terça-feira, 28 de julho de 2009

PT-SP recua e aceita negociar com Ciro Gomes

Diretório paulista recua e decide debater com aliados; Marta diz que presidente é "general"

Petistas já pressionam para que PSB de Ciro deixe a base de apoio ao governador José Serra (PSDB) na Assembleia e se incorpore à oposição


Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter pedido "maturidade" ao PT, a direção do partido no Estado recuou e decidiu iniciar imediatamente as negociações em torno da possibilidade de Ciro Gomes (PSB-CE) liderar uma chapa antitucanos no Estado.
Na quinta-feira, Lula afirmou que o "PT precisa levar muito a sério" a candidatura de Ciro, deputado federal e candidato derrotado a presidente nas eleições de 1998 e 2002.
Na esteira da "bronca" do presidente, o Diretório Estadual paulista do partido aprovou resolução "conclamando" suas siglas aliadas no plano federal -PDT, PSB, PR, PC do B e PMDB- a iniciarem imediatamente a construção de um programa anti-PSDB, há 16 anos no poder em São Paulo.
"Esse processo dará a base a uma candidatura que unifique esse campo e dispute o governo paulista para ganhar", diz trecho da resolução, que teve o apoio da ex-prefeita e ex-ministra Marta Suplicy.
Em abril, o mesmo diretório havia aprovado texto em prol da candidatura própria do PT ao governo do Estado.
Anteontem, questionada sobre 2010, Marta, nome da sigla mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio dos Bandeirantes, afirmou ser "soldado de um exército que tem general". "E é ele [Lula] quem tem de assinalar qual é a estratégia."
O grupo da ex-prefeita tem sido o mais refratário à possibilidade da candidatura Ciro em São Paulo. "Temos de ter calma, paciência, escutar os coligados, aliados e depois tomar uma atitude. Não há nada pronto", disse Marta em Mauá, onde participou de encontro do PT.

Pressão
O presidente do PT-SP, Edinho Silva, divulgou nota que explicita a posição da sigla: "O deputado Ciro Gomes tem o respeito do PT, que pretende construir um espaço de diálogo com ele", afirmou.
Segundo o vereador paulistano Antonio Donato, o conteúdo do programa a ser debatido com outros partidos deverá deixar clara a posição de alguns deles em São Paulo, já que o PT não abre mão da oposição ao governador José Serra (PSDB).
"O PSB do Ciro, por exemplo, precisa se decidir se é ou não oposição a Serra", disse.
Na Assembleia paulista, a bancada do PSB faz parte da base de apoio ao tucano, histórico adversário de Ciro.
Reunido em Diadema (Grande São Paulo) também anteontem, o PSB-SP referendou o nome do deputado federal cearense para concorrer ao governo paulista, mas não deliberou sobre o apoio ou não a Serra.


Estadão

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