quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Depoimento para a história


Ari Cunha - Visto, Lido e Ouvido
Correio Braziliense - 19/08/2009

Baobá é uma árvore dos tempos imperiais que ainda existe na Mata Atlântica. Forte, enfrenta a seca, chuva e ventania. É inabalável como Jarbas Passarinho tem sido ao longo de sua vida política, e útil ao país. Senador por três mandatos, teve ainda a seu encargo a direção de quatro ministérios.

Chegou à presidência da Casa onde honrou seu porte de homem austero e patriota. Memória prodigiosa, não esquece detalhes mínimos da política que trilhou desde a juventude. Um dia preferiu a vida política, e deixou as fileiras do Exército, de onde nunca se afastou, por gratidão. A começar pela disciplina que conheceu na Escola Militar que marcou seu destino.

Tenho conversado muito com o senador Passarinho. Gosto de ouvir suas histórias, algumas vezes acompanhado de meus netos, principalmente do Cristian, que guarda boas revelações de fatos políticos vividos e contados por Passarinho. Garoto, ele se espanta ao ouvir histórias vividas por um político experiente citando nomes importantes com quem conviveu nesta República.

O artigo publicado ontem é o espelho de Jarbas Passarinho.

Lembra o general Del Nero, de cuja morte foi ter notícias dias depois, em virtude de cuidados médicos para evitar notícias que abalariam seu corpo fraco. Fala de livro histórico que cobre os períodos de atuação extraconstitucional dos militares em momentos turbulentos.

Sobre José Sarney, lembra instante honroso, quando o atual presidente do Senado iniciava a vida política na bossa nova da UDN. Sente-se decepcionado ao ouvir José Sarney dizer que foi perseguido pelos governos militares, pelo fato de seu protesto contra o AI 5.

É aí que Passarinho cita Rondon Pacheco, chefe da Casa Civil do presidente Costa e Silva, segundo o qual nenhum outro tipo de protesto chegou ao presidente. Duas vagas foram destinadas ao Maranhão. Uma a Vitorino Freire, outra a Sarney.

Esse último declinou do convite para não enfrentar seu tradicional inimigo maranhense.

Não fica nisso. General Geisel, prestigiando seu amigo Sarney, provocou 18 renuncias para elegê-lo presidente da Arena. Finalmente, Sarney ainda é citado. O presidente Geisel havia de emendar a Constituição, revogando todas as medidas de exceção, particularmente o AI 5.

Termina o artigo de Jarbas Passarinho: “Quem o governo escolheu para relatar a emenda, senão o senador José Sarney”.

Reproduzimos os fatos históricos contados por quem os viveu pessoalmente, como testemunha da vida política do Brasil. Aos leitores cabe o julgamento de um homem dedicado ao Exército, à política e à família. A esta, que em todos os instantes o estimula com carinho, amor e respeito à lembrança de dona Ruth Passarinho, motivo de orgulho e saudade para todos.

História de Brasília


Conversa sem o “preto no branco” dá nisso. Meses atrás, em Caracas, o sr. Jânio Quadros encontrou-se com capitão Galvão, e na conversa antissalazarista saiu o apoio do Brasil, caso fosse eleito presidente da República. Empossado o sr. Jânio Quadros, o capitão Galvão, que tomara o Santa Maria, procurou o Brasil, onde desembarcou. O presidente teve que ser dirigido pelos tratados internacionais, e agora viu-se obrigado a devolver o navio a Portugal, dando asilo aos revoltosos.


(Publicado em 5/2/1961)

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