sábado, 15 de agosto de 2009

o Dicionário Lula - Ali Kamel

Lula, ao fim e ao cabo "Um brasileiro médio, mais ou menos crente em Deus e que se vê como o proponente de uma sociedade capitalista onde haja mais harmonia entre pobres e ricos"

Está no verbete Discurso(s): "Um dia vão ganhar dinheiro pela quantidade de discursos que eu faço todos os dias. Eu ficaria milionário". É improvável que Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, fique rico com sua mais nova empreitada, Dicionário Lula – Um Presidente Exposto por Suas Próprias Palavras (Nova Fronteira; 59,90 reais), recém-chegado às livrarias. Porém é certo que se trata de um livro com chance de render bons frutos ao seu autor. Afinal de contas, como nele está contido praticamente todo o pensamento político de Luiz Inácio Lula da Silva, verbalizado e sem a mediação de penas de aluguel, Dicionário Lula é ótima obra de consulta para o presente – e de referência para a posteridade que se debruçará sobre um presidente como nunca houve nesta República. Mais completa reunião das falas do atual ocupante do Palácio do Planalto, é um livraço também no que se refere ao tamanho: 672 páginas.

Ao contrário de seus dois trabalhos anteriores, Não Somos Racistas, de 2006, e Sobre o Islã, de 2007, nos quais Kamel firmava pontos de vista tão racionais quanto intrépidos sobre os temas abordados, neste não há julgamento ideológico e moral. Ele não opina se Lula está certo ou errado, não aponta se mente ou se atém à verdade. Também não se dedica a coligir os erros de português, as falhas de lógica e as metáforas pedestres do presidente. Não é um Lula de anedotário, o que emerge no livro de Kamel. A intenção é registrar, com o máximo de objetividade e, não menos essencial, organização, o que o presidente diz pensar a respeito de uma série de assuntos, inclusive ele próprio e sua trajetória. Desenhada a linha, Kamel desprezou os discursos protocolares de Lula, para concentrar-se naqueles improvisados no todo ou em parte. Para além de o presidente ser o rei do improviso, aspecto incancelável de seu passado de líder sindical acostumado a mobilizar assembleias de trabalhadores, o autor explica que, a seu ver, é na fala espontânea que aparece o Lula por inteiro, "mais real".

Ali Kamel Para montar o "léxico Lula", ele usou um programa de computador especialmente desenvolvido para esse fim

O Dicionário Lula começou a nascer em 2004, quando Kamel leu um estudo de um acadêmico americano que analisava a cobertura das eleições presidenciais de seu país – naquele ano, o republicano George W. Bush conquistou seu segundo mandato ao derrotar o democrata John Kerry. O estudo procurava identificar o viés ideológico da grande imprensa americana, por meio de um programa de computador que contava quantas vezes as palavras mais associadas ao ideário republicano ou democrata apareciam nas reportagens de cada veículo nos meses que antecederam o pleito. Kamel achou o método um tanto ingênuo, porque uma palavra podia ser contabilizada como "republicana", por exemplo, mesmo quando era reproduzida numa reportagem com o intuito de criticar a visão do partido. Mas ele ficou fascinado com as possibilidades abertas pelo uso do computador para fazer levantamentos de conteúdo, e logo concluiu que os pronunciamentos de Lula seriam um objeto ideal: todas as falas do presidente estão reproduzidas no site da Presidência da República.


Em 2007, resolvido a enfrentar o desafio de montar um "léxico Lula", Kamel chamou o historiador Rodrigo Elias para ajudá-lo. Na fase inicial, que consumiu cinco meses de trabalho, foi colocado num único arquivo de computador tudo o que Lula falou entre janeiro de 2003 e março deste ano – um total de 1 554 textos, dos quais 847 discursos, 503 entrevistas e 204 programas radiofônicos. Depois, por intermédio de um software livre – disponível gratuitamente na internet –, o TextStat, verificou-se a frequência com que certas palavras surgiam. Como o programa era incapaz de cruzar os termos, condição necessária para conferir quando Lula os utilizava no mesmo discurso ou até na mesma frase, Kamel contratou o analista de sistemas Wilson Pacheco de Albuquerque. Ele levou um mês para desenvolver um programa que permitia não apenas contar palavras, mas localizá-las e relacioná-las.

Ao final, o autor chegou a um vocabulário básico das 540 palavras mais usadas pelo presidente. Para refinar ainda mais esse repertório, Kamel contou com a ajuda de uma pesquisadora, Ana Frias, para separar os momentos em que Lula enunciava frases relevantes sobre um assunto de outros instantes em que só citava o vocábulo ou um derivado em contextos desprovidos de importância. Para completar, foi preciso expurgar termos que Lula mencionou de forma recorrente, mas que o contexto revelou serem irrelevantes – e, na direção inversa, incluir na seleção palavras que, embora menos utilizadas, fossem significativas. Entre elas, "mensalão", proferida apenas 35 vezes, mas que, por quarenta motivos de uma obviedade ululante, não poderia ficar de fora. Passado o pente-fino, Kamel chegou aos 345 verbetes que compõem oDicionário Lula. O trabalho entrou a partir daí na fase final, que consistiu em mergulhar nas falas do presidente para extrair o que o autor chama de "unidade de sentido" – uma espécie de súmula do que o presidente diz pensar sobre determinado assunto. Algumas entradas resumidas podem ser lidas nos quadros que ilustram esta reportagem.

Foi dito no início que Kamel, em seu dicionário, não emite opinião sobre o presidente. Mas ele não cumpriria integralmente a tarefa a que se propôs, expressa no subtítulo do livro, se deixasse de mostrar, tanto na introdução de 87 páginas quanto na edição dos verbetes, as contradições e idas e vindas do presidente que certa feita se autodefiniu uma "metamorfose ambulante". Elas estão lá, para que leitores comuns e historiadores façam sua exegese. Partidários e opositores de Lula continuarão a divergir na interpretação de um fato que, agora registrado em centenas de páginas, se torna mais evidente: o presidente adora falar sobre si próprio e de seu passado de retirante e operário. Para os primeiros, a autorreferência é iluminação; para os segundos, limitação. Equidistante de uns e outros, Kamel arremata que, "muito longe do estereótipo do líder da esquerda operária tradicional – geralmente ateu, arauto de um novo homem, advogado da reestruturação da família em novos moldes, proponente de um regime político-econômico em que haja supremacia dos trabalhadores em relação aos patrões –, Lula acaba exposto, por suas próprias palavras, como um brasileiro médio mais ou menos crente em Deus, defensor do modelo tradicional de família e que se vê como o proponente de uma sociedade capitalista onde haja mais harmonia entre pobres e ricos". E poderia ser acrescentado que, como todo brasileiro médio, ou nem tanto, ele gosta de uma cervejinha, que ninguém é de ferro, companheiro.

Aliança(s)

...não devem ser feitas com o diabo: Qual é a hipótese que um candidato à reeleição tem que fazer? Se for uma pessoa honesta, que quer sair do governo do mesmo jeito que entrou, de cabeça erguida, só pode ser candidato se, em primeiro lugar, tiver a convicção muito forte de que o segundo mandato será melhor do que o primeiro. Segundo, se para ser candidato não tiver de vender a alma ao diabo nas suas alianças políticas. Caso contrário, se ganhar é vitória de Pirro, ganha e não governa. Em dezembro de 2005

...devem ser pragmáticas: Mas eu precisava ampliar a minha base de alianças no Congresso Nacional. Eu percebi, rapidamente, a diferença entre "eu acho" e "eu faço". Quando a gente está teorizando, a gente pode achar tudo, quando a gente está governando, a gente tem que fazer, então precisa deixar de "achar". Em outubro de 2004

Brasil

Eu digo sempre que o Brasil é um país abençoado, porque Deus nos deu a vantagem comparativa. (...) O que era preciso, na verdade, era a gente fazer a nossa parte. Deus fez a parte dele, os portugueses fizeram a parte deles quando demarcaram tão bem o nosso país, e durante muitos anos ficamos esperando que nós fizéssemos a nossa parte, que o Banco do Brasil fizesse a sua parte, que o ministro da Fazenda fizesse a sua parte, que a Câmara dos Deputados fizesse a sua parte, que o ministro da Agricultura fizesse a sua parte, que os empresários fizessem a sua parte, e isso, graças a Deus, está sendo feito. Em junho de 2004

...é um país que ninguém segura: Não poderia ter coisa melhor do que um presidente da República saber que uma escola de samba e o carnaval não podem ser tratados de forma pejorativa, como quando a gente encontra às vezes, pelo mundo afora, alguém dizendo: "O Brasil é um país que só tem carnaval, que só sabe jogar bola e que só tem crianças de rua". É verdade, nós temos carnaval, temos futebol, temos criança de rua. Mas este país conquistou o direito de andar de cabeça erguida no mundo e competir, do ponto de vista da tecnologia, com qualquer país do mundo. Quando uma escola de samba, que é o retrato fiel da imagem mais pura do povo brasileiro – normalmente saída dos bairros mais pobres dos estados brasileiros –, adota para si a responsabilidade de colocar um tema da magnitude política que é esse, das Metas do Milênio, como samba-enredo, eu sou obrigado a olhar para vocês e dizer: eu acho que ninguém segura este país. Em novembro de 2004

...avacalha tudo: Graças a Deus, o sistema financeiro não está envolvido no subprime. Lá, eles falam subprime, se fosse aqui no Brasil era caloteiro, aqui no Brasil nós avacalhamos tudo logo. Em março de 2008

...é fácil de consertar: Eu confesso uma coisa a vocês, eu tive a impressão, quando cheguei ao governo, que o Brasil era como uma casa. Vocês já entraram numa casa em que você chega no banheiro e a descarga não está funcionando, a torneira da pia está com um monte de pano enrolado e está pingando, vazando, quando na verdade uma borrachinha para consertar custa, acho, dez, quinze centavos? O Brasil é um pouco isso. Em outubro de 2004

Chefe

...fica com a melhor parte do trabalho: Eu trabalhava no Departamento de Previdência Social, no sindicato, e tinha um advogado que trabalhava comigo, o Luizinho – nem sei se ele está mais no sindicato. E eu falava assim... Eu cuidava das viúvas que iam lá procurar atestado de vida, cuidava de habite-se, cuidava de uma série de documentos que naquele tempo exigiam, não sei se exigem tudo isso hoje ainda. Eu disse para o Luizinho: "Olhe, se aparecer uma viuvinha bonita aqui, você me fala". Porque eu era o chefe do departamento e era justo que eu atendesse. Aí, um dia, ele falou assim para mim: "Ó, Lula, tem uma lourinha aí bonita". Em dezembro de 2007

...gosta de ganhar crédito pelo trabalho dos bons funcionários: Muitas vezes, eu fico chateado quando eu não vejo lealdade na relação humana, eu fico chateado. Eu quero dizer para vocês que a coisa mais triste que um governante, e não eu, pode viver é ele saber que nas obras para as quais ele deu dinheiro para fazer sequer é citado o nome dele na maioria das cidades e na maioria dos estados brasileiros. Então, é o pior dos mundos, porque, quando a coisa está boa, "fui eu que fiz". Eu aprendi na minha vida com chefe de fábrica. Eu durante muito tempo trabalhei e tinha muito chefe me olhando. Era um peão trabalhando e três em cima, olhando trabalhar. Bem, mas eu não me preocupava. Agora, quando saía uma peça boa, o chefe batia no peito e falava para o outro chefe: "Nós fizemos a peça boa". Quando, por azar, a gente estava cansado e estragava uma peça, ele dizia: "Ele estragou a peça, não fomos nós, foi ele só". Em fevereiro de 2006

Congresso

...teve os presidentes da Câmara e do Senado "feitos" por Lula: Vocês estão lembrados que diziam assim: "O Lula não vai conseguir trabalhar com o Congresso Nacional, vai ser muito difícil trabalhar com o Congresso Nacional, porque ele não tem maioria". Nós fizemos o presidente da Câmara e o presidente do Senado. Em março de 2003

...não deve ter os presidentes da Câmara e do Senado "feitos" pelo presidente da República: Ora, todo mundo sabe que a lógica do Congresso Nacional funciona assim: quando um partido tem a Presidência da Câmara, outro partido tem a Presidência do Senado. O PT tem a Presidência da Câmara. O PMDB, como maior partido no Senado, tem o direito de ter a Presidência do Senado. Isso é um problema dos senadores, não haverá hipótese alguma de ingerência do presidente da República na disputa do que vai acontecer no Senado. Em outubro de 2007

Comunista

Eu confesso que não gosto de rótulo. Eu acho que os mais velhos aqui se lembram que a primeira entrevista que eu dei, ainda no tempo da TV Tupi, tinha o Mesquita (Ruy Mesquita, jornalista, entrevistou Lula em 1978 para a TV Cultura), que me perguntou: Você é comunista? Eu falei: Não, sou torneiro mecânico. Porque eu acho que o rótulo não ajuda. Eu prefiro ser o Lula, torneiro mecânico, pernambucano de Garanhuns, que chegou à Presidência da República. Em outubro de 2003

...era algo que Lula nunca quis ser: Eu fui para o sindicato na marra. Eu não gostava do sindicato também. Eu achava que lá só tinha comunista. Eu tinha 21 anos de idade. Meu irmão era militante, era muito atuante e tentava me convencer, mas eu nunca tive vontade de ir para o sindicato. Em maio de 2003

...quando deixa de ser, fica sectário: Muitos desses meninos e meninas que estão protestando são oriundos do PT. Vocês sabem que ex-marido, ex-mulher, ex-fumante, ex-comunista, ex-petista vão ficando cada vez mais sectários, cada vez mais radicais e nós aprendemos a conviver com isso. Em abril de 2006

Corrupção

...está em todos os setores da sociedade: Em todo setor... o da polícia tem corrupção? Tem, e na política não tem? No empresariado não tem? No Poder Judiciário não tem? Em todo segmento da sociedade tem. O que nós precisamos é separar o joio do trigo. Em março de 2008

...é uma acusação à qual Lula diz estar imune: Todo mundo tem obrigação de ser honesto. Isso eu herdei da minha mãe e os brasileiros sabem disso, mesmo os adversários mais tenazes sabem. Eles podem acusar qualquer pessoa no Brasil, isso pode chegar até na porta da minha casa, mas eles sabem que não vão me acusar de corrupção porque sabem que eu sou honesto. Em julho de 2007

Imprensa

...para o bem ou para o mal, é importante na democracia: Nós não teríamos chegado aonde chegamos se não tivéssemos tido a compreensão e, ao mesmo tempo, a incompreensão da imprensa. Porque eu digo sempre que para o bem ou para o mal a imprensa é muito importante para garantir o processo democrático de uma nação. Em março de 2004

...não conseguiu jogar a opinião pública contra o governo: A existência do mensalão, propalada pela oposição e difundida pela imprensa, não foi comprovada. A despeito da enorme campanha contra o governo, a maioria da opinião pública do país assim o entendeu, e por essa razão continuou apoiando o governo e minha candidatura presidencial. Em julho de 2006

Lula

...é um homem de sorte: Eu não tenho tempo para levantar de cara feia. Eu sou um homem de muita sorte. Então, eu quero continuar, todos os dias, tendo muita sorte. É o seguinte: tudo o que dá errado é culpa minha, tudo o que dá certo é porque eu tenho sorte. Eu acho que o povo não vai votar num azarado para ser presidente da República, nunca. Tampouco uma mulher vai escolher um marido azarado. Em março de 2008

...acha que todos que quiseram governar apenas para entrar para a história fracassaram: Eu queria dizer a vocês que tem gente que quer governar uma cidade, um estado ou um país, para marcar seu nome na história ou, quem sabe, construir uma biografia. Eu acredito que todos que pensam assim ou que pensaram fracassaram antes de começar. Em março de 2003

...sabe como quer entrar para a história: Eu vou passar para a história do Brasil como o presidente que fez a maior política social, como o presidente que mais construiu universidades públicas no Brasil e, ao mesmo tempo, como o presidente que levou mais benefícios para os pequenos agricultores nas regiões mais pobres do país. Em julho de 2007

Diploma

Eu sou filho de uma mulher analfabeta, que já morreu. E eu, de oito filhos, fui o primeiro a ter um diploma profissional. Por conta desse diploma profissional, eu fui o primeiro a ter uma casa, uma televisão, um carro. Eu fui virando "chique", fui tendo as coisas. E tudo por conta de um diploma. Em abril de 2003

...não é necessário para governar: Eu quero dizer isto para vocês: eu não tenho um diploma universitário, mas este país vai ficar orgulhoso de ver como é que um torneiro mecânico, formado no Senai, pode cuidar deste país melhor do que alguns doutores que governaram o Brasil durante tantos anos. Em maio de 2003

...de economia é algo que Lula gostaria de ter: Lamento profundamente não ter tido um diploma universitário, lamento. Não digo isso com orgulho, não, gostaria de ter. Até gostaria de ser economista, viu, Aloizio (Mercadante, senador pelo PT de São Paulo)? Veja que coisa. Até gostaria de ser economista, não fui.


veja.com

Um comentário:

Anônimo disse...

Chiste, perguntar não ofende: quem esta financiando esse mimo ao Luis Inácio.

REPASSANDO:
Deu no blogue de Guilherme Fiuza -Época
http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/

Vamos ouvir Lina
SÁB, 15/08/09POR GMFIUZA |
Todos sabem o que é o governo Lula: um caminhão de dinheiro no Bolsa Família e uma política econômica forte. Mas nessa perna já deu cupim, com a intervenção política na Receita Federal.

Há, contudo, uma oportunidade rara no ar: uma testemunha ocular do desmonte parasitário. Disposta a falar.

Lina Vieira, a ex-secretária da Receita decapitada pelo Planalto, é a brasileira mais importante do momento. Ela foi se meter a fazer o seu trabalho direito, barrando a tramóia fiscal da Petrobras com o governo, e caiu em desgraça. Agora está indicando que sabe muito mais do que isso.

Lina viu ao vivo a ação partidária dos cupins, com a ordem da ministra da Casa Civil para abreviar a investigação contra Sarney. Lina tem a pista do assalto ao Estado brasileiro. Sigam esta mulher.

O governo anterior blindara a área econômica da sanha dos políticos, e só assim foi possível enfim trabalhar — gerando, entre outros produtos, uma moeda de verdade para o país. Lula até que manteve a blindagem bastante tempo, mas a carne é fraca.

A derrubada da secretária da Receita Federal é um escândalo. Não se via nada parecido desde que o órgão foi obrigado a liberar a muamba da seleção brasileira tetracampeã de 1994. Na ocasião, o secretário da Receita, Osiris Lopes Filho, falecido este ano, pediu o boné.

Lina Vieira vai depor no Senado. Aumentem o som. E aprendam um pouco mais sobre o Plano Dilma (sem maquiagem).