segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Direção de TV atacada com bombas de gás responsabiliza Chávez pela ação

O presidente da Globovisión, Guillermo Zuloaga, que insinuou a ligação entre o governo do presidente Hugo Chávez e o ataque

Mais cedo, o diretor do canal, Alberto Federico Ravell, disse que o grupo era formado por membros da agremiação chavista Unidade Popular Venezuelana (UPV), liderados pela conhecida ativista pró-Chávez Lina Ron. "Responsabilizamos o presidente pelo que aconteceu hoje. Levaremos as coisas às últimas consequências", disse o diretor, afirmando lamentar que "em plena luz do dia um grupo de partidários [do presidente] se aproxime do canal e o ataque".

"Este atentado já não é mais contra a liberdade de expressão, mas contra a vida das pessoas que aí trabalham", disse Ravell.

O ministro do Interior da Venezuela, Tareq El Aissami, condenou o que chamou de ação "criminosa" contra emissora e afirmou que os responsáveis serão levados à Justiça, porque o governo, segundo ele, "não aceita que a violência seja o instrumento para resolver nossas diferenças". A Globovisión mantém uma linha editorial de confronto com o governo de Chávez, um ex-líder golpista que chegou ao poder pelo voto há mais de uma década e diz liderar uma revolução socialista.

Para a oposição, Chávez está por trás de uma ofensiva judicial contra a Globovisión, a única TV aberta fortemente anti-Chávez que restou na Venezuela.

Chávez acusa as TVs Globovisión, Venevisión, RCTV e Televen de ter apoiado um golpe que o tirou do poder, brevemente, em 2002. Após as críticas, Venevisión e Televen adaptaram as coberturas; e a RCTV passou a ser um canal a cabo depois de ter a renovação de licença de funcionamento recusada pelo presidente, em 2007.

Neste fim de semana, o presidente da Globovisión, Guillermo Zuloaga, disse em entrevista à revista brasileira "Veja" que em 2002 não houve um golpe de Estado na Venezuela, mas um "vazio de poder", porque, segundo ele, o ministro da Defesa, general Lucas Rincón, tinha anunciado que o presidente renunciara.

No seu programa semanal, "Alô, Presidente", Chávez já chamou o proprietário da Globovisión, de "mafioso" e o acusou de praticar "terrorismo midiático". O empresário, por sua vez, diz ser vítima de perseguição política.

No mês passado, a Globovisión pagou uma multa de 9 milhões de bolívares (US$ 4,1 milhões) à Receita Federal do país por não ter declarado a divulgação de propaganda durante a greve dos empresários e dos sindicatos ocorrida de dezembro de 2002 a janeiro de 2003. O Seniat, organismo oficial de arrecadação venezuelano, considerou a propaganda doação e, portanto, sujeita a impostos. Outra multa no valor de 1,65 milhão de bolívares (cerca de US$ 767) pelo suposto uso indevido de antenas para transmissões ao vivo, em 2003, está sendo examinada pelo Tribunal Supremo de Justiça.

Há dois anos, Chávez não renovou a concessão da televisão RCTV, muito crítica ao governo. Recentemente, o governo Chávez reforçou medidas de controle sobre meios de comunicação privados ao fechar 34 estações de rádio e abrir inquéritos de irregularidades contra mais 120.

Folha online

O segurança da Globovisión José Pena aparece com queimaduras após ataque


O ministro do Interior da Venezuela, Tareq El Aissami, condenou o que chamou de ação "criminosa" contra a Globovisión, a rede de TV opositora que foi atacada nesta segunda-feira por um grupo armado que lançou bombas de gás lacrimogêneo a sede da empresa, em Caracas.

Ele afirmou que os responsáveis serão levados à Justiça, porque o governo "não aceita que a violência seja o instrumento para resolver nossas diferenças".

Conforme imagens gravadas pela própria Globovisión, cerca de 35 pessoas chegaram à sede da TV em Caracas em motocicletas e invadiram o imóvel. Na sequência, eles lançaram várias bombas de gás lacrimogêneo no interior do imóvel. Durante a ação, eles exibiram cartazes do partido Unidade Popular Venezuelana (UPV), favorável a Chávez, e usaram quepes vermelhos similares aos do presidente.

Funcionários da Globovisión disseram ter sido ameaçados com armas. Segundo comunicado publicado pela TV em seu site, um segurança sofreu queimaduras de primeiro grau ao tentar "evitar que o gás lacrimogêneo afetasse seus empregados" e uma funcionária, que está grávida, sofreu um desmaio.

De acordo com a TV, nas imagens do ataque, é possível reconhecer a dirigente da UPV, a conhecida ativista chavista Lina Ron.

O ataque aconteceu no mesmo dia em que o governo venezuelano assumiu temporariamente o controle de duas grandes empresas de café do país e ameaçou nacionalizá-las.

Uma comissão da PM foi deslocada para a sede da Globovisión, por ordem da Corte Interamericana de Direitos Humanos, como parte das medidas para garantir a segurança da TV, que foi objeto de vários ataques por parte de grupos governistas, disse o diretor da Globovisión, Alberto Federico Ravell. Uma agente da Polícia Metropolitana (PM) de Caracas ficou ferida na cabeça por um golpe, disse um de seus companheiros, em declarações à TV.

Folha online

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