sábado, 22 de agosto de 2009

Menos da metade dos americanos confia nas decisões de Obama

WASHINGTON - Mais preocupados com o futuro das reformas no sistema de saúde e descontentes com o crescente déficit orçamentário federal, a confiança dos americanos no presidente Barack Obama está diminuindo, segundo revela uma nova pesquisa Washington Post/ABC News divulgada nesta sexta-feira, 21. De acordo com a sondagem, menos da metade dos americanos (49%) acredita que o presidente tomará as melhores decisões para os Estados Unidos. O número está bem abaixo dos 60% que tinham a mesma opinião quando Obama completou cem dias de governo.

Realizada entre os dias 13 e 17 de agosto, a pesquisa aponta queda na aprovação de Obama desde abril com 57% de aprovação, 12 pontos porcentuais abaixo do levantamento feito em abril. Já o nível de rejeição chegou a 40% o maior desde o início do mandato.

Como dado positivo, houve um aumento no otimismo: 50% dos entrevistados acreditam que a recessão acabará em doze meses. Em fevereiro, apenas 28% acreditavam que a recessão seria curta. Cinquenta e três por cento disseram reprovar a forma como Obama lida com o déficit orçamentário enquanto o apoio a sua reforma no sistema de saúde continua a se deteriorar. Antes de Obama tomar posse, 69% dos americanos acreditavam que ele iria melhorar o sistema de saúde. Agora, 49% têm essa opinião.

Criticado por férias

Seu plano de reforma da saúde está cambaleando, a economia ainda vive uma crise, e a violência cresce no Iraque e Afeganistão. Quem não iria querer uma pausa? O presidente dos EUA, Barack Obama, está oficialmente saindo de férias na semana que vem, mas leva consigo uma longa lista de tarefas que dificilmente lhe deixará relaxar e se desligar do mundo durante a estadia no balneário de Martha's Vineyard.

Analistas dizem que ninguém é melhor do que Obama para "vender" a reforma da saúde, o pacote de estímulo econômico e outros itens que dependem de aprovação legislativa, e que sua ausência poderia ser prejudicial. Mas eles lembram que a ausência será de apenas uma semana, e que ele não se desligará totalmente dessas questões, devendo inclusive se pronunciar publicamente a respeito delas.

Alguns críticos, no entanto, questionam se ele deveria mesmo sair de férias, especialmente diante da persistência dos problemas econômicos e da veemência da oposição ao seu plano de 1 trilhão de dólares para a saúde pública. Outros o recriminam por escolher um balneário de Massachusetts conhecido por atrair ricos e famosos.

"O povo norte-americano está olhando para o senhor, presidente. Eles seguem sua liderança", disse Robert Guttman, diretor do Centro de Políticas e Relações Exteriores da Universidade Johns Hopkins. "Por que não liderá-los para os lugares que mais precisam da sua ajuda, em vez de uma ilha já financeiramente estável e próspera da Nova Inglaterra? O interior americano está chamando, senhor presidente. O sr. não irá atender ao seu chamado?", escreveu ele no site Huffington Post, de esquerda.

O governo afirma que Obama só está fazendo o que outros presidentes e muitos outros norte-americanos sempre fizeram: tirando merecidas férias com a família num local adequado para isso. A Casa Branca salienta que Obama está pagando a conta - estimada em pelo menos 25 mil dólares - pelo aluguel de uma propriedade rural de 11 hectares, chamada Blue Heron, entre 23 e 30 de agosto.

O porta-voz Robert Gibbs disse que, mesmo relaxando com a família, o presidente manterá seu empenho em prol da reforma da saúde, grande prioridade doméstica do seu mandato. "Obviamente, teremos algumas atualizações de agenda para vocês (jornalistas) ao longo da semana, a respeito de fatos que podem ou não serem agregados à questão da saúde," disse Gibbs nesta semana. O próprio Obama disse acreditar que a opinião pública não o recriminará por tirar férias com as filhas apesar da crise econômica.

Historiadores dizem que todos os presidentes dos EUA querem deixar Washington no caloroso mês de agosto, e afirmam que Obama está passando menos tempo longe do que a maioria dos seus antecessores, que chegam a passar semanas afastados da Casa Branca durante o verão. A opinião pública não costuma se queixar, desde que as férias não sejam longas demais e não coincidam com um desastre natural - como ocorreu em 2005, quando o furacão Katrina devastou Nova Orleans enquanto George W. Bush continuava descansando em sua fazenda do Texas.

Stephen Hess, ex-assessor presidencial que agora trabalha na Brookins Institution, lembrou ainda que os presidentes nunca deixam seus cargos durante as férias, e viajam com uma enorme comitiva. "Suas 'férias' não os desconectam da presidência. Aliás, nem parecem muito com as nossas férias", disse Hess.


Estadão

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