terça-feira, 14 de julho de 2009

Honduras: Voltando à normalidade.


Neste momento, Honduras está acordando sob uma temível e terrível ameaça feita ontem pelo ex-presidente golpista Manuel Zelaya, de que vai "tomar medidas" nos próximos dias, se não for reconduzido ao cargo. Bocejos. Vamos, então, tomar as "medidas" do Zelaya, para calcularmos a sua força. Altura, 1,85 cm. Peso, 120 kg. Cintura, 120 cm. Chapéu, 1,15 cm. Boca, 35 cm. Bilau, 6,75 cm. Honduras acorda e boceja calmamente em plena democracia. Em toda a América Bolivariana continua o barulho ensurdecedor de soluços e ranger de dentes.

Por Coronel

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Depois da primeira noite sem toque de recolher, o país amanhece com chuva leve, temperatura de 19 graus, o sol nasceu às 5:28 e irá se pôr às 18:21. Na democracia, Chiquito Banana, "uns dias chove, noutros dias bate sol". Ouve-se, pelos confins da América Bolivariana, muito barulho de choro e ranger de dentes. São os efeitos da febre intolerável da democracia. Como é que a gente diz? Chupa, Chaveco!



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A Conferência Episcopal Hondurenha divulgou um comunicado em que reconhece a normalidade institucional em Honduras e a vigência do estado de direito. A entidade nega ainda que tenha havido um golpe no país.

“A primeira constatação dos bispos é que a institucionalidade está vigente na nação. E a atuação de cada uma dessas instituições, em matéria jurídica e legal, está de acordo com o estado de direito. Não há a aplicação de disposições legais contraditórias, imprecisas ou sectárias.” Os bispos observam ainda que, “na prática, existiu complementaridade na atuação dos entes do estado hondurenho, o que resultou num ato de sucessão presidencial”.

Entenderam? Os bispos estão negando que tenha havido um golpe e evocam o artigo 239 da Constituição hondurenha, para o qual chamei a atenção aqui desde o primeiro dia, que deixa claro que perde automaticamente o mandato quem investe em aventura continuísta.


por Reinaldo Azevedo


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Muitos insistem em perguntar: “Por que você se ocupa tanto de Honduras?” Acho que já expliquei, mas o faço de novo. É o primeiro país que se levanta para repudiar o chavismo de modo claro e inequívoco. Os questionamentos sobre a forma como se deu a deposição de Manuel Zelaya são quase sempre improcedentes, já escrevi algumas vezes. Discutível, parece-me, é só a decisão de retirá-lo do país. Deveria ter ido para a cadeia quando incitou os militares a desobedecerem uma ordem judicial. Não há por que ser condescendentes com gente que usa as regras da democracia para solapar o sistema.

E, é verdade, fiquei praticamente sozinho nos primeiros dias, em defesa da deposição de Manuel Zelaya, sustentando o óbvio: golpista era ele, não os que aplicaram as disposições presentes na Constituição. Aos poucos, aqui e ali, nota-se uma certa mudança de tom. Ao menos, já há espaço para o contraditório. Na Folha deste domingo, reportagens tratam da nova forma do golpismo na América Latina - este que se manifesta pela via plebiscitária.

Antes tarde do que nunca. Na reportagem da Folha, o espanhol Rubén Dalmau defende o expediente empregado por Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador) para reformar a Constituição de seus respectivos países. O grupo a que pertence, vejam que mimo!, assessorou todos eles. Dalmau integra aquela categoria de europeu que acredita que certas experiências não servem à Europa aos Estados Unidos, mas podem perfeitamente bem ser aplicadas em países do Terceiro Mundo. Essas terras ignotas estariam mais afeitas a esses experimentalismos.

O que se deu em Honduras é muito mais importante do que parece. Não pensem que as esquerdas desistiram de substituir a sociedade por um ente de razão chamado “partido” - ou que nome se queira dar ao aparelho que imaginam possa substituir os Poderes da República. Elas desistiram da luta armada. A guerrilha, hoje, é travada em outros territórios e com outros instrumentos.

No passado, a mobilização de “proletários” e “camponeses” (para ficar num vocabulário de época), liderada pelo “Partido”, tinha como objetivo tático a insurreição e como objetivo estratégico a tomada do estado. Hoje em dia, a esquerda se insinua e se imiscui nas dobras do aparelho de estado para, uma vez lá dentro, tentar mudar a sua natureza. Quando esses “líderes” encontraram instituições fracas, aceleraram o processo com sua pantomima plebiscitária. Não foi o caso de Lula Schopenhauer - que recebeu a herança institucional bendita de FHC. A esquerda acadêmica e setores mais radicais do PT bem que tentaram pôr o Brasil na rota do “plebiscitarismo”, mas não conseguiram. O que não quer dizer que tenham desistido.


por Reinaldo Azevedo

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