segunda-feira, 20 de julho de 2009

A 1ª Guerra Mundial: Capítulo 7 - Pronto para morrer!

A caminho do front, alemão conta que pediu aos pais
que não esperassem sua volta – Para ele, vitória de seu Exército é certa
– Momento 'maravilhoso' justificaria os sacrifícios de seu país


Como é partir para a guerra sabendo que você pode nunca mais voltar? Escrevi numa carta aos meus pais: "Seria uma boa coisa se vocês se acostumassem à idéia de que nunca mais verão a mim e a meus irmãos". Assim, se a má notícia vier mesmo, eles serão capazes de recebê-la com muito mais tranquilidade. E, se voltarmos para casa, poderemos aceitar essa alegria como algo inesperado, como um gracioso presente de Deus.

Como você consegue lidar de forma tão objetiva com a possibilidade de morrer na guerra? Acredite, estou sendo sincero. O assunto é sagrado demais para mim para que eu seja capaz de simplesmente inventar algumas frases sobre esse assunto.

Os outros soldados também pensam dessa forma? Essa é simplesmente a missão de cada um de nós. E esse sentimento é universal entre os soldados, especialmente desde a noite em que a declaração de guerra da Grã-Bretanha foi lida no quartel. Ninguém conseguiu dormir até as 3 horas da manhã. Estávamos tão cheios de animação, fúria e entusiasmo... É uma alegria partir para o front com esses camaradas. Nosso destino é a vitória!

E se a Alemanha perder? Nenhuma outra opção é possível diante de tamanha disposição para vencer. Devemos ter orgulho de viver nestes tempos e nesta nação. Para os alemães, mandar seus entes queridos para essa gloriosa luta é um privilégio.

Como estava o ânimo do pelotão na hora de embarcar? Nossa marcha à estação de trem foi uma experiência cativante e edificante. Uma marcha dessas costuma ser assombrada pelo peso de sua importância e perigo. Mas tanto os que estavam partindo como os que ficaram para trás estavam tomados pelos mesmos pensamentos e emoções. Havia tanto entusiasmo! O batalhão todo com capacetes e túnicas decorados com flores, lenços sendo agitados no ar, gritos e aplausos, e sempre a maravilhosa confiança dos soldados...

Muitos dos seus amigos não voltarão. É um preço justo a pagar por uma vitória militar? Este momento é tão único na vida de uma nação, é tão maravilhoso e emocionante, que oferece compensação suficiente para seus muitos sofrimentos e sacrifícios.


Walter Limmer, morador de Leipzig, integrante do Exército da Alemanha, morreu logo nas primeiras semanas da guerra. Contraiu tétano e passou seus últimos dias num hospital militar em Luxemburgo.


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