quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ministro temporão e sua centralização absurda!


Jornal do Brasil - 12/08/2009

O Ministério da Saúde deu alguma autonomia aos médicos para prescrever o fosfato de oseltamivir (Tamiflu).

Na minha opinião, um pouco tarde demais.

No final de abril revelou-se a gripe ao mundo, e há três semanas foi anunciada a transmissão sustentada, ou seja, de brasileiro para brasileiro, livremente, e não só daqueles que vieram de outros países.

Com o elevado percentual de mortes pela doença no Brasil em relação às vítimas da doença no mundo, em torno de 11%, médicos infectologistas começam a colocar em questão a estratégia do governo de centralizar a distribuição do antiviral Tamiflu.

O ministro José Gomes Temporão argumenta que a liberação da venda do Tamiflu no varejo poderia criar um vírus mais resistente, além de levar a população a se auto-medicar.

Ele esqueceu que este medicamento tem uma tarja vermelha na caixa com venda sob prescrição médica e fiscalizada a venda pelo ministério dele.

A Defensoria Pública da União ajuizou ação civil pública contra a União, o Estado do Rio de Janeiro e a capital fluminense, integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS), no último dia 4, para garantir a distribuição do antiviral Tamiflu disponível nos estoques do governo a toda a população brasileira. No estado do Rio de Janeiro, não está sendo distribuído nos hospitais, e sim nos quartéis dos bombeiros, gerando transtornos às vítimas. A Defensoria quer que o fármaco seja também disponibilizado para os casos suspeitos da doença e não somente para doentes graves, e seja vendido no varejo em todo país.

Enquanto isso, o ministro sonega o Tamiflu, ignorando o Código Penal Brasileiro que preceitua no Art. 132: “Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente”, com pena de detenção de três meses a um ano, se o fato não constituir crime mais grave.
Cuidado, Excelência!


Roger Ancillotti
PROFESSOR DE MEDICINA LEGAL

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