sexta-feira, 24 de julho de 2009

Com guerrilheiros da Nicarágua, Zelaya inicia retorno a Honduras


O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, iniciou nesta quinta-feira seu retorno ao país depois de decretar o fracasso do diálogo por uma solução à crise. Acompanhado de guerrilheiros sandinistas e muitos jornalistas, Zelaya vai de jipe até a cidade nicaraguense de Estelí, na zona da fronteira com Honduras, de onde disse que vai planejar seu retorno ao país.

Segundo o jornal hondurenho "Hondudiario", a viagem de Zelaya pela fronteira será acompanhada por guerrilheiros sob as ordens de Edén Pastora, conhecido como comandante zero, que participou da derrubada do governo de Anastasio Somoza, na Nicarágua.

Em entrevista coletiva, Pastora afirmou que o problema hondurenho será resolvido apenas pela "via das armas" e rejeitou os esforços do mediador, o presidente costarriquenho, Oscar Arias, por uma saída diplomática.

A caravana de Zelaya é composta ainda pelo chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, a ex-chanceler de Honduras Patricia Rodas e outros funcionários de seu governo. Todos estão na pequena cidade a espera das ordens de Zelaya para que atravessem a fronteira.

Apesar das recentes declarações de insurreição e guerra civil, Zelaya afirmou que espera um diálogo na fronteira e alertou que entrará desarmado e proclamando a reconciliação do povo hondurenho.

Resistência

O governo interino, que decretou o triunfo da terceira rodada de negociações mediadas por Arias, ampliou o toque de recolher e reiterou que, se entrar no país, zelaya será preso. As fronteiras permanecem ainda vigiadas pelo Exército hondurenho.

Em cadeia nacional de rádio e televisão, o governo de Roberto Micheletti, que assumiu em 28 de junho passado por designação do Parlamento, depois do golpe de Estado contra Zelaya, anunciou que o toque de recolher na fronteira com a Nicarágua começa hoje às 18h (21h no horário de Brasília) e finaliza às 6h da amanhã (9h no horário de Brasília).

No resto do país, segundo o anúncio oficial, o toque de recolher está mantido de meia-noite às 4h30 (3h às 7h30 no horário de Brasília).

Novo impasse

O anúncio da nova tentativa de retorno a Honduras foi feito por Zelaya depois do fracasso da rodada de negociação entre os dois lados na noite desta quarta-feira (22) em San José, capital da Costa Rica. O presidente costarriquenho, mediador das conversações, disse que o chamado Acordo de São José, apresentada nesta quarta-feira, seria sua última proposta para resolver a crise política hondurenha.

O texto, que prevê o retorno de Zelaya ao poder, à frente de um governo de união nacional, e a anistia aos líderes que o derrubaram, foi rejeitado pelo presidente deposto e recebido como um sinal positivo de reconhecimento pelo governo interino, que, no entanto, não parece disposto a permitir um retorno consensual do presidente deposto a Honduras, e muito menos ao poder. Os negociadores disseram que a proposta dependeria de concordância dos três poderes de Honduras, que já se manifestaram várias vezes contra o retorno de Zelaya.

Valentin Suárez, dirigente da bancada do Partido Liberal (governista), disse que a maioria dos parlamentares votará contra a proposta de Arias. "O Executivo, o Judiciário e o Congresso não podem estar errados", disse Suárez. "Essa é uma recomendação louca para Honduras."

Arias, que ganhou o Nobel da Paz por seu papel no fim de conflitos da América Central nos anos 80, disse os hondurenhos deveriam recorrer à OEA em busca de um novo mediador em caso de rejeição de sua proposta.

Nesta quinta-feira, o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, pediu ao presidente hondurenho deposto e ao presidente interino do país que optem pela reconciliação e respondam "positivamente" e "logo" à proposta de Arias, mas os últimos movimentos apontam para o esgotamento dessa alternativa.

Além da pressão externa, o governo interino tem a oposição de sindicalistas do setor público, professores e ativistas da Frente Nacional de Resistência, que consideram ter havido um golpe de Estado de Honduras. Eles bloquearam nesta quinta-feira várias estradas, em manifestação para exigir o retorno de Zelaya.

O movimento social, forte especialmente entre os sindicatos de professores, conseguiu também nesta quinta-feira paralisar o trabalho nas escolas e em alguns órgãos públicos de Honduras, em um momento em que a tensão política cresce no país e em que policiais estão em greve por maior salário.

Histórico

Zelaya foi deposto nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça. Com apoio da Suprema Corte e do Congresso, militares detiveram Zelaya e o expulsaram do país, sob a alegação de que o presidente pretendia infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país.

O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apoia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado --e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano, Hugo Chávez-- para desafiar a autoridade de Micheletti e retomar o poder.

Isolado internacionalmente, o presidente interino resiste à pressão externa para que Zelaya seja restituído e governa um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar --além da cúpula da Igreja Católica-- unida em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será entregue apenas ao presidente eleito em novembro --as eleições estavam marcadas antes da crise.

Mas a pressão externa não é apenas diplomática, e o governo de Micheletti começa a enfrentar a suspensão de financiamentos externos cruciais para as finanças de um dos países mais pobres do continente. O impacto desses cortes, que se somam aos efeitos da crise econômica mundial, é um dos elementos que pesam nas decisões do governo interino em meio à crise.


Folha online


Será que Chavez conseguirá seu Banho de Sangue em Honduras?
Bem debaixo dos narizes dos presidentes mais "democrátas" da América?
Bem...
Pela foto, percebemos que o único vermelho que teremos lá será sangue e não as bandeiras nojentas bolivarianas.
Obama pagará caro por sua omissão!

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