domingo, 19 de julho de 2009

Uau! A CIA tem segredos


A agência ultrassecreta Limpeza no saguão de entrada da sede da CIA: o Congresso foi o último a saber


Democratas fingem surpresa com revelações sobre um programa secreto para matar terroristas e pressionam Obama para que decrete uma devassa no governo Bush

Thomaz Favaro

A CIA tinha um plano secreto para matar terroristas após os atentados de 11 de setembro de 2001. O alto escalão do governo americano queria a cabeça de Osama bin Laden. Colocadas dessa maneira, as revelações parecem de um óbvio ululante. Não foi assim que elas repercutiram no Congresso dos Estados Unidos. Entre os democratas que querem uma devassa nos capítulos sombrios do governo George W. Bush, as revelações serviram de munição para pressionar o presidente Barack Obama. Até onde vai o ímpeto revanchista dos democratas é uma questão ainda em aberto – mas para Obama a complicação já é grande. Ele não quer enfurecer os republicanos no momento em que tenta iniciar uma dolorosa reforma do sistema de saúde pública. De qualquer forma, tendo em vista o histórico de contorcionismos jurídicos criados no governo anterior para justificar o uso da tortura na guerra ao terror, é pouco provável que os figurões da administração Bush não encontrem meandros para se salvar de mais essa fogueira.

A importância exagerada dada ao episódio em questão dá ideia do clima político. Revelou-se, na semana passada, que a CIA desenvolveu um programa que autorizava a captura e a execução de líderes da Al Qaeda. As operações seriam conduzidas no exterior por pequenos grupos de agentes secretos. O projeto, uma das dezenas de propostas que surgiram após os atentados terroristas, contém pelo menos uma ilegalidade flagrante: não foi comunicado ao Congresso. A omissão teria sido ordenada pelo então vice-presidente Dick Cheney. De qualquer forma, o plano nunca foi posto em prática e acabou cancelado assim que Leon Panetta, que assumiu o comando da CIA há cinco meses, soube de sua existência. Na definição de um dos envolvidos, tudo não passou de uma apresentação de PowerPoint.

Parte da indignação deve-se ao uso da palavra "assassinato" para descrever a tarefa. As execuções seletivas praticadas pela CIA estão proibidas desde 1976. A medida foi uma reação à divulgação dos planos do serviço secreto para matar Fidel Castro e o presidente chileno Salvador Allende. Na prática, essa proibição foi revogada no pacote de leis aprovado no início da guerra ao terror. Terroristas passaram a ser perseguidos e mortos com o uso, principalmente, de aviões e mísseis teleguiados, tática mantida por Obama. A diferença é que o programa da CIA envolvia o treinamento de grupos de agentes para executar o serviço. Para os políticos, há uma grande diferença entre matar um terrorista usando bombas e fazê-lo com um fuzil com mira telescópica. Para os agentes secretos, é apenas a escolha da ferramenta de trabalho.


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