quinta-feira, 16 de julho de 2009

Honduras tem toque de recolher; interino propõe renúncia


TEGUCIGALPA - O governo de facto de Honduras decretou na quarta-feira, 15, um novo toque de recolher entre as 0h e 5h locais (entre 3h e 8h de Brasília), logo antes dos protestos convocados por simpatizantes do presidente deposto Manuel Zelaya. O líder interino do país, Roberto Micheletti, admitiu ainda renunciar ao cargo desde que o Zelaya não retorne ao poder. Segundo Micheletti, ele renunciaria caso essa medida seja necessária para "trazer a paz e a ordem de volta ao país".


Anunciado em mensagem divulgada por rádio e televisão, o toque de recolher proíbe o trânsito de pessoas e veículos à noite, repetindo o que ocorreu entre 28 de junho, quando Zelaya foi derrubado, até o último dia 12. Segundo a Presidência, a decisão foi adotada "em vista das contínuas e abertas ameaças por parte de grupos que buscam provocar distúrbios e desordem". O novo toque de recolher foi anunciado depois da informação de que organizações sociais locais convocaram a ocupação de "pontos estratégicos" do país entre quinta-feira e sexta-feira, além de protestos nas ruas para exigir o retorno de Zelaya ao poder.

Falando da Guatemala, o presidente deposto assegurou na terça-feira que em breve voltará a seu país para terminar seu mandato presidencial, que chega ao fim em 27 de janeiro de 2010. Na Costa Rica, o governo do presidente Óscar Arias confirmou que as delegações que representam Zelaya e Micheletti comparecerão à segunda rodada de conversas que começa no sábado na busca de uma solução para a crise política hondurenha.

Micheletti disse que está disposto a renunciar, e sem entrar em detalhes, revelou que representantes receberam "essa proposta em uma cidade importante dos Estados Unidos". "Essa proposta era clara e definida, e eu, para resolver a situação que pudesse surgir, estou na melhor disposição", disse o líder interino, acrescentando que sua condição é que o líder deposto não volte ao país.

Ele reiterou que Zelaya cometeu violações constitucionais em ações relacionadas com uma consulta que realizaria em 28 de junho com a intenção de obter o aval para convocar uma Assembleia Constituinte, e insistiu que tem "provas de tudo". Além disso, pediu a Zelaya "que se tranquilize, que aqui não se está matando ninguém".

Zelaya, que se encontra na Nicarágua, tentou voltar a Honduras na semana após a deposição, mas foi impedido pelo governo interino, que ordenou que veículos militares bloqueassem a pista do aeroporto. A crise política em Honduras começou depois que Manuel Zelaya tentou realizar um referendo para perguntar à população se apoiava mudanças na constituição. A oposição diz que isso teria levado à remoção do atual limite de um mandato para o presidente e teria aberto caminho para uma possível reeleição de Zelaya.

Estadão

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