESTADE:

Uma imagem captada por um satélite da Eumetsat (Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos) às 23 horas do domingo (31) revela que o Airbus da Air France que caiu no mar com 228 pessoas a bordo no dia 31 de maio cruzou uma tempestade de nuvens aglomeradas a uma temperatura de 83°C negativos. Os dados foram captados pelo satélite Meteosat-9 e processados pela estação meteorológica localizada na Universidade Federal de Alagoas. Quatorze minutos após o momento de registro da imagem pelo satélite, o avião enviou a última mensagem automática informando que houve despressurização.

Com base nos dados captados no momento em que o voo AF 447 cruzava a região do oceano (a cerca de 565 km de Natal-RN), o coordenador da estação e doutor em sensoriamento remoto pela Universidade do Arizona (EUA), Humberto Alves Barbosa, meteorologista, aponta uma nova teoria para o acidente. Ele acredita que a aeronave pode ter enfrentado condições climáticas inéditas em percursos aéreos.

Para Barbosa, a situação climática no momento do acidente pode ser decisiva para explicar a tragédia.

"Alguns dos aglomerados convectivos podem ter se intensificado muito rapidamente durante a passagem do avião. As temperaturas de brilho (nos topos das nuvens) apresentaram valores de -83 ºC. Pode ter havido condições únicas encontradas pelo avião na passagem da região, que apresentava alta turbulência", explicou, acrescentando que "isso leva à especulação de que turbulências nas proximidades das tempestades de rápido desenvolvimento podem ter desempenhado um papel no acidente".

Uma situação como essa é considerada muito rara numa área de rota de voo. "É a primeira vez que vi uma situação na vida numa rota de voo", disse Barbosa.

Para explicar o que são "aglomerados convectivos", ele usa como exemplo o algodão-doce. "É como você apertar vários desses algodões até eles não terem mais condições de comprimirem. Foi isso que aconteceu com as nuvens, o que teria ocorrido a uma temperatura baixíssima", exemplifica.

"Pior que um furacão"
Caso a temperatura tenha mesmo sido a calculada pela estação, o avião teria encontrado um cenário pior que o de um furacão. "Um furacão, em média, alcança 70°C negativos. Ela pode ter reduzido significativamente a velocidade do avião. Daí, o piloto automático teria de corrigir esta perda de velocidade por meio dos sensores, que também podem ter entrado em colapso com a tempestade", afirma. Uma outra teoria apontada como suposto motivo para o acidente seria falha dos sensores de velocidade dos modelos Airbus 330 e 340.

A queda na velocidade também é apontada pelo meteorologista como uma hipótese complementar para o acidente. "Com a intensificação da turbulência, é normal que a velocidade da aeronave caia significativamente devido ao atrito do ar, somado à presença de partículas de gelo e de água super congelada. À medida em que a aeronave atravessa a tempestade, por causa da corrente de vento em alto nível, a situação só piora. Ou seja, na hora pode ter acontecido uma 'tempestade perfeita', somente naquele instante", afirma.

Segundo ele, esses dados não foram repassados ou solicitados por autoridades que investigam o acidente, embora ele acredite que a situação climática seja decisiva para explicar a tragédia. "Existem outras imagens de satélites. Porém, essas mostram exatamente o núcleo do aglomerado convectivo e a temperatura de -83°C. Esse cálculo é resultado de uma tecnologia desenvolvida aqui na Ufal", explicou Barbosa.

Ainda segundo o professor, devido à falta de cobertura por radar na região, satélites como o Meteosat-9 acabam sendo a única fonte de dados meteorológicos sobre oceanos.

GRÁFICO DA AERONÁUTICA MOSTRA DISTÂNCIAS NO TRANSPORTE DOS CORPOS

UOL

Nenhum comentário: