quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Para o Planalto, a tática de confronto deu certo


O governo avalia que os aliados venceram o primeiro tempo da luta para salvar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), quando apostaram na estratégia do confronto com a oposição. Ontem à noite, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o senador Fernando Collor (PTB-AL) conversaram com presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aliado de Sarney, Collor foi o principal personagem no enfrentamento com a oposição na véspera. Bateu boca com Pedro Simon (PMDB-RS), em plenário, e mandou o colega "engolir" suas palavras.

Agora a ordem da tropa de choque sarneyzista é construir uma saída negociada com adversários ameaçados por dossiês para engavetar a maioria das representações contra Sarney no Conselho de Ética. Pelo jogo de cena que está sendo ensaiado, o conselho fará "triagem" nas representações e aceitará pelo menos uma, mas também pretende arquivá-la por "falta de provas". Lula pediu ao líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), que não jogasse combustível na crise, não convocasse a bancada petista para reiterar a pregação em defesa do afastamento de Sarney e se entendesse com o colega Renan Calheiros (PMDB-AL).

Assim foi feito. Em café da manhã realizado ontem no gabinete do líder do PTB, Gim Argello (DF), Mercadante e Renan - que viviam às turras - chegaram a um acordo. Depois da conversa, da qual também participaram o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), Mercadante desmarcou a reunião da bancada do PT, que seria na hora do almoço.

"Aqui está um cheiro de gasolina terrível e o primeiro que riscar fósforo explode. Então, a saída dessa crise tem de ser política", afirmou ele. "A posição da bancada é pela licença de Sarney, mas nenhum petista pediu para reabrir esse debate. Não vamos fazer o jogo da oposição."

Além da batalha de hoje no Conselho de Ética, o governo está preocupado com a CPI da Petrobrás. Na análise do Planalto, a oposição não tem força para derrubar Sarney e tentará criar outro fato político pré-eleição.

Sarney subirá hoje à tribuna para exibir documentos em sua defesa. Quando comunicou à cúpula do PMDB, no domingo à noite, sua decisão de resistir, ele deu a senha para que Renan preparasse a estratégia do confronto. "Não vou renunciar e não me calo mais", disse Sarney, que antes havia mencionado a possibilidade de renúncia com o próprio Lula. "Não tenho idade nem saúde para apanhar calado por tanto tempo."

Estadão

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