terça-feira, 7 de julho de 2009

Meu repúdio a imprensa mundial!


O ISOLAMENTO DE HONDURAS
EDITORIAL
O ESTADO DE S. PAULO
7/7/2009

A partir do momento em que as autoridades hondurenhas declararam "irreversível" e "não negociável" a destituição do presidente Manuel Zelaya, criaram-se as condições para transformar em drama político o que pudesse haver de comédia ao estilo das caricatas repúblicas bananeiras, no espetáculo anacrônico de sua remoção, de pijama, do palácio presidencial de Tegucigalpa e imediata deportação, ao amanhecer de um domingo. Ele foi derrubado depois que a Corte Suprema, apoiada pelo Congresso e o Ministério Público, declarou ilegal a realização de uma consulta popular, marcada para aquele 28 de junho. A "pesquisa", como foi denominada, abriria caminho, via plebiscito e reforma constitucional, para a reeleição de Zelaya, conforme o figurino bolivariano do caudilho Hugo Chávez, a quem esse rancheiro eleito por um partido de centro-direita se ligou no ano passado em troca de petróleo venezuelano subsidiado.

A Constituição nacional considera cláusula pétrea o mandato único de seus presidentes - uma saudável medida preventiva contra as aventuras continuístas e quarteladas que marcaram, até o início dos anos 1980, a história desse paupérrimo país. Se a Carta previsse também o impeachment daqueles que tentassem transgredi-la, a crise criada por Zelaya escoaria pelos devidos canais institucionais. Em vez disso, os juízes, políticos e generais hondurenhos, espantosamente cegos às mudanças do mundo ao redor, construíram uma pirâmide de desatinos, mesmo depois que a OEA condenou inequivocamente o golpe - classificado pelo presidente Barack Obama como "terrível precedente" - e deu 72 horas para que Honduras restituísse o governo a Zelaya, sob pena de sua suspensão do organismo, com base na Carta Democrática Interamericana de 2001.

Aprovada por unanimidade, a decisão se consumou anteontem, incluindo uma recomendação, sugerida pelo Brasil, para que os países-membros revejam as relações bilaterais com o regime de Tegucigalpa, o que praticamente transforma Honduras em Estado-pária. Os Estados Unidos já haviam suspendido a cooperação militar com o país e parte da ajuda financeira que lhe destinavam. Na mesma linha, o BID e o Banco Mundial congelaram mais de US$ 200 milhões em empréstimos programados. Naturalmente, Chávez cortou o envio de petróleo, deixando Honduras com estoques limitados a seis dias de consumo, segundo estimativas. Se os dirigentes hondurenhos calcularam que poderiam resistir ao isolamento político internacional até as eleições de 29 de novembro, a serem disputadas por dois candidatos do mesmo "centrão" partidário nacional de que Zelaya fazia parte, decerto não contaram com as sanções econômicas.

O problema é o beco em que se colocaram, dado o curso inexorável que os fatos parecem tomar numa América resolvida a manter sepultada a tradição dos pronunciamentos militares e com um presidente americano que se comprometeu a virar a página do intervencionismo na região. Na semana passada, queimaram a oportunidade de uma saída negociada quando se recusaram a autorizar o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, a intermediar uma solução pela qual Zelaya, uma vez persuadido a acatar a sentença judicial contra a consulta popular, seria reconduzido ao poder, com o restabelecimento das liberdades públicas e eventual antecipação das eleições. O que a sua inflexibilidade conseguiu foi colocar Zelaya sob as asas de Chávez, obviamente empenhado em agravar a crise para tirar dela o máximo proveito no cenário latino-americano.

Nos primeiros dias, a condenação de Washington ao golpe não permitiu que Chávez desfilasse como campeão da causa democrática. Depois, o endurecimento hondurenho facilitou as coisas para ele. Induziu Zelaya a ignorar os apelos para que não tentasse voltar no domingo a Tegucigalpa, onde o avião venezuelano em que viajava foi impedido de pousar, enquanto um confronto perto do aeroporto fazia as primeiras vítimas fatais do golpe. Em seguida, à maneira do seu façanhudo mentor, Zelaya diria que "se tivesse um paraquedas, imediatamente me lançaria desse avião". O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, fez a sua parte acusando a Nicarágua bolivariana de Daniel Ortega de iniciar uma "invasão psicológica" do país.



Comento: Coloquei o editorial do Estado de São Paulo de hoje, apenas como exemplo, mas podem estender meu repúdio à quase totalidade da mídia global.
Com certeza usaremos o exemplo de Honduras.
Para não ser repetitivo, este blog fez extensa cobertura sobre o reestabelecimento do Estado de Direito em Honduras, após a automática cláusula pétrea da Constituição, o colocou como qualquer cidadão comum, e não um "ser acima da lei".
Acho que todos os cidadãos honestos e de bem e que tiveram acesso a estas informações, já sabem o que ocorreu em Honduras.
Mas, a imprensa GLOBAL faz campanha contra o Estado de Direito, tentando legitmar "no grito" um mandato de presidente da República que sozinho se enroscou em pretender ser mais importante que a Lei ou até que o próprio povo de Honduras.
Meu repúdio é que, apesar de já termos certeza de tudo isso, a imprensa global insiste em divulgar seu conteúdo tendencioso, como um patrulhamento ideológico Global, que mantém a lavagem cerebral da nova cultura da ditadura do "politicamente correto". Além da extremada "Síndrome do preso político".
Se houve golpe, foi de Zelaya às leis hondurenhas (aliás, parabéns as leis de Honduras, preventivas a Neo-ditadores) que automaticamente coibiram e, antes de um estrago maior, ele perdeu o cargo por sua única e exclusiva culpa (exceto ao Chaveco Bufão, a quem podemos atribuir algo).
Parabéns aos espaços de informação imparciais. Aos "parciais":
REPÚDIO AOS MEIOS DE INFORMAÇÃO QUE DISTORCEM OS FATOS CONFORME SEU PRÓPRIO INETRESSE, SEJA IDEOLÓGICO OU ECONÔMICO.
Boa tarde.

Um comentário:

Laguardia disse...

O artigo do jornal omite que a Constituição de Honduras além de considerar clausula pétrea a reeleição do presidente ou a prorrogação de seu mandato, determina que qualquer funcionário ou político que defenda a idéia de se prorrogar o mandato ou apoiar a reeleição do presidente, perde de imediato o seu mandato.

O que aconteceu em Honduras foi a estrita observancia da constituição.