quinta-feira, 2 de julho de 2009

Honduras: As especulações e bravatas


terça-feira, 30 de junho de 2009 | 22:47

Já publiquei aqui vários artigos da Constituição de Honduras desrespeitados por Manuel Zelaya. A Constituição do país tem uma espécie de cláusula pétrea: é proibido propor reeleição e mudar a lei que trata do assunto. O texto é tão duro nisso, que se mobilizar com esse propósito leva o homem público a perder a sua função — e foi isso o que aconteceu com este senhor.

Pois bem: agora nos EUA, Zelaya diz que volta na quinta para Honduras para “recuperar” o seu mandato e que vai manter a sua proposta de reforma — e isso quer dizer que, mesmo fora do poder, ele promete que pretende continuar a desrespeitar as leis de seu país. É um escracho!

Ele anunciou que vão acompanhá-lo no suposto retorno a Honduras a presidente da Argentina, Cristina Kirchner; o semiditador do Equador, Rafael Correa; o presidente da Assembléia Geral da ONU, o sandinista Miguel Quase Trocadilho D’Escoto, e o secretário-geral da OEA, o esquerdista do miolo mole (pró-Cuba e pró-Chávez) José Miguel Insulza. O governo provisório de Honduras declara que, se Zelaya voltar, será preso.

Cristina em Honduras? É… A chance de ela ser vaiada em Tegucigalpa é certamente menor do que em Buenos Aires. Seu governo acaba de ser fragorosamente derrotado nas urnas. Vai ver Cristina acredita que as suas Malvinas estão em Honduras, né? Sem contar que há o risco de espalhar a gripe suína naquele valoroso país.

Ah, sim. Além de prometer que continuará a desrespeitar a Constituição caso reempossado, ele também anuncia a punição dos “golpistas”. Com ou sem invasão de exércitos estrangeiros???


##############################################################


FALA O GENERAL QUE TIROU GOLPISTA DE HONDURAS

terça-feira, 30 de junho de 2009 | 22:25

Leiam, abaixo, matéria publicada no El Nuevo Herald. O general Romeo Vásquez, que comandou a retirada de Honduras de Manuel Zelaya, conta os bastidores da crise. Segundo diz, tentou convencer o presidente a evitar o choque com as decisões tomadas pela Justiça. Em vão. Zelaya queria o confronto. O texto está num espanhol que pode ser lido com mais facilidade do que o português de alguns blogs petralhas.

O general afirma que, ao receber a ordem para dar continuidade ao referendo considerado ilegal pela Justiça, consultou várias advogados, inclusive especializados em assuntos militares. Foi-lhe dito o óbvio. Ele e outros militares foram até Zelaya e indagaram se o presidente dispunha de algum outro parecer jurídico. O presidente, então destituiu todos eles do cargo. Leiam o texto.

Por Frances Robles, em Tegucigalpa:
El general hondureño cuya negativa a cooperar en la celebración de un plebiscito preparó el terreno para la expulsión del presidente de ese país dijo que no se proponía dar un golpe de Estado y que su propósito era defender la Constitución.

“Me siento mal sobre lo ocurrido”, dijo el general Romeo Vásquez. “Hice todo lo posible por aconsejar al presidente que buscara una salida legal a esta situación. No había ninguna. Nadie está por encima de la ley”.

El presidente Manuel Zelaya fue separado a la fuerza de su cargo el domingo cuando el Tribunal Supremo, las fuerzas armadas y el ministro de Justicia determinaron que Zelaya estaba a punto de cometer traición, dijo Vásquez.

La medida ha sido objeto de una repulsa internacional generalizada.

Zelaya había planeado realizar el domingo un referendo que debía preguntar a los electores si querían que en las elecciones de noviembre se usara una cuarta boleta que contemplaba la creación de una Asamblea Constituyente para modificar la Constitución.

Pero el ministro de Justicia y los tribunales decidieron que el referendo era ilegal porque allanaba el camino para modificaciones no contempladas por la Constitución. Zelaya prometió que impugnaría la decisión de los tribunales y ordenó a las fuerzas armadas que se ocuparan de organizar el referendo.

Cuando Vásquez informó a Zelaya que en las filas militares había preocupación sobre hacer algo ilegal, el presidente lo destituyó.

Los militares consultaron a abogados castrenses, al Colegio de Abogados, al Tribunal Supremo y a líderes políticos en busca de opiniones jurídicas, afirmó Vásquez.

“Yo no le dije que me negaba a hacerlo”, dijo Vásquez en una entrevista con The Miami Herald. ‘‘Los jefes militares y yo fuimos a verlo y le dijimos que estábamos listos, pero que había un problema porque se trataba de algo ilegal. Le preguntamos si tenía algún abogado con una interpretación diferente”.

Zelaya despidió a Vásquez y todos los oficiales que estaban en la sala, entre ellos el ministro de Defensa, renunciaron. Cuando los tribunales ordenaron a Zelaya que reintegrara al general en el cargo, Zelaya se negó.

El sábado por la noche, dice Vásquez, lo llamaron a otra reunión, donde se enteró que el Presidente planeaba crear una Asamblea Constituyente. Eso, dijo Vásquez, habría sido “un acto de traición”.

Vásquez dijo que supervisó una misión de 18 puntos para confiscar las boletas en todo el país y capturar al Presidente. Zelaya fue sacado de su dormitorio y enviado a Costa Rica.

“Zelaya es un jefe excelente. Es una buena persona. Yo traté de establecer una amistad con él, pero la amistad termina donde empieza el deber”, dijo Vásquez. “Tuvimos que sacarlo de la zona para evitar cosas peores. Consideramos que si se hubiera quedado en el cargo hubieran sucedido cosas peores y habría habido derramamiento de sangre."

“Ya estaba actuando por encima de la ley”.


###############################################


O PENSAMENTO PROFUNDO DE LULA

terça-feira, 30 de junho de 2009 | 21:38

Perguntam-me, não sei se gente que veio ao mundo sem tecla SAP, por que chamo Lula de Schopenhauer. Por quê? Bem, eu considero o filósofo um exemplo de pensamento complexo e rigoroso, de modo que suas respostas e indagações estão sempre além do óbvio. Ora, esse é Lula, não é mesmo? Eu o tenho como exemplo similar de rigor.

Vi há pouco Lula no Jornal Nacional, com ar grave, tom meio irritadinho, a pedir a volta do bandoleiro Manuel Zelaya a Honduras. Chamou o que considera “golpe de estado” de “desnecessário”. Ontem, reconheceu que Zelaya tentou fazer algo contra a lei, mas indagou o que há de errado em se consultar o povo…

Agora uma pausa. Entre amanhã e o dia 3, a União Africana, que reúne todos os democratas do continente, vocês sabem, realiza a sua 13ª cúpula. O encontro será em Sirte, na Líbia, governada há 40 anos — EU ESCREVI “QUARENTA” — pelo iluminista Muamar Khadafi. Entre outras graças em sua biografia, Khadafi mandou explodir um avião da Pan Am em 1988. Morreram 270 pessoas. Por incrível que pareça, ele assumiu a responsabilidade, aceitando indenizar as famílias. Foi um atentado de uma série. Adiante.

Lula é o convidado de honra do encontro. Até aí, vá lá, diriam os pragmáticos. É convidado, né? Pois é. Ele próprio tentou ensaiar esse discurso em entrevista no Jornal Nacional. Mas Lula é Lula, ou não seria meu Schopenhauer. Indagado se a proximidade com Khadafi não seria contraditória com sua postura sobre Honduras, sustentou que é preciso não confundir as coisas etc e tal e se referiu assim ao homicida em massa, ao ditador: “Uma pessoa que alguns dizem ter problemas com a democracia”.

Entenderam? O presidente interino de Honduras, empossado segundo a Constituição democrática do país, merece o desprezo de Lula. Já Khadafi, o assassino, o ditador, o facinoroso… Bem, sobre esta flor da humanidade, Schopenhauer afirma que “alguns dizem que ele tem problemas com a democracia”.

“Alguns”, entendem? Ele, Lula, é claro!, não diz isso. Ele deve achar que Khadafi tem todo o direito de matar o seu próprio povo e o povo alheio. Khadafi, afinal, é um aliado.

Os petralhas que vêm ao meu blog “cobrar” (como se, aqui, pudessem “cobrar” alguma coisa; desinfeta, cambada!) que eu admita o “golpe” em Honduras certamente concordam com a opinião de Lula sobre Khadafi. Devem achar que é inteligência estratégica. É por isso que o meu desprezo por essa gente é ilimitado.


####################################################################


O MUNDO DOS D’ESCOTOS

terça-feira, 30 de junho de 2009 | 19:31

Gente que deplora o que chama de “golpe” em Honduras, mas que considera Hugo Chávez um democrata; que acha um absurdo (e eu também acho) que se corte temporariamente o sinal de TV de um país, mas que considera legítimo que uma emissora privada seja confiscada na Venezuela; “defensores da liberdade” dessa qualidade, enfim, escrevem para cá: “Você viu? A Assembléia Geral da ONU condenou por unanimidade o golpe, e você vai dizer o quê?” Eu?

O mesmo que vinha dizendo. O mesmo que escrevi com base na Constituição democrática de Honduras. O mesmo que afirmei ao analisar os atos de Manuel Zelaya quando na Presidência: ele é um golpista. Ele, sim, tentou dar golpe nas instituições. Contrariou frontalmente o artigo 239 da Carta de seu país; jogou outros no lixo quando ignorou a corte suprema; enfiou as patas traseiras pelas dianteiras quando de uma ordem ao Exército contra a decisão da Justiça. Ele é golpista.

Se a Assembléia Geral da ONU, sob o comando de um vigarista ideológico e teológico (ele era padre…) como o nicaragüense Miguel D’Escoto não reconhece essa condição, o que tenho com isso? Desde quando a ONU é meu farol? Acho até que já pedi o fechamento desta mega-ONG aqui. Quem gostava da ONU era o filho de Kofi Annan. A ongona fez a fama do pai e a fortuna do filho… Preciso desenhar?

Agora é que fico ainda mais à vontade para denunciar a impostura. Está claro que estamos sob, digamos, a influência de uma metafísica que considera ilegítimos os “golpes militares”, como dizem por lá, mas que se cala diante de golpes civis. Corroer a democracia por dentro; solapá-la com base em consultas populares; “ouvir o povo”, com disse Lula, como mero pretexto para impor ilegalidades, bem, tudo isso está valendo.

QUE A DECISÃO LÁ TOMADA SIRVA DE ADVERTÊNCIA AOS NATIVOS! Sim, aos brasileiros. Saibam: por aqui também, então, um maluco qualquer, se eleito, pode fazer o que bem entender desde que submeta suas maluquices à “consulta popular”. Desde que “0uça o povo”. Aquele equilíbrio entre legal e legítimo, base da civilização democrática, desaparece, e se fica, então, com a voz das ruas. Se o mandatário decidir dar um pé no traseiro da Justiça, como fez Zelaya, o mundo se cala porque isso é “problema interno”. Se ele for deposto segundo a lei — e foi o que aconteceu em Honduras —, bem, aí, então, há essa comoção e exigência para que volte ao poder. OS DITADORES DO MUNDO VIVEM O SEU DIA DE GLÓRIA.

As fraquezas do governo Obama começam a aparecer. Ponham aí na ponta do lápis o número de ditadores no mundo e enumerem as ameaças à ordem democrática. Ao fim de seu primeiro mandato (sim, ele deve ser reeleito, salvo um desastre protagonizado por terroristas, o que rezo para não acontecer), vamos refazer a contagem. E também analisar se o mundo estará mais seguro. E façamos o mesmo depois de oito anos.

O pilantra hondurenho vai agora para a OEA, cujo secretário-geral é o esquerdista bocó José Miguel Insulza. Ele não viu nada demais em Zelaya afrontar a Constituição, a Justiça, o Congresso e dar uma ordem ilegal ao Exército. Mas chama a aplicação da Constituição de golpe. É o mesmo sujeito que elogiou o referendo de Chávez, que lhe concedeu o “direito” à reeleição ilimitada — numa campanha em que a oposição foi praticamente impedida de sair às ruas.

Quando o demônio agora aposentado Jorjibúxi estava no poder, Chávez se tornava mais notável por ser um ditadorzinho caricato — embora tenha espalhado a sua influência muito além da Venezuela. E, pois, foi um erro permitir que prosperasse.. Agora que temos na Casa Branca o Sassá Mutema formado em Harvard, Chávez passou a ser uma liderança continental.

É isso aí. A influência americana está em declínio no continente, para felicidade de muitos. Finalmente temos um presidente dos EUA que presta atenção ao paradigma democrático proposto por iluministas como Daniel Ortega e Hugo Chávez, um poder feito de excesso de orelhas e beiços. O Brasil ainda acaba fornecedo o cérebro a esse monstrengo…

ONU?
Aqui??
No meu blog???
Numa assembléia sob o comando do sandinista Miguel D’Escoto????
Aqui, ele não passa do risco de um trocadilho abaixo da cintura moral!!!!


por Reinaldo azevedo


Nenhum comentário: