quinta-feira, 23 de julho de 2009

OBAMA JÁ ERA!


Em Honduras, a história ofereceu a Barack Obama, presidente dos EUA, a chance de começar a pôr termo ao chavismo sem derramar uma gota de sangue e sem a intervenção direta de Washington na política interna de um país aliado. Mas Barack Hussein não quis. Não quis porque parte de sua força — e do mito criado em torno de sua figura — deriva justamente do ódio que muita gente, mundo afora, devota aos EUA. Sim, os que odeiam o que aquele país representa — incluindo nativos — criaram a metafísica Obama. E agora Barack Hussein é um tanto refém dessas demandas antiamericanas, antiimperialistas, anti-Ocidente… Cada um chame como quiser. Mas o fato é que ele está pautado pela obsessão de ser visto como “confiável” por aqueles que odiavam em George W. Bush não apenas os seus erros e exageros, mas também os seus acertos. Odiavam George. W. Bush porque ele era presidente dos EUA, não porque fosse “republicano”, “reacionário”, “direitista” ou o que seja. Esses eram apenas rótulos que serviam para disfarçar a real natureza do rancor.

Sim, senhores! Barack Hussein é refém da necessidade de fazer o que Bush NÃO faria, mesmo que aquele, eventualmente, pudesse, ocupando a cadeira da Casa Branca, fazer a coisa certa. Quem age assim é escravo de expectativas alheias. Na verdade, por mais que se tente fazer do atual presidente dos EUA um evento singularíssimo, sinto dizer que ele não existe como indivíduo. É a construção de uma época, e essa personagem das circunstâncias se mostra mais disposto a ser conduzido por elas do que a conduzi-las. Não é um líder, é um liderado; não conduz, é conduzido.

No episódio, observe-se, com um pouco mais de tarimba — e, quem sabe?, com a eventual colaboração de quem já esteve lá —, Hillary Clinton, a secretária de Estado, tentou ao menos uma certa neutralidade, apostando nas eleições vindouras, quem sabe na sua antecipação, para esfriar a crise. E o chavismo estaria devidamente denunciado. Mais do que isso: o alerta teria sido dado à safra de novos golpistas da América Latina. Ele agora não recorrem mais aos militares, mas às urnas — e, com elas, pretendem corromper, inclusive, a disciplina castrense. Assim se deu na Venezuela, na Bolívia e no Equador. Na Nicarágua, o mesmo Daniel Ortega dá início a um novo surto de autoritarismo.

Mas Obama e seus radicais não quiseram saber. Ignoraram solenemente o golpe que Zelaya estava dando em Honduras, de que sobejam provas, e trataram como golpistas os que encaminharam a solução prevista na Constituição. Afinal, assim fizeram todos, não é? Então Obama faz também. Porque ele é o presidente desse estranho consenso. E Hillary endureceu a posição. Sob o silêncio cúmplice e constrangedor dos EUA, ninguém menos do que o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, previu, justificou e estimulou o confronto armado. Chávez intervém abertamente no país. Cento e vinte agitadores estrangeiros já foram presos, a maioria vinda da Venezuela e da Nicarágua. De Manágua, Zelaya prega abertamente o que chama de “insurreição”, numa clara violação de qualquer princípio internacionalmente consagrado.

Obama parece disputar com Chávez a primazia do discurso contra o governo provisório de Honduras. E os delinqüentes já perceberam que ele é fraco e se deixa pressionar por ondas de opinião. Quando o mundo ficou chocado com as evidências de fraude nas eleições iranianas, ele se animou um tanto e deu um declaração contrária a medidas de força adotadas por aquele governo. Ali Khamenei acusou a interferência americana no país, e o que fez Barack Hussein? Correu para se justificar, oferecendo as evidências de que o outro não falava a verdade. Em matéria de política externa, Obama é um garotinho assustado, de calças curtas. Alguém fala alto, e ele treme os lábios para tentar se explicar.

No caso de Honduras, Chávez e a ditadura cubana acusam, claro — e por que não o fariam — a eventual interferência americana em favor do governo provisório (o que, obviamente, é mentira), e Obama endurece as ações contra os hondurenhos para provar a seus adversários (que, parece, no íntimo, ele gostaria de ter como aliados) que eles estão errados. A exemplo do que escrevi anteontem, se Barack Hussein ficar oito anos no poder — o que rezo para não acontecer —, o país que tem sido o principal fiador das democracias e que tem garantido a segurança do Ocidente estará de joelhos, justificando-se perante ditaduras, entendendo-lhes os motivos, condescendendo com as ruas “razões”.

Não! Obama nem precisava ter-se alinhado com o que chamam “governo de fato” de Honduras. Teria Bastado a secretária de Estado dizer que a melhor maneira de assegurar a democracia é zelar por ela, no estrito cumprimento das leis; teria bastado a secretária de estado dizer que os EUA não apóiam golpes de estado de nenhuma natureza, muito menos aqueles embalados numa farsa eleitoral, que frauda a legalidade; teria bastado a secretária de estado enviar observadores ao país para verificar se a Constituição estava ou não sendo respeitada. Mas não se fez nada disso.

Obama decidiu ser o coadjuvante no picadeiro, que pode vir a se manchar de sangue, em que Chávez é o palhaço principal. Observem que, até agora, não se viu uma palavra sua ou de Hillary contra a interferência do ditador em Honduras. Nada! Interferência que não precisa ser atribuída ao presidente venezuelano. Ele a confessou.

Narcoestados
Sabe-se, ademais, agora com provas, que as Farc deram dinheiro para a eleição de Rafael Correa no Equador. O mesmo narcoterrorista que confessa a doação declarou em vídeo que documentos provando a colaboração de Chávez com a narcoguerrilha também tinham ido parar nas mãos das autoridades colombianas. Evo Morales está criando um novo “departamento cocalero” na Bolívia, na fronteira com o Brasil. Anteontem, um avião carregado de cocaína caiu um Honduras. O novo governo já havia denunciado que o país se tornara rota de traficantes venezuelanos, que posavam livremente suas aeronaves no país.

Há indícios (no caso de Chávez e Correa, há provas) de que esses governantes estão fazendo uma parceria com o narcotráfico na América Latina — ou, se quiserem, com o narcoterrorismo. Não se trata de uma ilação, mas de dados. Não obstante, Obama parece empenhado em conquistar esses “líderes”. E que se note: o Brasil é aliado de toda essa gente e é uma das vozes mais estridentes contra o que chama “golpe” em Honduras.

Obama, com efeito, já é aquele que foi sem nunca ter sido. Se Honduras resistir, terá sido só pela sua coragem. Se sucumbir, terá sido pela covardia de Barack Hussein — ou, na hipótese menos generosa, pela sua conivência com o bolivarianismo. Este senhor nunca será muito mais do que o chefe de uma ONG. É uma pena que a ONG da hora é a tal América.

Que Deus tenha piedade de Honduras, já que o presidente dos EUA se ausentou por uns tempos.


por Reinaldo Azevedo

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