segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vôo AF 447 da Air France Capítulo 5


PARIS - Um Airbus A330 da companhia Air France, que seguia do Rio de Janeiro para Paris, desapareceu do controle dos radares em frente ao litoral do Brasil, segundo afirmam autoridades brasileiras e francesas. A aeronave, que levava 228 pessoas, saiu do Aeroporto do Galeão às 19 horas de domingo e deveria chegar a Paris nesta segunda-feira às 6h10, hora de Brasília.

As primeiras informações são de que, durante a madrugada, a aeronave não foi detectada pelos radares da Ilha do Sal, que fica entre Brasil e Europa. Segundo o ministro dos Transportes da França, Jean-Louis Borloo, o avião está desaparecido há mais de 5 horas e as inquietações são as mais graves. "Infelizmente tememos o pior, a situação é alarmante". Por volta das 7h35 (hora de Brasília), um porta-voz da Air France afirmou que "não há nenhuma esperança de localizar o avião". A área de busca pela aeronave é bem grande, e compreende a região entre o arquipélago de Fernando de Noronha, a costa do Marrocos e a Espanha.


Segundo autoridades do controle de tráfego aéreo francês, a aeronave fez o último contato por volta das 22 horas (de Brasília), pouco antes de passar para o controle aéreo da África. O piloto relatou que o avião atravessava uma forte zona de turbulência e a conversa foi interrompida bruscamente. Desde então, a torre de controle perdeu o contato. A Air France afirmou que, por volta das 11h14 de Brasília, o avião ainda emitiu um sinal de pane no circuito elétrico depois da turbulência. Um porta-voz da empresa disse ainda que o aparelho pode ter sido atingido por um raio.

Segundo a empresa, aeronave levava 216 passageiros e 12 tripulantes, entre eles os três pilotos. Não há informações sobre a lista de passageiros, mas a Air France afirmou que entre os 216 passageiros estão um bebê, sete crianças, 82 mulheres e 126 homens. O voo AF447 da companhia francesa aparece como "atrasado" nas telas de informação do aeroporto Charles de Gaulle. Um centro de monitoramento de crise já foi aberto pela companhia aérea no aeroporto em Paris e as famílias de passageiros são atendidas no local, sem contato com a imprensa.

Um avião militar francês deixou uma base no Senegal para participar das buscas da aeronave da Air France. A aeronave será usada nas buscas, um Breguet Atlantique, partiu da principal base militar francesa em Dacar. O Atlantique é um avião de reconhecimento de longo alcance. A Força Aérea Brasileira também foi mobilizada para iniciar as buscas do avião e enviou dois aviões - P95 e C130 - com equipes especializadas em busca e resgate para a região do arquipélago de Fernando de Noronha.

"A Força Aérea já foi mobilizada, durante a madrugada, para que assim que nascesse o sol iniciasse as buscas do avião", afirmou o porta-voz da Aeronáutica, coronel Henry Munhoz, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. "O nosso departamento de controle do espaço aéreo tem uma área de cobertura que corresponde a três vezes a dimensão do Brasil. Boa parte do Oceano Atlântico está sob a responsabilidade do Brasil, de acordo com tratados internacionais. Por esse motivo, então, o Brasil iniciou as buscas", explicou. Segundo a FAB, o avião estava "bem avançado no Atlântico" quando fez o último contato".

"A preocupação é muito grande. O avião desapareceu dos monitores de controle há várias horas. Pode ser uma falha técnica dos radares, mas este tipo de avaria é pouco comum e o avião não pousou às 11h10 (de Paris) como estava previsto", afirmou uma autoridade aeroportuária de Paris, segundo a AFP.

Em nota, o Palácio do Eliseu afirmou que lamenta a notícia e pediu para que o ministro dos Transportes acompanhe a situação diretamente no aeroporto. O governo francês afirmou ainda que fará o possível para localizar o aparelho e prestar o auxílio necessário às famílias dos passageiros.

(Com Rosana de Cássia e Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo)

PARIS - O desaparecimento do voo 447 na madrugada desta segunda-feira, 1, já é considerado o maior acidente das companhias Air France e Airbus. A aeronave fazia o trajeto Rio-Paris com 228 pessoas a bordo. O acidente é o primeiro registrado com a versão A330-200 da Airbus.


Os dois últimos acidentes com aeronaves da Airbus aconteceram em 2008. O acidente mais grave foi registrado em 1994, quando um A300-600R da companhia taiuanesa China Airlines caiu no aeroporto de Nagóia (Japão), matando 264 pessoas. O segundo foi em 2001, quando a queda de um A300 da American Airlines no distrito de Queens, em Nova York, matou 255 pessoas. A aeronave caiu pouco depois de decolar da cidade americana rumo a Santo Domingo, capital da República Dominicana.

O último acidente registrado pela Air France tinha sido em 3 de agosto de 2005. Na ocasião, um Airbus A340 saiu da pista ao aterrissar em Toronto, no Canadá, deixando 43 feridos.

Em 25 de julho de 2000, um Concorde pegou fogo ao decolar no aeroporto de Roissy e caiu em Gonesse, próximo a Paris. O acidente matou 113 pessoas.

Na década de 90, a companhia aérea registrou outros três acidentes. Em junho de 1998, um Airbus A320 caiu em Habsheim, na França, matando três pessoas e ferindo 120. Em setembro de 1993, um Boeing 747-400 saiu da pista ao aterrissar em Papeete (no Taiti) e parou em um lago, deixando três feridos. Outro Airbus A320, em janeiro de 1992, caiu no monte Sainte-Odile (leste da França), deixando 87 mortos.

Os outros acidentes foram registrados nos anos 60. Em setembro de 1968, um Caravelle caiu em Cap d'Antibes, na França, deixando 95 mortos. Um acidente com um Boeing 707, próximo a Paris, deixou 130 mortos em março de 1962, após decolar de Orly.


O Estado de S. Paulo

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