sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Londres condena recepção de herói para terrorista líbio

LONDRES - O governo britânico deplorou a recepção dada na Líbia ao terrorista Abdelbaset Ali Mohamed al-Megrahi, mentor do ataque a um Jumbo da Pan Am que explodiu sobre a cidade de Lockerbie, em 1988, matando 270 pessoas. O chanceler britânico, David Miliband, qualificou de "profundamente penoso e inquietante" o espetáculo de "um assassino de massas" sendo recebido como "um herói" em Trípoli.

Na chegada ao aeroporto de Trípoli, centenas de pessoas acenaram bandeiras líbias para receber al-Megrahi. O ex-prisioneiro é considerado uma vítima da campanha que o Ocidente tem promovido contra a Líbia. Por isso, a libertação de Megrahi foi festejada pela população como uma vitória moral. "Como eles agirão agora será visto cuidadosamente", afirmou um oficial britânico ao jornal.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, pediu em uma carta pessoal para que o presidente da Líbia, Muammar Kadafi, para que o país tivesse "sensibilidade" para lidar com o retorno do líbio Abdelbaset Ali Mohamed al-Megrahi, mentor do ataque a um Jumbo da Pan Am que explodiu sobre a cidade de Lockerbie, em 1988, matando 270 pessoas. Megrahi, único condenado pelo atentado, foi recebido como herói por milhares de pessoas em Trípoli, na Líbia.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a carta do premiê foi "curta e pontual". Ela reiterou a insistência de que a decisão de libertar Megrahi foi uma decisão particular do governo da Escócia, que alegou "razões humanitárias" para a decisão. Megrahi tem um câncer terminal na próstata e, segundo médicos escoceses, teria três meses de vida. O terrorista foi condenado a prisão perpétua, mas ganhou a liberdade tendo cumprido oito anos da pena.

A decisão de soltar Megrahi foi classificada como "um erro" pelo presidente americano, Barack Obama, e provocou indignação entre os familiares das vítimas do ataque, principalmente após a notícia de que ele foi recebido como um herói pelos líbios.

O chanceler britânico negou que a decisão de libertar Megrahi tenha relações com interesses comerciais e diplomáticos. "Certamente recebemos bem o fato de que, nos últimos dez anos, foram registradas mudanças significativas no empenho da Líbia com a comunidade internacional. Porém, é errado dizer que, neste caso, o governo britânico de alguma forma pressionou autoridades escocesas ou qualquer outra". O ministro não disse, no entanto, se estava de acordo ou não com a decisão. O governo (do Reino Unido) disse sempre com absoluta clareza que não interferiria nesse caso antes e não vamos fazê-lo agora", disse Miliband, que reiterou que não houve pressões de Londres.

Megrahi, um ex-agente do serviço de inteligência da Líbia, foi preso em 2001 com base, principalmente, no depoimento de um lojista de Malta que afirma ter vendido uma camisa para ele antes do atentado. Mais tarde, uma das bombas encontradas nos destroços da aeronave foi encontrada enrolada em pedaços da roupa que supostamente seria de Megrahi. Críticos da sentença chamam a atenção para a precariedade da prova usada pelo tribunal escocês para condená-lo. Entre as vítimas que estavam a bordo do avião, 189 eram estudantes americanos que voltavam para Nova York às vésperas do Natal. Outras 11 pessoas morreram em solo ao serem atingidas por destroços da explosão do Boeing 747.

Estadão

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