quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Defesa de Yeda diz que ação do Ministério Público é frágil e precária

O advogado da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), Fábio Medina Osório, disse ontem que a ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal tem elementos "precários" e "frágeis" e que, por isso, já esperava que a Justiça Federal negasse o pedido de afastamento da governadora, como fez na noite de anteontem.

Na decisão, de caráter temporário, a juíza federal Simone Barbisan Fortes diz que o afastamento de Yeda não seria razoável diante das consequências que traria à sociedade gaúcha, e que sua permanência no cargo não influencia a produção de provas, uma vez que os fatos narrados na ação ocorreram até novembro de 2007.

A juíza afirma que a ação é complexa (são 1.239 páginas) e que "fica difícil aferir, de imediato, a suficiência de elementos que levem a concluir pela necessidade de afastamento".

O advogado de Yeda disse que a defesa preliminar irá focar a improcedência da ação, que, segundo ele, é de competência da Assembleia Legislativa, e não da Justiça Federal.

Base aliada

No governo gaúcho, a decisão da juíza foi recebida com entusiasmo. O chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, disse que ela "fortifica as convicções" de que Yeda é inocente.


"Essas 1.200 e poucas folhas que foram divulgadas, na verdade, são falas de duas pessoas falando de terceiros. É algo altamente suspeito e totalmente infundado. Não há prova nenhuma", disse Wenzel.

O secretário se referiu às conversas entre Lair Ferst, ex-aliado que trabalhou na campanha de Yeda em 2006, e Marcelo Cavalcante, ex-representante do governo gaúcho em Brasília, morto em fevereiro.

As gravações, em que os dois afirmam que a governadora fez caixa dois na campanha e tinha conhecimento do suposto esquema de corrupção no Detran-RS, embasam parte da ação proposta pelo MPF.

Wenzel afirmou ainda que a base aliada está "coesa" e quer o andamento das investigações. Até o fim do mês, uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) será instalada na Assembleia para investigar as denúncias de corrupção.

Para a deputada Stela Farias (PT), que presidirá a comissão, o governo quer constituir uma "tropa de choque" na CPI e não tem interesse na investigação dos fatos. Ela disse que as críticas de Wenzel à ação são "pura tergiversação" e que no processo há falas de vários agentes políticos referindo-se a Yeda.

"A juíza deixou muito claro que não teve tempo de analisar com maior profundidade a ação. Isso é só um aperitivo."

Folha online

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