quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Chávez: 'Ninguém acredita em Hillary sobre bases na Colômbia'


CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse na terça-feira, 18, que ninguém acreditará na declaração da secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, de que seu país não criará bases na Colômbia, como parte do novo acordo militar entre Washington e Bogotá a ser firmado nas próximas semanas.

Hillary disse na terça-feira em entrevista coletiva que não haverá um aumento permanente "significativo" do contingente militar norte-americano na Colômbia. "Ninguém vai crer no que diz a secretária de Estado, é que nem ela mesma crê nisso ou no que diz o chanceler nervoso (da Colômbia)... Não vão crer, isso obedece à estratégia militar do império", disse Chávez por telefone à emissora estatal VTV.

Ele também minimizou a hipótese de que Bogotá desista do acordo por causa das críticas surgidas na região. Pelo tratado, os EUA poderão usar até sete instalações militares colombianas. "A Colômbia está se prestando a que os EUA montem um aparato e nos ameace a todos na América do Sul. Está sujeita aos mandatos do império", afirmou Chávez, que habitualmente acusa os EUA de tentarem dominar a região para se apoderar de seus recursos naturais.

Na entrevista coletiva de terça-feira, ao lado do colega colombiano Jaime Bermúdez, Hillary disse que "os Estados Unidos não têm nem buscam ter bases dentro da Colômbia." Washington diz que o plano é uma ampliação da cooperação militar já existente com a Colômbia, que nos últimos anos recebeu mais de 5 bilhões de dólares em ajuda militar para combater traficantes e guerrilheiros.

Vários países da região, inclusive o Brasil, manifestaram preocupação com o plano. Chávez alertou que a presença norte-americana pode gerar uma "guerra na América do Sul", e decidiu "congelar" suas relações diplomáticas e comerciais com a vizinha Colômbia.

Em entrevista coletiva junto com Bermúdez, Hillary pediu à comunidade internacional para que, em vez de criticar o acordo bilateral entre Colômbia e Estados Unidos, colabore na luta antidrogas para a qual o acordo está voltado. O presidente venezuelano voltou a insistir em que o acordo não combaterá o narcotráfico e "obedece à estratégia militar do império" em seu empenho para "manter sua hegemonia" na América do Sul.

Chávez reiterou que espera que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, cumpra com o que já anunciou e compareça à cúpula extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul) para tratar do assunto, prevista para o dia 28 de agosto em Bariloche, na Argentina. O chefe de Estado venezuelano disse que vai apresentar nessa reunião documentos que vão "desmascarar a nova manobra colonialista do império" na região.


Estadão

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