segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ahmadinejad ganha endosso de líder supremo do Irã

O supremo líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, endossou formalmente Mahmoud Ahmadinejad como vencedor da eleição presidencial realizada no último dia 12 de junho, segundo noticiou nesta segunda-feira a emissora de televisão estatal do país.

O apoio formal do aiatolá ocorre dois dias antes da posse de Ahmadinejad para seu segundo mandato.

A formalização ocorre ainda em meio a acusações de que oposicionistas que protestaram contra o resultado das eleições, em junho, teriam sido torturados na prisão.

Mais de cem oposicionistas, entre eles figuras importantes de antigos governos reformistas, foram julgados no sábado por acusações como vandalismo, tumulto e conspiração.

'Julgamento de fachada' A principal acusação de tortura partiu do candidato derrotado à Presidência Mir-Hossein Mousavi. No domingo, ele disse que as confissões apresentadas pelos réus no julgamento foram obtidas sob "tortura medieval".

No julgamento, os réus disseram à corte que as alegações de fraude nas eleições eram "infundadas".

Segundo o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, a televisão estatal mostrou um ex-vice-presidente agradecendo a promotoria por ter mostrado a ele seus os erros em suas atitudes.

Outro importante nome da oposição iraniana, o ex-presidente Mohammad Khatami, criticou o julgamento e disse que as confissões dos réus foram forçadas e são "inválidas".

Em seu website, Khatami afirmou que o "julgamento de fachada" vai prejudicar a confiança no regime islâmico do Irã. "O que ocorreu é contra a Constituição, as leis normais e os direitos dos cidadãos", disse Khatami, que governou o Irã de 1997 a 2005.

"O principal problema com este julgamento é que ele não foi realizado em sessão aberta. Os advogados e os réus não foram informados sobre o conteúdo dos casos antes do julgamento", afirmou o ex-presidente.

O julgamento recebeu críticas até mesmo de Mohsen Rezai, o candidato conservador que também disputou as eleições de junho. Rezai disse que as pessoas que atacaram os manifestantes nos protestos após as eleições também deveriam ser julgadas.

Fotos do julgamento distribuídas pelas agências de notícias iranianas mostram os réus sentados usando uniformes de prisão e cercados por guardas.

A imprensa estrangeira, incluindo a BBC, tem acesso restrito à cobertura dos acontecimentos no Irã.

Os protestos que se seguiram à reeleição de Ahmadinejad foram as maiores manifestações públicas no Irã desde a revolução de 1979, que levou ao poder o atual regime islâmico.

Pelo menos 30 pessoas morreram e centenas foram presas.

Grupos da oposição seguem falando em fraude na votação e acreditam que o número de mortos e prisioneiros seja maior.

Na última terça-feira, cerca de 140 dos detidos foram libertados. Mas outros 200 acusados de crimes mais graves ainda estão presos sem julgamento.

UOL

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