quarta-feira, 19 de agosto de 2009

MENTIRAS: Texto dedicado ao Senador Aloísio Mercadante


Muitos se perguntam a que se deveu tamanha truculência do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao fazer perguntas a Lina Vieira, ex-secretária da Receita, dispensando a ela um tratamento que se costuma dispensar a criminosos. O senador chegou a dizer, é bom lembrar, que ou ela estava mentindo ou tinha prevaricado. Além das questões que, especulo, podem ser de natureza psicológica, há a resposta política.

No episódio Sarney, Mercadante se desgastou com Lula e com o PT. Como está com medo das urnas — ele concorre à reeleição para o Senado em São Paulo, e o prestígio do PT no Estado já é baixo —, ele resolveu endurecer. Não quer a fama de que ajudou a proteger Sarney e sabe que o caso ganhou as ruas. Quase 80% dos brasileiros querem que o maranhense eleito pelo Amapa deixe a presidência do Senado.

O caso envolvendo Lina e Dilma ainda não tem tradução popular. É mais difícil de entender. Está, por enquanto, circunscrito àqueles que se preocupam com questões institucionais. E Mercadante, então, decidiu espinafrar a ex-secretária para tentar refazer a ponte com Lula. Mas foi com muita sede à jugular de Lina.

Assim, resta a suspeita de que ele é severo com Sarney não por senso de justiça, mas por oportunismo: teme não ser reeleito. Com Lina, que ainda não dá nem tira votos, ele não se viu obrigado a escolher entre o oportunismo e a injustiça: preferiu os dois.

Reinaldo Azevedo

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É normal que governo e oposição se esforcem para fazer o melhor uso dos depoimentos em comissões etc. No caso de Lina Vieira, o papel da oposição é evidenciar que Dilma Rousseff tentou interferir na investigação da Receita; no caso do governo, evidenciar que não. Muito bem. Há modos de fazer isso. O dos petistas é vergonhoso. E o que mais envergonha o bom senso até agora é o senador Aloizio Mercadante (PT-SP):

  • 1) Tentou pôr palavras da boca de Lina Vieira, sustentando que ela está mudando a entrevista concedida à Folha. Não está. Repetiu rigorosamente o que disse à publicação e ao Jornal Nacional: a ministra Dilma Rousseff lhe pediu para agilizar a investigação nas empresas da família Sarney, e ela, Lina, entendeu como uma pedido para que fosse encerrada. Hoje em dia, ela acredita que isso tenha ocorrido porque Sarney era candidata à presidência do Senado.
  • 2) Mercadante, falando alto, tentando sempre constranger a mulher Lina Vieira, insistiu que ela estava mudando a versão porque teria dito que Dilma lhe pedira para fazer algo ilegal. É MENTIRA! LINA NUNCA DISSE ISSO EM LUGAR NENHUM.
  • 3) Seguindo argumentação do nobre Renan Calheiros (PMDB-AL), Mecadante argumentou que, se havia uma determinação da Justiça para acelerar a investigação, então Dilma não fez nada demais. Mercadante e lógica não combinam: a Justiça cumpria seu papel determinando agilidade; Dilma exorbitava do seu. Ela, afinal, não é juíza.
  • 4) Quase aos gritos, Mercadante deu um salto argumentativo e disse que ou Lina está mentindo ou, então, prevaricou, já que teria sido convidada a praticar uma ilegalidade e nada fez. Vamos ver: a) por que ela estaria mentindo? Ele não diz: b) não ocorre ao senador que, para que Lina estivesse prevaricando, forçoso seria que o encontro tivesse ocorrido e que o pedido tivesse sido feito. Nesse caso, o crime de Lina seria decorrente de outro bem mais grave, cometido por Dilma. De todo modo, a ex-secretária sempre deixou claro que aquela fora a sua interpretação. Se, hoje, numa comissão, é esmagada por gente delicada e amiga da verdade como Mercadante, imaginem se teria tido como encaminhar uma denúncia quando ainda secretária da Receita. Ademais, tendo sido como ela diz, Dilma pediu “agilidade”, entendem?
  • 5) Lina afirmou que não procurou os jornalistas da Folha para dar entrevista, mas que foi procurada por eles, que já tinham a informação de seu encontro com Dilma. Aí Mercadante demonstrou o melhor do mercadantismo: “Se a senhora não falou a ninguém sobre o encontro, como os jornalistas da Folha sabiam? Como?” E Lina: “Isso o senhor tem de perguntar a eles”. Que nada! O petista — afinal, havia uma mulher ali — tentava intimidar: “Como? Diga como?”

Sugiro aos jornalistas de Brasília que entreguem a Mercadante as suas respectivas fontes. Esse gigante tem o direito de saber!

Imagem de depoimento no Senado pode ser usada em campanha eleitoral? As mulheres de São Paulo não podem perder essa atuação de Mercadante.

Se algum bom senso lhe restar, espero que se desculpe publicamente com Lina pelo espetáculo de truculência.


Reinaldo Azevedo


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O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) também pode nos espantar pela capacidade de sobrepor uma inverdade à outra. Tentando responder ao fato óbvio de que as informações sobre o currículo de Dilma eram mentirosas, resolveu atacar o currículo do governador José Serra. Falo disso em outro post. Referindo-se a si mesmo, afirmou o senador: “Eu mesmo pus no meu currículo que era MESTRANDO e saiu lá MESTRADO”. Como se nota, teria sido só um engano, cometido por assessores, naturalmente. Aliás, há sempre gente na periferia do senador praticando desatinos sem que ela saiba. Lembram-se de seu homem de confiança, envolvido com os aloprados, carregando a mala de dinheiro? Mercadante não sabia. Mas voltemos ao currículo. Errado!!! Mercadante está faltando com a verdade. De novo!

No seu currículo, constava que era DOUTOR, não mestre. E ele nunca foi. E o “erro” não estava só no papel, não. Num debate eleitoral da TV Gazeta, em 2006, quando disputava o Governo de São Paulo, ele próprio disse, de viva voz: “Fiz mestrado e doutorado [em economia] na Unicamp”. Ele falou. Não foi nenhum assessor que falou por ele. A Gazeta deve ter a fita. No dia 16 de agosto de 2006, há três anos, escrevi um post a respeito. Destaco um trecho:

No debate da TV Gazeta, aquele que ninguém viu - ou quase, hehe -, o candidato do PT ao governo de São Paulo disse: “Fiz mestrado e doutorado [em economia] na Unicamp”. Ops! Não fez, não. Vai ter de mostrar o canudo. Mas, para mostrar, terá de fabricar um primeiro. Busquem lá as informações na universidade: ele até acompanhou algumas aulas do doutorado, mas, como não apresentou a tese, foi desligado do programa. Vaidoso que é, até pode se considerar um doutor honorário - em economia ou no que quer que seja (ele sempre fala com igual convicção sobre qualquer assunto, especialmente os que desconhece). Mas doutor em economia pela Unicamp, ah, isso ele não é.

Mercadante, a exemplo de Dilma Rousseff, teve de corrigir o seu currículo. Como já escrevi aqui certa feita, o petismo é mesmo engraçado: quem não tem diploma se orgulha de não tê-lo; quem se orgulha de tê-lo não o tem.


Reinaldo Azevedo

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Resposta de José Serra:

Por Carolina Freitas, no Estadão Online:
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), reagiu à acusação feita pelo senador Aloizio Mercadante (PT) de que o currículo do governador traria informações falsas. O tucano chamou o petista de mitômano, ou seja, de viciado em mentir, e disse que tem tantos títulos acadêmicos que poderia emprestá-los a Mercadante. Alvo preferido dos petistas desde que teve seu nome posto como o principal candidato tucano à Presidência em 2010, Serra evitou falar sobre as possíveis motivações do senador petista para atacá-lo. “Não vou fazer psicologia ou sociologia do conhecimento, porque um mitômano é um mitômano. A gente tem de pedir para analistas fazerem isso”, disse após evento no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista. “Eu acho que é um caso de psicanálise, não de política.” Mercadante afirmou nesta terça-feira, 18, no Senado, durante audiência com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que, à exemplo da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), Serra também cometera erros em seu currículo. De acordo com Mercadante, o governador se diz formado em Engenharia e Economia sem ser graduado na área ou ter concluído um mestrado.

Serra confirmou não ter diploma de engenheiro, mas reafirmou ser doutor na área de Economia. Segundo o governador, “é um fato mais do que conhecido” ele não ter terminado a faculdade de Engenharia. “Já disse em discursos da minha frustração em não ter podido me formar engenheiro por conta do golpe (militar, em 1964)”, disse o governador, que foi exilado no Chile. “Obtive um mestrado no Chile, outro nos Estados Unidos e um doutorado nos Estados Unidos. Quem teve carreira acadêmica de verdade sabe que ninguém brinca com currículo.”

Ainda nas críticas, o governador disse que Mercadante mentiu ao divulgar seu currículo na campanha eleitoral para o governo paulista em 2006. Mercadante foi derrotado por Serra no pleito. “Ele afirmou que era doutor pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e não era. Foi meu aluno na Unicamp”, disse Serra. “Ele, de alguma maneira, é um precursor nessa matéria de mexer em currículos.”


Reinaldo Azevedo



3 comentários:

Anônimo disse...

Chiste, repassando Coluna do Claudio Humberto:


Detector: Lina Vieira diz a verdade

O especialista em veracidade Mauro Nadvorny, da empresa Truster Brasil, submeteu o depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira a moderno sistema de detecção de mentiras, de tecnologia israelense, e concluiu, em parecer exclusivo para esta coluna, que “a sra. Lina Vieira está sendo verdadeira quando afirma que a ministra pediu a ela que agilizasse a fiscalização do filho de Sarney”.

Erenice foi lá

Lina Vieira também diz a verdade, atesta o detector, sobre Erenice Guerra (braço direito de Dilma) ir a seu gabinete combinar a reunião.

Anônimo disse...

estou muito sastifeito como pt vem conduzindo os destino do povo jamais visto na historia do meu brasil.mais emprego,melhores salarios mais dignidade,independencia, como melhorou,eu entendo o disisperou da queles que se apresentavam como os senhores da competencia, dia sete de setembro vamos comemorar a independencia de verdade não devemos o fmi clube de paris,bird,hoje eles é que devem para nós.chic

auzi blog disse...

quando vejo anônimo fazendo comentários neste espaço, noto a falta de coragem em colocar seu nome. deve ser um puxa-saco do PT....