segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Caracas faz novos ataques a Uribe


O governo venezuelano acusou ontem o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de estar utilizando o suposto fornecimento de armas da Venezuela para a guerrilha Forcas Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para justificar a concessão de uso pelos EUA de bases em território colombiano. Na semana passada, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, retirou seu embaixador da Colômbia e congelou, pela segunda vez em três anos, as relações entre os dois países por causa das denúncias de Bogotá. Segundo o governo colombiano, lança-foguetes de fabricação sueca, de um lote vendido à Venezuela nos anos 80, foram encontrados em poder dos guerrilheiros, após uma ofensiva do Exército da Colômbia.

"Centrar o debate (sobre as relações entre Colômbia e Venezuela) neste tema nada mais é do que arranjar um pretexto para justificar uma aberração internacional (a instalação das bases) e uma agressão por parte do governo colombiano, afirmou o ministro de Interior da Venezuela, Tareck el Aissami. "Uma grave acusação foi feita e (em razão disso) há uma grande repercussão nos meios de comunicação internacional, mas não apresentaram uma só prova (de que o governo de Chávez tenha entregado as armas aos guerrilheiros)." Aissami também acusou Bogotá de ser conivente com o narcotráfico.

Para analistas venezuelanos, consultados pelo Estado, os dois governos vêm manejando os dois temas contrapondo-os um ao outro. "São dois assuntos delicados e a questão das armas pode ser a comprovação de algo que há muito tempo se comenta no país - ou seja, os estreitos vínculos de Chávez com as Farc", comenta o analista do centro de estudos independente Sieglo XXI, Ariovaldo Paredes. "Por outro lado, Chávez tenta obter o apoio dos demais países da região na condenação da instalação das bases."

Segundo fontes colombianas, os EUA usariam cinco bases no território da Colômbia, que assumiriam as funções das operações antidrogas da Base de Manta, no Equador - cuja concessão não foi renovada pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, aliado de Chávez.

Na quinta-feira, Chávez ganhou força na disputa com a Colômbia, depois que os presidentes do Brasil e do Chile, Luiz Inácio Lula da Silva e Michelle Bachelet, disseram que pedirão a Bogotá esclarecimentos sobre o acordo de cooperação que pretende assinar com Washington ao Conselho de Defesa da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Chega hoje ao Brasil o assessor de Segurança Nacional do presidente Barack Obama, o general da reserva Jim Jones, para dar explicações sobre o acordo.

No sábado, o assessor especial de política externa do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, chegou a Caracas, onde deveria se reunir com Chávez. De acordo com a Embaixada do Brasil na Venezuela, o encontro já estava marcado antes da divulgação do caso das armas das Farc e do congelamento das relações com a Colômbia. Mas, diante do novo quadro, era certo que esses temas entrariam na pauta das conversações.

"Esta semana, conversei com vários chefes de Estado de nosso continente, a fim de alertá-los sobre o perigo representado pelas novas bases militares ?gringas? para a Venezuela. É evidente que esse será um tema central na próxima reunião da Unasul", diz Chávez, num artigo publicado ontem. A Unasul se reunirá dia 10, em Quito.

Em meio a um fim de semana tenso, no qual o governo venezuelano tem enfrentado manifestações populares por causa da decisão de tirar do ar 34 emissoras de rádio - por supostas irregularidades em suas concessões -, Chávez cancelou ontem a transmissão de seu programa dominical Alô, Presidente! O líder venezuelano alegou ter sofrido uma lesão durante um jogo de beisebol na sexta-feira. Das 656 rádios na Venezuela, 360 estão ameaçadas.

Estadão

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